22 Outubro, 2009
10 Outubro, 2009
Como adquirir o livro 70 poemas por um sorriso
O preço do livro são 5€ mais despesas de envio.
A totalidade da receita reverte a favor da APPACDM de Setúbal
Uma excelente sugestão para oferta de Natal.
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Sábado, Outubro 10, 2009
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14 Setembro, 2009
Lançamento do Livro 70 poemas por um sorriso
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Segunda-feira, Setembro 14, 2009
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10 Setembro, 2009
70 poemas por um sorriso - O rosto do livro
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Quinta-feira, Setembro 10, 2009
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07 Setembro, 2009
70 poemas por um sorriso
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Segunda-feira, Setembro 07, 2009
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26 Agosto, 2009
anseio
anseio todas as palavras simples,
com a mesma ânsia que encaro o meu rosto.
anseio na escrita de todos os dias,
a memória da memória permeável às diferenças.
todos têm as suas próprias leis,
pedem-me que as entenda,
continuando indiferentes à minha ânsia.
habito sob esta pele,
matéria bárbara e adversa,
na ânsia de não favorecer a desistência.
depois acusam-me da ausência,
como se tudo fosse apenas e só um poema ambíguo.
anseio sobreviver,
a esta fadiga que me impõem, torrente de egoísmo.
a todos devo, mesmo aos desconhecidos,
anseio tanto pagar-lhes para que me deixem em paz.
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Quarta-feira, Agosto 26, 2009
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18 Agosto, 2009
pensamento pró fundo
o cão que morde o cão como se fosse o dono.
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Terça-feira, Agosto 18, 2009
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17 Agosto, 2009
por nojo
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15 Agosto, 2009
!
antes dar pérolas a porcos, que palavras à iliteracia congénita
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13 Agosto, 2009
avó Maria
preciso de voltar a essas casas
pedras e telhados das minhas origens.
avó Maria,
quero de novo os vinte escudos
embrulhados num sorriso na palma da tua mão
no alpendre da tua casa aos domingos à tarde.
que saudade da lisura da tua bondade
poema vivo da minha juventude
o pão fumegante saído do forno
recheado de petingas temperadas de azeite
que as tuas mãos calejadas me ofereciam.
outrora crescia-me a água na boca feliz
hoje as memórias humedecem-me o olhar.
aqueles degraus rasos de pedra
onde saboreava o delicioso manjar
são agora o tempo a latir o silêncio
as intempéries levaram o teu rosto
a nitidez da perda é a matriz do meu longe.
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Quinta-feira, Agosto 13, 2009
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06 Agosto, 2009
dedico-te estas palavras

dedico-te estas palavras
com mãos quentes calejadas
dedico-tas por não m’as teres pedido
germinaram dos meus olhos sem teias
são sinceras, rainhas e plebeias
são a travessia branca da minha alma
a metamorfose de mim na palavra toda
um voo oblíquo de matéria ardente
um silêncio habitável por toda a gente
respira este lugar calmo transparente
na invulnerável superfície da página
vive medita e lê como quem sente
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Quinta-feira, Agosto 06, 2009
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30 Julho, 2009
Ode ao Arquipélago da Madeira e Porto Santo [abraçando as Desertas] (cont.)
II
gosto de me pôr à janela desta ilha que habito
a olhar o grande oceano em azul majestoso
a minha dimensão é do tamanho do que sinto
sou tantas vezes livre quantas vezes me liberto
só eu sei o que o meu pobre corpo vibra
quando a alma dele se evade e poisa nos canteiros
há flores de todas as cores perfumes sem dores
uma ilha nunca será pequena como a dizem
pois a partir dela se pode ver a dimensão do mundo
combater o tédio compreender sem destruir
sinto que destruir é esquecer de amar
esta ilha ensinou-me a amar desde que me acolheu
alimentou-me dos seus seios esplendorosos
resgatou-me ao cansaço ofereceu-me o seu generoso regaço
toda esta ilha é um majestoso corpo de mulher
onde se adivinha o amor estendido nos braços dos homens
abençoado pela mão despida do oceano
imagino Gonçalves Zarco a desembarcar
para além das naus traria certamente o sol nos lábios
nos olhos o êxtase que o belo ao homem sugere
no rosto o espanto pela sensualidade do verde e azul
estremecendo de prazer no rasgar do véu feito de bruma
entre mar e céu festejos de pupilas dilatadas no calor da terra
visão inesquecível e comovente para pintores e poetas
tocantes sinfonias de vida e alegria nascem nesta pauta feita ilha
a mão do homem que tudo muda mas a essência e o amor permanecem
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Quinta-feira, Julho 30, 2009
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28 Julho, 2009
Ode ao Arquipélago da Madeira e Porto Santo [abraçando as Desertas]
I
perdoem-me o atrevimento de querer contar
cantar e encantar uma ilha um arquipélago
perdoem-me porque por amor se cometem loucuras
é indelével esta minha paixão pelos recantos e encantos
e tento por palavras esculpir o que sinto
às vezes deliciado outras incrédulo num sonho de escrever
tudo o que eu possa escrever não passará de um rascunho
ainda que sentido e fiel ao amor por tanta e indizível beleza
tanta História e labor trespassa a minha pobre mente
um efeito prolongado e decisivo sobre tudo o que há para fazer
viver sentir e preservar a dar forma ao que somos e às nossas vidas
só os mais distraídos não darão conta
do sangue dos nossos antepassados a correr dentro de nós
misturado com o nosso a irrigar cada ser único e irrepetível
a tudo isto se junta o que é grande e magnífico como o oceano
um véu azul e transparente onde se vê a alegria
até à raiz mais nobre e profunda dos rochedos vigilantes
erguem-se imponentes e majestosos os picos
beijando intencionalmente as nuvens fermentando as brumas
bem-aventurado arquipélago bafejado pela harmoniosa anarquia
de paisagens tão diversas e antagónicas na profusão de cores
rochedos cascatas ribeiros levadas abruptos desfiladeiros
manta de cores nas copas dos arvoredos terra húmida e fértil
flores de cores intensas e aromas densos a despertar tórridas paixões
tão tórridas quanto a aridez selvagem das Desertas
por toda a parte sons misteriosos da azáfama da Natureza
o canto das aves a graciosidade escultural do lobo-marinho
perante tão intensas sensações a mente rejubila de contentamento
e o corpo pede repouso no dourado e quente areal de Vila Baleira
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Terça-feira, Julho 28, 2009
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08 Julho, 2009
breve ensaio à inércia

um e outro a ilusão de cada um de nós,
na bruma perturbada pelos gnomos do silêncio.
indescritível dor de gozar a calma do exílio,
na tela húmida de um tédio irreal e vago.
respiramos o ar intensamente neutro e mole,
como o cerimonial da cauda de um gato dormindo ao sol.
assim nos imaginamos felizes rindo,
num tocar de pés nus a plausível necessidade dos vivos.
um lábio toca outro lábio habitando juntos,
a mesma boca o mesmo rosto a mesma inércia alada.
um cansaço é a sombra de outro cansaço,
uma súplica uma exigência ao direito de não fazer nada.
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Quarta-feira, Julho 08, 2009
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30 Junho, 2009
ouves-me lucy?
que silêncio tão grave, a ferir-me os tímpanos só o eco dos teus pensamentos; na próxima semana tens de ir ao salão da bety e talvez faças umas nuances. serão ténues e discretas como um remédio inútil. – notas alguma diferença em mim? – o que foi que te aconteceu lucy? o teu olhar ficou sombrio e contraíste as maçãs do rosto, notei algum esgar de ódio nos teus olhos; repetiste – notas alguma diferença em mim? – lucy passa-se alguma coisa de grave contigo? – começo a ficar preocupado; – diz-me lucy? – és mesmo estúpido, não vês que fui à bety? ia responder-te mas só encontrei a porta a bater-me no nariz.
eu nem sequer conheço a bety. disse a mim mesmo. conheço é o cajó, o tipo que me apara o cabelo e me põe a par das merdas que se passam no futebol, e nos intervalos me fala das gajas boas que estão nas capas das revistas, que me dá a ler enquanto espero pela minha vez, depois pago a conta e saio, só volto daí a dois meses. sem nuances. já me basta a falta de cabelo que se agrava a cada dia. – lucy, diz-me; – alguma vez te perguntei se notavas alguma diferença em mim? não, porque sei que odeias o meu pentear, tanto quanto odeias as cores que escolho nas cuecas que uso. nunca me perdoaste o não te deixar escolher-me as cuecas.
ao longo destes anos todos sempre que te contrario em alguma coisa, há mais uma coisa que passas a odiar em mim. não suportas quando leio e ouço música clássica. sou um parvo com mania de erudito, assim me baptizas enquanto me vomitas mentalmente, sentada no sofá a folhear a elle, com o canal fashion ligado. é neste sono de dizer que anulamos a febre de ser, mastigando azedas que colhemos no vaso onde deitamos sementes e germina a tolerância anémica. é lucy, assim nos vamos suicidando aos bocadinhos; porque, supostamente para nós, nós são os outros, se não são, deviam pensar e sentir como nós, sendo nós.
ouvi-te pensar que este fim-de-semana levamos os meninos a casa dos teus pais. sim lucy eu ouço-te pensar. e levamos porque a semana passada levámos os meninos a casa dos meus. é nesta democracia paliativa que suportamos as nossas vidas e nos suportarmos. é a realidade de cada um de nós que nos impede de existir. tu não suportas os meus pais e eu não suporto os teus. os teus não me suportam e os meus não te suportam. espera lucy, estou a ser impreciso; o meu pai gosta muito da mãe dos seus netos, e acho que tu também gostas dele. agora sim, agora é que está bem, foi reposta a verdade inócua.
lucy agora experimenta ver se consegues ouvir o meu pensamento; é a ironia que nos impõe tarefas, e, no privilégio que nos é concedido por uma horrorosa reciprocidade. – sim lucy!, este fim-de-semana levaremos os meninos a casa dos teus pais. de outro modo colocaríamos em causa a monotonia das nossas vidas inconsistentes. e o tédio é o nosso sentimento mais bem definido. porque nos faz sentir culpados e a culpa nos faz sentir pena de nós. habitamos uma espécie de depressão, cujos ganhos secundários nos são preciosos. uma atmosfera de gozo trágico na excitação que o sofrimento nos proporciona.
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Terça-feira, Junho 30, 2009
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26 Junho, 2009
22 Junho, 2009
Índole
Nesta vida povoada de escolhos, a sorte, é na maior parte do tempo, uma criada aleijadinha que nos serve o chá, saltitando ao jeito do infortúnio. O carácter um criado maltratado e ignorado, a que não se dá o devido valor. A honestidade um empecilho à vaidade. Caminha-se na rua rodeado de tudo sem nada ver, tal é a cegueira da fama e ambição. A verdade é um incómodo.
Há algo que não me canso de repetir até para mim mesmo; os sonhos são de construir, os sonhos são de construir. Ser crente em algo, é expor a dúvida, assumir a imperfeição, a necessidade de valorar a existência. Nenhuma fé vale mais do que outra, nenhum tipo de fé deve ser imposto a outrem, se isso acontecer deixa de ser fé, assumindo o rosto de fanatismo. Não acreditar em nada é habitar o vazio.
A liberdade não é um direito, é um dever. Sábio é aquele que conhece e estima o valor dos valores. São raros os que conseguem viver a plenitude da vida, os que o conseguem entregam-se-lhe de corpo e alma, por lhe terem um amor inteiro. Mais vale uma pausa serena do que agir inutilmente. Por muito que se porfie, o acaso não vende a sorte. Nem a verdade é um lago onde se banhem os ignóbeis a seu bel-prazer.
Uma virtude não é, nem pode ser, um lapso, um eco vago, tão-pouco uma subjectividade. E, se alma de um ser humano se pudesse libertar dele, revelaria por certo toda a verdade, que a mentira do corpo aprisiona. Quem dera que num qualquer Abril ou até Dezembro, numa revolta despida de intolerância, as almas se libertassem dos homens. Expondo as vergonhas, para que os homens sintam nas dentaduras, todas as dores que lhes causam.
E quanto mais medito em tudo isto, maior é o desconsolo que me invade. O cansaço das caras do costume. A pobre substância dos factos, o bolor dos actos vestidos de hábitos antigos, repetidamente repetidos. E quanto mais abro os olhos, o que mais me é dado a ver são antolhos. Um enredo orgânico de fingimento agoniante. Há no entanto, ar, terra e mar, há o amor, onde a minha consciência me dita o dever de repousar.
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Segunda-feira, Junho 22, 2009
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11 Junho, 2009
ipsis verbis
sou por natureza um tipo meio distraído e, quando vou a dar conta, tenho cá em casa; o sócrates, a ferreira leite, o vital, o rangel, o louçã, o portas um e o portas dois, o melo, o jerónimo e a ilda e mais uns quantos grãos de poeira, que na grande maioria não sei identificar, é cá uma poeirada, um autêntico buraco negro, que me torna os dias absolutamente irrespiráveis.
vejam lá bem, que até o aníbal, no passado dia 10 de Junho, me entrou sorrateiramente pela janela logo de manhã, e só saiu quando eu me fui deitar, já era madrugada do dia 11.
como era dia da pátria a selecção nacional ofereceu-me um empate, cedido por especial favor, por uma humilde congénere tão a leste, como o empenho dos bravinhos lusos. ai que saudade do mata mata. o tipo não era luso, mas falava a língua de camões e, ganhava jogos. isto para além de dar uns tapa em quem se atrevesse a tocar nos minino.
ai que saudade do mata mata, a malta bem que o podia contratar para dar uns tapa, na poeira política, que me entra, que nos entra, casa adentro, e nos toca sobretudo onde nos dói mais.
o caló, que é taxista, e percebe muito de futebol e de política, é que diz ter um bom remédio para tratar desses gajos todos, só que, eu como sou um moço bem educado, não me atrevo a reproduzir aqui a receita.
não tarda sai-me a primavera pela janela e entra-me o verão pela porta. as vizinhas já andam a pendurar biquínis e tanguinhas no estendal; a coisa promete.
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Quinta-feira, Junho 11, 2009
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01 Junho, 2009
tu criança

tu criança
que do amor
és o fruto perfeito
sim tu criança
porque hão-de
almas satãs
roubar-te o que é teu por direito
sim tu criança
porque hão-de
infernos humanos
destroçar o teu arco-íris
sim tu criança
porque hão-de
canalhas malfeitores
apoderar-se do teu sonho inocente
in “Janela do Pensamento”
antónio paiva
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Segunda-feira, Junho 01, 2009
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25 Maio, 2009
Momentos em evidência
Todos os momentos por mim vividos, no lançamento e apresentações do meu novo livro “Pedaços de Vida e Fantasia”, foram para mim extremamente gratificantes e enriquecedores, aproveito uma vez mais para agradecer a todos os que me apoiaram, acompanharam e participaram em cada um deles.
No entanto há três momentos que quero colocar em evidência, pelo facto de nos três haver um denominador comum; jovens. Os que melhor me conhecem sabem do meu empenho em estar perto deles, de os escutar, de conversar com eles, nomeadamente nas escolas que me abrem as portas e convidam para o efeito.
Anadia, 26 de Abril, Biblioteca Municipal de Anadia, sob a coordenação da professora Dulcineia Borges, quatro alunos da Escola Secundária de Anadia, Luís Martins, Marta Silva, Mariana Santos e Fábio Monteiro apresentaram o seu contributo com “Ser Poeta” e “Pedaços de vida e fantasia”, (música e letra de Luís Martins), “Memórias vivas”, “Este modo de vida”, “Lugares de outros tempos” e “Um livro”.
Estiveram fantásticos, nada que eu já não estivesse à espera, uma vez que eu já lhes conhecia o talento. Deixo-lhes toda a minha estima, admiração e gratidão.
Até sempre!
Ei-los na foto

Coimbra, 2 de Maio, Fórum da Fnac Coimbra, antes da apresentação do livro, eu tinha um encontro marcado com um escritor de 8 anos de idade. Estou a falar-vos do David Lourenço, um menino que já foi premiado pela Caminho Editora.
Era o nosso primeiro encontro, no início o David estava um pouco ansioso, mas com o desenrolar da nossa conversa, foi descontraindo e acabámos por estabelecer um diálogo magnífico e frutuoso para ambos. Quis o David presentear-me com um texto escrito de propósito para me oferecer, ao entregar-me uma capa com o texto manuscrito, disse-me: que o escrevera pelo o seu punho no papel e mo entregara assim, por ser mais pessoal.
Passo a transcrever o texto tal e qual o original:
A mãe que eu gostava de ter
Era uma vez um menino chamado Vicente. Esse menino era muito, muito rabugento com a sua mãe, e gostava de ter uma mãe que não o obrigasse a nada.
Certo dia ia para a escola, passou na estrada uma carrinha com um senhor a dizer:
- Meninos e meninas, querem ter outra mãe? Venham à loja mãe e terão a mãe que quiserem.
O Vicente naquele momento pensou:
- E que tal dizer à minha mãe verdadeira para se ir embora? E assim fez.
O Vicente no dia seguinte disse à sua mãe para se ir embora. De seguida a mãe foi-se embora triste.
O Vicente telefonou para a loja mãe, mas as mães eram todas muito caras, e ele não tinha dinheiro que chegasse para comprar uma mãe, no dia seguinte era fim de semana e sentia falta da mãe. Ele decidiu pôr cartazes com o nome da mãe para o caso de ela o ler. O Vicente começou a ficar desesperado, pois não sabia cozinhar. Ele já não sabia o que fazer, e nem um cêntimo tinha.
Então foi à procura da mãe.
A mãe lá em casa da amiga dizia:
- Ele já deve ter aprendido a lição. A mãe voltou e o Vicente ficou muito contente. O Vicente aprendeu uma grande uma grande lição. Nunca dizer mal das pessoas porque nós somos todos precisos!
FIM
David Lourenço
02/05/2009
Amigo David, os meus sinceros parabéns pelo teu texto.
Fico-te muito grato pela tua simpatia, faço votos para que continues a ser um menino feliz, na companhia dos teus pais, familiares e amigos. E, que ao longo da tua vida, com trabalho, esforço e dedicação, consigas alcançar os teus objectivos.
Um grande abraço com amizade.
O David e eu na foto em baixo.
Funchal, 9 de Maio, Fórum da Fnac Madeira. A Paula Trigo convidou o seu filho Rui Filipe e o amigo Vítor Hugo, para participarem na apresentação do livro, o Rui, leu vários excertos do livro durante a apresentação e terminou declamando o poema “Ser Poeta” de Florbela Espanca, acompanhado à viola pelo Vítor Hugo, executando uma música que o próprio compôs para o momento. Foram brilhantes! É de realçar que foi pela primeira vez actuaram em público, e eu bem sei o quanto é difícil estar pela primeira vez perante tanta gente a observar-nos e avaliar-nos.
Os meus sinceros parabéns pela vossa brilhante prestação, fico-vos eternamente grato pelo vosso empenho, dedicação e amizade.
Que sejam muito felizes e que o futuro vos sorria tal como merecem.
Um grande abraço de estima e amizade.
Em baixo a gravação onde podem visualizar e ouvir o momento.
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Segunda-feira, Maio 25, 2009
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14 Maio, 2009
O Poeta Vítor Cintra Apresenta
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Quinta-feira, Maio 14, 2009
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11 Maio, 2009
Agradecimentos
Aprendi com Voltaire que; A leitura alarga a alma e um amigo esclarecido dá-lhe consolo.
Agora que as coisas por aqui tendem a retomar alguma normalidade, permitindo-me regressar às tarefas suspensas. Venho expressar o meu profundo agradecimento a todas e a todos, pelo apoio e estima que me dedicam.
Bem-hajam.
Abraço.
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Segunda-feira, Maio 11, 2009
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23 Abril, 2009
20 Abril, 2009
Agenda do Livro Pedaços de Vida e Fantasia
Dia 24 de Abril pelas 21,30
Apresentação da obra pelo escritor e poeta José Torres.
Momento musical, pelo músico, poeta e escritor Flávio Lopes da Silva, acompanhado pelo músico Miguel Duarte.
Sessão de Apresentação na Biblioteca Municipal de Anadia
Dia 26 de Abril pelas 16 horas
Apresentação da obra pelos alunos do 11º Ano, da Turma de Literatura Portuguesa, da Escola Secundária de Anadia
Preparação e coordenação da Professora Dulcineia Borges
Com o patrocínio da Câmara Municipal de Anadia, Biblioteca Municipal de Anadia, e Vinícola Castelar.
Sessões de Apresentação em Montemor-o-Velho
Dia 27 de Abril pelas 11 horas
Associação Diogo de Azambuja – Escola Profissional de Montemor-o-Velho
Estrada Nacional 111
Dia 27 de Abril pelas 14 horas
Associação Diogo de Azambuja – Escola Profissional Agrícola Afonso Duarte
Largo da Feira – Montemor-o-Velho
Sessões de Apresentação em Gafanha da Nazaré
Dia 28 de Abril manhã e tarde
Escola Secundária c/3ºCEB da Gafanha da NazaréRua Dr. António Vilão, apartado 82
Sessão de Apresentação em Vilarinho do Bairro
Dia 29 de Abril pelas 14:30
Escola Básica 2º e 3º Ciclos de Vilarinho do Bairro
Sessão de Apresentação em Lisboa, na Livraria Bulhosa Books & Living – Campo de Ourique
Rua Tomás da Anunciação, nº 68 B
Dia 1 de Maio pelas 16 horas
Apresentação da obra a por Ana Correia e pelo poeta Vítor Cintra, autor do prefácio ao livro.
Conferindo ao evento maior dimensão cultural, estarão expostas durante a sessão, pinturas de Helena Paz.
Sessão de Apresentação na Fnac Coimbra
Dia 2 de Maio pelas 21:30
Apresentação da obra por Paula Cação e pelo poeta Policarpo Nóbrega.
Um evento a não perder por quem goste de emoções fortes.
Sessão de Apresentação na Fnac Madeira
Dia 9 de Maio pelas 17 horas
Apresentação da obra por Paula Trigo.
Estão garantidos momentos surpreendentes durante a sessão, que não são revelados, para estimular apetites.
O autor agradece encarecidamente a vossa presença.
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Segunda-feira, Abril 20, 2009
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16 Abril, 2009
breve ensaio à natureza

escolhi-te dia e noite para minha amante,
no refúgio sombreado do denso arvoredo.
uma cama de tufos, lençóis de brisa silente,
sem palavras, silêncios aligeirados de sopro.
no teu dialecto de minúsculas por insectos,
minúcias deslumbrantes em ancas de frutos.
Deusa visível de fascinante complexidade,
paleta de todas as cores refúgio de simplicidade.
e olho o céu, e olho o mar, toalhas em azul
de bainhas brancas, tal como o sol no início.
todo o olhar é a confirmação, hemisfério norte e sul,
íntimo movimento no verso da asa, ave sem vício.
num suspiro me alimento e a alma exalta,
na delícia de um beijo nos teus lábios de água.
a força permanente do vale à montanha mais alta,
uma ode um hino uma fé onde vou lavar a mágoa.
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Quinta-feira, Abril 16, 2009
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14 Abril, 2009
breve ensaio ao autor

leiam-me com o mesmo vómito de desprezo,
com que deitais o olhar furtivo a um mendigo.
mas leiam-me,
e não me deis palavrinhas de aconchego.
vinde antes temperados de azedume,
zurzindo impiedosamente o chicote do castigo.
mas leiam-me,
que desta alma não ouvireis um só queixume.
e se sois vós ainda tão tenros e já sentados,
pois leiam-me,
e nesse mínimo castigo expiareis vossos pecados.
sou feito de matéria bárbara e firme,
nas palavras me abrigo e busco a nudez do simples.
então leiam-me,
nesta convergência de fluxos e matéria sublime.
nocturno amante de insectos espuma e pedra,
animal à sombra e à chuva de opacos melindres.
então leiam-me,
ao som dos latidos enquanto a iliteracia não ferra!
(de breve em breve se edifica a consciência)
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Terça-feira, Abril 14, 2009
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12 Abril, 2009
breve ensaio à palavra

na espessura do tronco da árvore,
há pelo menos uma palavra viva em crescendo.
no canto melodioso da ave,
há pelo menos uma palavra em voo sonoro.
também o teu corpo é palavra,
às vezes indizível por habitar a vertigem.
na oblíqua exactidão do fogo que lavra,
no ardor da ferida exangue em floresta virgem.
germina a palavra diante dos meus olhos,
tingindo a negro o canteiro de papel branco.
arma diáfana e precisa a combater antolhos,
num labor de silêncios e sons a atenuar o pranto.
dedico-te o meu amor na claridade do meu desejo,
fundindo o teu e o meu corpo em matéria ardente.
em voos do imaginário planando no puro ensejo,
na tua cúpula em cópula até ao verso incandescente.
(à palavra todo o respeito é devido, na escrita o seu uso quer-se parcimonioso e sério. mas; também um “produtor” vinhos ousou dizer: que sabia ser possível fazer vinho de uvas, mas desse ele nunca tinha feito)
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Domingo, Abril 12, 2009
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11 Abril, 2009
breve ensaio ao livro
ao longo da História,
milhões foram queimados,
pelo vil propósito de os calar.
domínio branco tingido pelo saber!
linhas de força;
da generosa e espiritual humana criação.
ah seiva fascinante!
de sabor destemido ante os poderosos,
que estremecem diante do poder da palavra nua.
não balbucia memórias; instiga-as!
em matéria pastosa e solidificada,
rasga o domínio do interdito,
na voz do poeta e escritor maldito.
e de júbilo terno te observo,
leio, venero e amo num clamor branco,
nas páginas esculpidas em sangue
pelo cinzel, na memória do poema onde respiro.
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Sábado, Abril 11, 2009
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07 Abril, 2009
breve ensaio à nudez

corpo em palavras venero,
o teu nome espuma branca,
ou seda de chocolate sedutora.
desejo desejado penumbra despida,
vocábulos ungidos de suor e lua,
dicionários de amor ao nu da vida.
claridade a cegar claridade,
ou ébano doce a cegar doçura,
serena e terna repousa a mulher nua.
(só os meus olhos escrevem com perfeição)
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Terça-feira, Abril 07, 2009
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02 Abril, 2009
breve ensaio ao monólogo

tem quatro casas o botão,
todas elas caseadas,
por linhas bem entrançadas.
estás a vê-lo diante do teu nariz?
há-os de plástico de prata de oiro e latão,
também os há de chifres,
talhados na vida de um pobre cabrão.
estás a ver aquela linha alaranjada,
entre dois retalhos de nuvem?
estás nada, a esta hora julgas-te Platão!
pobre diabo, encantado com o seu umbigo,
qual filósofo em alegoria da caverna,
escondido e só, a curar ignorância.
e agora diz-me lá,
por que não aprendes a cerzir a alma?
vá anda, reponde-me!
por que não me dizes nada?
ah! já sei!
de esqueleto não passas.
e para mal dos teus pecados,
a tua inteligência sempre viveu acamada.
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Quinta-feira, Abril 02, 2009
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31 Março, 2009
breve ensaio ao tempo
tempo arredio em marcha de caranguejo.
tempo esguio mentiroso e fugidio,
tempo seco barbatana de raia no estio.
e um tempo a embalar a insónia,
à espera que o sono escorra pelos beirais.
tempo de cópula dos ponteiros do relógio,
no cio dos segundos em orgasmo estéril.
o tempo das cigarras em desgarrada,
das corujas em desmesurado pio.
faz-me tanta falta, o tempo
que medeia entre a proa e a ré do navio.
meço o tempo onda a onda,
o tempo breve onde respiro liberto.
num tempo vago e de horizonte aberto,
densa partitura de instantes mínimos.
e tudo se agita num silêncio,
tão breve quanto o meu tempo.
o tempo se esfumou sem eu dar conta,
e a noite desfez o céu ainda há pouco em presença.
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Terça-feira, Março 31, 2009
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29 Março, 2009
breve ensaio ao nascimento
algo se inicia sem nome,
na gestação de vocábulos de amor,
metáforas de vida letra a letra,
tomando forma no venturoso ventre.
o ser de fibras moldadas em fogo brando,
abre clareiras de júbilo na carne do mesmo poema.
um corpo ávido de vida embalado pelo silêncio,
um silêncio liso na harmonia de uma alma alva e nua.
pulsa e respira em tão silenciosa frescura.
ah Primavera viva!
unida à terra onde o fruto madura,
e rompe e rasga a prodigiosa ventura,
qual magna lava do vulcão.
e há então um choro primeiro,
não de sofrimento ou de mágoa,
mas sim um rumor vivo ingénuo e livre,
talvez um primeiro pedido – de amor incondicional.
agora os tenros lábios acariciam o seio materno.
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Domingo, Março 29, 2009
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22 Março, 2009
breve ensaio amoroso
escassos os meus dedos te acendem,
em botão de rosa fêmea perene.
em pose de homília liberta o perfume a violeta,
silhueta caminhando em leveza extrema,
que de tão leve e graciosa libélula não perturba o pólen.
dois pares de olhos, algures o mesmo desejo.
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Domingo, Março 22, 2009
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21 Março, 2009
A somar primaveras
Quis quem já não está entre nós, em conjugação com o supremo, no trono da Real Natureza, que há umas décadas atrás, num dia 21 de Março, precisamente às 09:30 da manhã, eu desse início à empreitada de uma vida. Construída entre sonhos e escolhos, somando primaveras. Agora, dobrando a esquina da rua do começar a somar invernos, não venho mendigar tréguas. Quem me tem mordido que me continue a morder, pois faz-me falta, quem me estima que me continue a estimar, pois falta me faz, e, quem me ama que me continue a amar, pois sem esse amor sou nada.
Tenho um improviso de intervalos para todos vós, da carne e da alma vos podeis servir, consoante a natureza das vossas fomes. No entanto quero que saibam, por muito que ferrem num ou noutro lado, nunca chegareis aos ossos que eu não deixo, vou levá-los comigo, quando arrumar os meus pertences.
Agora vou simular rimas e poesias, respirar nos versos brancos, escrever prosas de amainar cóleras, contos de florescer memórias, romances de irónico a Cupido. Que a minha morte vem longe, e irei vestido de palavras, quem mo afiançou foi Calíope. Eu, Primavera enquanto dure.
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Sábado, Março 21, 2009
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16 Março, 2009
in Genéricos 18
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Segunda-feira, Março 16, 2009
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11 Março, 2009
presunção e água benta
presunção e água benta
da primeira me penitencio amiúde
da segunda tomei por imposição,
de quem achou por bem culpar-me,
do “pecado” da carne que até então,
não cometera quer por indigência,
ou sequer por consciência.
quiçá por culpa do atrevimento
de ousar ter nascido, invadindo
a pureza imaculada das batinas,
conspurcando o branco sagrado,
de saiotes e evangélicos colarinhos.
cresci na dureza que até hoje mordo,
o pagamento por pérfido, da bula carnal,
mastigando a casca de aleivoso e ímpio,
chicoteai-me sacripantas chicoteai-me,
por ousar monstruosas afrontas,
adormecei serenos e castos,
na alva brancura do vosso leito sevandija.
benzo-me, três vezes me benzo antes de ir.
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Quarta-feira, Março 11, 2009
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10 Março, 2009
o poema da benevolência
– que vos dê o que não sou.
respondo-vos;
– sim, dar-vos-ei o mais que possa – impossível eu.
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Terça-feira, Março 10, 2009
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08 Março, 2009
hoje é dia de todos os dias
porque de espinhos há atoleiros.
no Brasil uma mãe e uma menina de nove anos de idade, foram excomungadas por um bispo, pela prática de aborto.
nada de mais, a menina de nove anos só engravidou pelo simples facto de ter sido violada pelo padrasto.
nota:para evitar ataques de mentes tortuosas, esclareço; nada me move contra o povo irmão brasileiro, já que, o sucedido por lá, bem que podia acontecer e/ou acontece em terras lusas ou noutro qualquer canto do planeta.
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Domingo, Março 08, 2009
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03 Março, 2009
João Videira Santos na Galeria Domínio Público
Autor, poeta e artista plástico JOÃO VIDEIRA SANTOS, apresenta na Galeria Domínio Público de 4 a 24 de Março alguns dos trabalhos feitos em Lisboa e Brasília.
Com uma diversidade de trabalhos apresentados em exposições individuais e colectivas, a presente exposição caracteriza-se por trabalhos a acrílico, vinte e sete em papel Canson e três em tela, tendo por base figuras "incaracterísticas", denominadas por "Monstr'inhos".
Sobre estes trabalhos, a designer industrial ANGELA LADEIRO, da "Dimensão Design", escreveu: " Cada quadro é um apelo aos nossos sentidos, um desafio maior à nossa imaginação. "
Para a inauguração da exposição, a ocorrer no dia 4 de Março, quarta-feira, pelas 18.30 horas, estão convidadas diversas personalidades da vida citadina.
A exposição estará patente ao público de segunda a quinta-feira das 08.00 às 24.00 horas, sexta-feira e sábado das 08.00 ás 24.00 horas.
Encerra ao domingo.
DOMÍNIO PÚBLICO
Rua de Entrecampos, 12-B
LISBOA
Telefone: 210 100 892
João Videira Santos, para além de excelente artista e poeta, é um homem bom, um ser humano que irradia simpatia e gentileza.
Se vos for possível compareçam na inauguração, ou visitem a exposição num dos 20 dias da sua duração.
Abraço.
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25 Fevereiro, 2009
Pérolas de um acordo ortográfico
Aos mamilos da cabrinha e da vaquinha, ou àquilo que fica por cima da sua cabeça quando está dentro de um edifício?
Pois; é que, segundo os sabedores da coisa linguística, de acordos ortográficos e afins, o “c” não se lê, ou não se lia, sei lá, mas até lia, até lia, tanto que no caso da palavra tecto servia para abrir a vogal “e” conferindo-lhe outra sonoridade.
Terá sido criada a palavra tétos? Ou será feita uma adenda para a criar?
Pois, adendas; é a palavra fina usada quando em muitos casos se aplicam remendos.
Sei lá, sei lá, sei lá…
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Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009
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21 Fevereiro, 2009
in Genéricos 17
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19 Fevereiro, 2009
"Vida normal"
A sociedade de que fazemos parte, por meio de crenças, regras, credos e, muitas vezes prepotência. Leva a que uma parte muito significativa, quase poderia arriscar a maioria nós, encare o conceito de “Vida normal”, como o viver dentro de quatro paredes, na “normalidade” existente dentro de quatro paredes. Onde o fechar da porta é o conflito do indivíduo consigo mesmo sobre se; tem ou não o direito de querer mais, deixando esquecido à entrada o direito de merecer mais. Há uma aceitação calada de que a “Vida normal” é a vida calada dentro de quatro paredes.
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Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009
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15 Fevereiro, 2009
Confissões de um traste
Falta-me o ar convincente de macho com olhos de carneiro mal-morto, e a voz enrouquecida vinda do além, tão do além quanto os confins melodramáticos de um criador inato, vinda assim de uma espécie de penumbra, urdida pelo cenógrafo dos cenógrafos. Obviamente que separo o mel do drama, e se os separo não é por uma questão de estética, até porque ficam lindamente juntos. Quanto a áticos; são do mais fino e puro bom gosto que se possa almejar. Separo mel e drama, pelo reconhecido mérito de ambos, claro que não me podia esquecer da melodia, pelos seus magníficos dons encantatórios com que nos massaja divinalmente os tímpanos. Naturalmente não me esqueço de separar o mel do dia, é da mais elementar justiça colocar em evidência a doçura do mel, em contraste com o amargo do dia-a-dia. O con, não sei quem seja, o traste conheço bem, sou eu mesmo.E esta lengalenga toda a propósito de quê? O mais certo é a propósito nenhum, e com toda a certeza sem propósito relevante. Ainda assim, pelo respeito que toda a gente de respeito me merece, e mais ainda aquelas que com bons propósitos e as melhores intenções me dizem amiúde; – tens um mau feitio do caraças – não és má rês – mas esse teu refinado fel não apanha moscas.
Respeitosamente as ouço, as compreendo e lhes agradeço, bem sei que; – cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Só que; o que me move não é apanhar moscas, até porque a maioria das que se apanham são moscas-mortas, também conhecidas por galinhas-chocas. Das quais fujo a sete-pés exclamando; vai-te ganho que me dás perca. Se alguma valia eu possa ter, será justo que seja pelo que sou, e não pelo que gostariam que eu fosse. Confesso que em tempos que já lá vão me rendia às baboseiras, sedento de um ego gordo e lustroso. São pecados e pecadilhos, pedaços de granito que compõem o caminho da aprendizagem e do crescimento. Ainda hoje peco, bem sei, só que os motivos são outros. Até porque quanto mais aprendo, sei que menos sei. Mas ninguém tem culpa disso – cabe-me a mim aprender.
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Domingo, Fevereiro 15, 2009
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03 Fevereiro, 2009
in Genéricos 16
É por vezes sibilante a solidão dos audazes. Perante a astúcia nocturna dos algozes. E não me venham dizer que ser audaz, é ser potencial inimigo de tudo. Não me peçam vagidos de anuência para lhes proporcionar uma existência tranquila. E aos que lhes seguem os passos e lhes servem de capa. Seja lá qual for a motivação que os move. Podem ter a certeza que a uns e a outros, tudo farei para que a respiração lhes seja escassa.uma espécie de escritos avulso
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Terça-feira, Fevereiro 03, 2009
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28 Janeiro, 2009
um grito em cada verso

ilusões meio ardidas
de poeta discursando à lua
quais beatas de cigarro
nem nos olhos nem na pena
lhe brotam palavras felizes
o mundo a sangrar discórdia
nuvem de todas as nuvens
arame farpado de preconceitos
a sombra pesada no peito
depois mentem-lhe
mentem-lhe sempre a eito
em sementeiras de antolhos
e na fúria sagrada do poema
sem medo de punhais ou infâmias
de olhos bem abertos fixando o mundo
ouviu-se um grito em cada verso;
sacripantas, mangas de alpaca,
cata-ventos miseráveis, pulhas do universo,
abaixo a morte e a mentira, abaixo a morte
e a mentira! abaixo! abaixo! abaixo! abaixo!
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Quarta-feira, Janeiro 28, 2009
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27 Janeiro, 2009
dúctil existir
tombam sobre os ombros
amareladas folhas de pesar
do outro lado do muro
inanimada a boa donzela
necessariamente vulnerável
suave e bela silhueta
de um conto antigo
protegida pelo lacre do progenitor
o tempo vazou todas as marés
cresceu e viveu na comoção
a alma palmilhou de lés-a-lés
nas páginas do diário
desnudou os desejos do corpo
boca faminta e maturado cio
reservou-lhe o destino a solidão de pedra
sucumbiu sob o jugo austero do suserano
o rosto soletrou a dor no desalinho da treva
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Terça-feira, Janeiro 27, 2009
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26 Janeiro, 2009
jardim da alma

tua alma agora livre da desventura
sonha docemente com as delícias da lua
agora entre flores, uma outra flor fulgura
guardando nas pétalas uma lembrança tua
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Segunda-feira, Janeiro 26, 2009
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24 Janeiro, 2009
antítese
foi a vida que os levou
e se tu pensas que estás inocente
é o teu pensar a morte de muita gente
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Sábado, Janeiro 24, 2009
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23 Janeiro, 2009
in Genéricos 15
“Desejo ainda jovem: morrer exemplarmente para que vocês escutassem como é um povo que me escreveu sempre.” (Maria Velho da Costa) E, como quem escreve, é tão original quanto a vida de cada um, na originalidade das coisas comuns, onde nos fundimos e até confundimos. Sois todos vós que me resgatais ao tédio, quando dele tenho consciência. Me libertais do exílio de quem sou, plagiando-vos descaradamente. E sim, escreveis-me todos os dias a todas as horas, e nem sempre dais conta disso.uma espécie de escritos avulso
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Sexta-feira, Janeiro 23, 2009
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22 Janeiro, 2009
in Genéricos 14
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Quinta-feira, Janeiro 22, 2009
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21 Janeiro, 2009
in Genéricos 13
uma espécie de escritos avulso
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Quarta-feira, Janeiro 21, 2009
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20 Janeiro, 2009
in Genéricos 12
(fotografia antónio paiva)“o teu rosto nascia no mar e eu venerava-o por entre o sabor do nosso eterno nevoeiro.” (Ângela Almeida) A vida é uma praia aberta, um barco carregado de gente à espera de uma abertura para largar. Enquanto deslizamos na liquidez dos braços do amor. Divina ode oceânica, a única; onde o naufrágio assume o significado de salvamento.
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Terça-feira, Janeiro 20, 2009
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16 Janeiro, 2009
Uma nova casa para vos receber
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08 Janeiro, 2009
in Genéricos 11
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Quinta-feira, Janeiro 08, 2009
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05 Janeiro, 2009
in Genéricos 10
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Segunda-feira, Janeiro 05, 2009
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04 Janeiro, 2009
in Genéricos 9
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Domingo, Janeiro 04, 2009
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03 Janeiro, 2009
in Genéricos 8
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Sábado, Janeiro 03, 2009
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02 Janeiro, 2009
in Genéricos 7
Devaneio em pauta, sinfonia da alma, uma morada arejada de manjericos nas janelas e malmequeres nas varandas. Um aroma intenso a desejo estendido no tapete da sala. Alma-alada e ao rubro sob o fogo intenso do lado esquerdo. E se amar é verdade, então que o seja em todo o esplendor da liberdade, e no enlevo das almas.uma espécie de escritos avulso
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Sexta-feira, Janeiro 02, 2009
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01 Janeiro, 2009
27 Dezembro, 2008
in Genéricos 6
Hoje entreguei-me ao fazer nada, porque o fazer nada me distrai, como se a vida fosse um feriado, que me dispensa do tédio. A fadiga cansou-se de me impor tarefas, por saber que substituí o agir pelo compreender. Já ouvi dizer que isso era uma questão de sensibilidade. Mas se dediquei noventa e nove por cento da minha existência à coisa material. Agora almejo alguma inteligência.uma espécie de escritos avulso
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- Despeço-me de todos vós até 2009.
- Desejo-vos um Excelente Ano.
- Não se esqueçam que da adversidade nascem as grandes oportunidades.
- Vamos à luta.
- Um enorme abraço a todas/os.
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Sábado, Dezembro 27, 2008
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22 Dezembro, 2008
3º aniversário desta pastagem
Entre algum passado e o presente, pode ser que até haja algum futuro. A ainda breve história deste sítio; é feita de palavras e algumas imagens, umas vezes com algum interesse, outras assim-assim e, outras coisa nenhuma. Também é feita dos que por cá passam, uns de modo visível, outros de modo discreto. Mas, todos eles são para mim muito importantes. Um agradecimento também, aos que já por cá andaram, mas que, por razões diversas tomaram outros caminhos, sim, porque a vida não é de caminho único.
Isto para vos dizer o quanto a todos estimo, e que é muito. E ao mesmo tempo manifestar a minha gratidão. Esperando poder continuar a contar com as vossas preciosas visitas e apoio.
No calendário pode ver-se que é época natalícia, mas não me vou alongar sobre isso, direi apenas; que o Natal me entristece cada vez mais.
Que o vosso Natal, seja aquilo que vocês mais desejarem. Sejam felizes, e procurem fazer alguém feliz.
Um grande abraço a todas/os.
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Segunda-feira, Dezembro 22, 2008
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21 Dezembro, 2008
in Genéricos 5
uma espécie de escritos avulso
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Domingo, Dezembro 21, 2008
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20 Dezembro, 2008
in Genéricos 4
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Sábado, Dezembro 20, 2008
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19 Dezembro, 2008
in Genéricos 3
uma espécie de escritos avulso
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Sexta-feira, Dezembro 19, 2008
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18 Dezembro, 2008
in Genéricos 2
Tomara que fosse real a transmigração de almas entre os corpos. A sublimar a multiplicação do autêntico. Tomara que a promiscuidade não atingisse o cerne da razão. Que nenhuma força por mais hostil que fosse, vergasse a verticalidade ou pervertesse o instinto.uma espécie de escritos avulso
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Quinta-feira, Dezembro 18, 2008
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16 Dezembro, 2008
in Genéricos
Num vagueio impregnado de modorra, a ignorar o desassossego natalício das ruas. O corpo era a rena a puxar o trenó da alma, perseguindo o extremo da dor física, tão profunda como inútil. Há um frio quotidiano que se acentua em épocas de culto festivo. Um banquete de desespero onde se sentam todas as fomes.uma espécie de escritos avulso
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Terça-feira, Dezembro 16, 2008
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15 Dezembro, 2008
A vaidade é um sítio
Vá-se lá saber porquê; este pensamento nasceu aqui.
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Segunda-feira, Dezembro 15, 2008
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09 Dezembro, 2008
Lançamento do livro "Leituras Soltas" Fnac Madeira
A totalidade das receitas da venda deste livro, serão entregues à AMI e Rotary Club do Funchal.
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Terça-feira, Dezembro 09, 2008
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08 Dezembro, 2008
as memórias são um livro

no banco corrido de madeira
estendido no velho soalho do alpendre
está sentada a velha senhora
sorriso tão alvo quanto o branco dos seus cabelos
há cravos e sardinheiras no pedaço de terra sobre o muro
o pátio amplo a cozinha do forno o marmeleiro ao fundo num canto
a porta de saída para o quintal a laranjeira a nespereira
os corrimões de videiras as nogueiras a ameixoeira os pessegueiros
a horta as oliveiras o sol na terra onde se colhia até vida
isso foi há tanto tempo!
agora não há mais a velha senhora o banco corrido de madeira
o alpendre está vazio os cravos e sardinheiras esfumaram-se
a cozinha do forno é uma ruína o marmeleiro já não existe
o pátio amplo coberto de ervas daninhas é um exílio de sombras
isso é uma espécie de presente onde florescem angústias!
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2008
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03 Dezembro, 2008
Tédio
A vós que vos queixais a tempo-inteiro de morrer de tédio; calai-vos que a morte é o tédio por inteiro.
Bem sei; amais a desgraça como a um amor físico.
Bem sei; pedis perdão aos vossos deuses nas horas de aperto, mas não sois capazes de pedir desculpa ao vosso semelhante nas horas de culpa.
Bem sei; dos vossos deuses não conheceis os olhos, do vosso semelhante passais o tempo a desviar o olhar.
Bem sei;
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Quarta-feira, Dezembro 03, 2008
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29 Novembro, 2008
Uma mensagem, um poema e um abraço
As duas últimas semanas trouxeram-me do pior e do melhor que a vida nos pode oferecer. A vida é um caminho muitas vezes sinuoso e íngreme. Outras vezes plano e muito gratificante. Do nosso crescimento e aprendizagem ambas as situações fazem parte. Vida.
Por tudo isso tenho andado afastado de todos vós que me visitam e acarinham. Vou tentar o mais breve possível retomar a normalidade.
Deixo-vos algo que trouxe comigo da Escola Secundária de Anadia. Um poema escrito, musicado e cantado de modo brilhante, pelo jovem aluno Luís Martins.
Ser Poeta
Luís Martins
Para saber algo mais sobre o que fiz nos últimos dias vá até aqui.
Um abraço de gratidão e amizade a todos.
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Sábado, Novembro 29, 2008
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13 Novembro, 2008
o tempo corre
detenho-me às vezes
em líricas indecisões
o tempo corre
as folhas amarelecem caindo
as palavras amargam na boca
da viuvez da alma
por não rasgar a frágil teia que separa
o tempo corre
será de novo verão
as searas voltarão a aloirar
a alma afogueada então
a colher vermelhas cerejas carnudas de vida.
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Quinta-feira, Novembro 13, 2008
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08 Novembro, 2008
íntimo rigor
concedida ao homem,
pelos deuses.
alimento indispensável,
forjada em presságios,
absorvida pelo corpo.
deposito,
todas as minhas dores,
os meus prazeres,
sedentos,
de uma paisagem como tu,
insofismável refúgio.
ofereço-te,
os meus queixumes,
embrulhados em sussurros.
junto de ti,
enlouqueço,
gemo,
sofro,
embriagado,
entontecido,
abrigo-me dos espíritos da noite.
os meus braços,
são roupas,
vestindo a nudez do teu corpo.
gestos,
gotejantes de carícias.
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Sábado, Novembro 08, 2008
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07 Novembro, 2008
quase falando de mim
sinto esta emoção inebriante
de um tempo quase imóvel
recortado na silhueta das fragas
o céu opressivo e circunvagante
a olhar o mar no fundo das ravinas
por aqui vagueio secreto e tangível
ao sabor desta brisa pacificadora
no derredor desta íntima paz verde
ínfimo silêncio uterino em pequenos pedaços
neste tempo mil vezes resolvido
fico-me à conversa com o descanso
de permeio com a verdade irrecusável do que sinto
cúmplice a acácia centenária
neste meu ir e voltar a sublimar as distâncias
aguardo um regresso em que possa falar de mim
antónio paiva
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Sexta-feira, Novembro 07, 2008
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06 Novembro, 2008
na escrita sinto-me em férias do mundo
na escrita sinto-me em férias do mundo.
dentro dela;
não me considero obrigado a nenhum civismo.
tão-pouco;
a qualquer congeminação telúrica ou humana.
nela me debruço;
e apetece-me tudo menos ser responsável e ético.
ainda que as coisas do mundo;
se me entranhem na alma até ao cerne,
e não me deixem esquecer;
o dever de ser solidário para com quem sofre.
nela me sinto livre, aliviado e contente;
sim, porque a tristeza e eu somos a mesma pessoa.
*inspirado na leitura de um texto sobre o Algarve, da autoria de Miguel Torga.
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Quinta-feira, Novembro 06, 2008
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27 Outubro, 2008
possível retrato de poeta
olhar de mármore
sede arqueada
alucinação do poeta
diverso inesperado antagónico
a génese do peregrino
um registo entre muros
no trilho saibroso da nossa cultura.
o verdadeiro não fala de chapéu na mão
mesmo que; por subtis razões éticas
a arte ausenta-se;
em todos os lugares onde o homem não é livre.
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Segunda-feira, Outubro 27, 2008
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18 Outubro, 2008
Mundo depósito de erros
A sorte virou navio desertor sem cordoalha nem mastros tão-pouco bússola ou sextante e de leme quebrado é impossível o regresso a casa. Vive agarrado à ponta de uma seringa que um dia conheceu numa festa de amigos vespeiro de tentações promessas de inolvidáveis sensações que na realidade não passam de estrume. Agora todos os medos são inéditos uma vida crucificada na ânsia de obter a próxima dose que o vício não pode esperar. Viver no vermelho os espasmos físicos apoderam-se da mente dançando nas entranhas e a razão dispensa tudo quanto possa assumir forma de razoável e lúcido vida ou morte tanto faz é urgente a próxima dose a alma está seca e o vício sedento a vida é imprópria e se matar for o meio para atingir o fim ele pássaro volátil matará obedecendo ao vício.Indiferentes os vindimadores de vidas vão fechando o cerco e alimentam-se da abundância podre gerada a partir de almas agarradas cachos em sangue que se anulam e oferecem para morrer antes do fim. Passivamente habitamos esta chuva ácida aliviando a consciência numa mera troca gratuita de seringas e no discurso encharcado de vómito liberaliza-se ou pune-se o consumo já de si uma prisão dentro ou fora delas o exercício da morte assistida no consumo assistido uma atitude vazia a conceber uma morte ironicamente higiénica.
O mundo é depósito de erros o homem a sua fonte maior.
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Sábado, Outubro 18, 2008
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15 Outubro, 2008
Pensamentos de algibeira e pouca monta
Faço algumas leituras desatentas, vulgo; leituras na diagonal. Por vezes não são nem mais nem menos; do que um estado latente entre uma ideia e o exercício da escrita. Estado esse que em geral, se me apresenta, como um exercício mental muito intenso e desgastante. Daí a minha necessidade de o aliviar.Tenho de reconhecer que nem sempre foi assim. A minha abordagem à escrita tem sofrido alterações ao longo do tempo. Tempos houve, em que escrever, para mim se assemelhava ao acto de abrir uma torneira, e logo jorrava texto, fluido e despreocupado.
A isso não era por certo alheio, o facto, de nessa altura eu escrever sem pensar em algum dia vir a publicar. Vivia desse modo o gozo da escrita no estado mais puro e inocente. Se tenho saudades desse tempo? Algumas, claro que sim.
Até que um dia; por incentivos, muitos, e razões, diversas. Decidi publicar poemas e depois alguma prosa. Desde então, cada vez que escrevo, passo o tempo a protestar comigo. Ora em voz mansa. Ora em voz grave. Quantas vezes ralhetes irónicos.
Isto de transformar a minha escrita, em escrita para os outros, às vezes é quase trágico. Ainda assim, acaba por dar algum sentido, ao meu destino de pensar. Uma responsabilidade de transmitir calor, em muitas circunstâncias a tremer de frio.
Pensamentos de algibeira e pouca monta.
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Quarta-feira, Outubro 15, 2008
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11 Outubro, 2008
Alice está só
Alice passa o tempo a formar ilhas no seu quarto absurdo. Movimenta-se de um lado para o outro à espera do eco de existir. Parece aguardar alguém a quem perguntar as horas. Como se fosse urgente acertar o seu relógio da solidão.Fala só. Para se certificar que existe, ouvindo o som da sua voz. Lá fora todos se acham normais, e respiram a crise financeira que invadiu o mundo. Alice suplica; por delicadeza inventem-me um tempo qualquer. Por favor; preciso de o habitar. Queria tanto falar. – Alguém me empresta as orelhas?
Os relógios habitam todos a mesma hora e Alice está só. Habita a hipnose do seu quarto absurdo. A recordar o futuro que haveria de ter. Só que o passado vergasta-lhe o presente. Se ao menos a beijassem por dentro. Pensa. Sentiria por certo a vida a poisar-lhe na cabeça como uma borboleta.
Mas não. Não a beijam por dentro e a sua vida habita um fungo. Uma náusea viva. Pesa uma tonelada obscena de tédio. A sua vida. Um velório de anedotas. Humor negro. Um labirinto de ruas pequenas com cheiro a urina e suor acre que vão dar sempre ao mesmo sítio. Um quarto absurdo onde Alice embala fantasmas.
Alice está só.
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Sábado, Outubro 11, 2008
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09 Outubro, 2008
Um momento escrito a tinta permanente
Habita-me agora um halo de sossego, um estar isento de desperdício. A vida a correr leve, sem murmúrios inúteis. Um brando correr da alma. Aqui, agora, até a aragem é perfeita. Um momento sereno e recanto meu. É assim o perfume humilde do amanhecer.Dentro e fora de mim tudo sinto por igual. Esta luz matinal serenamente a esculpir o mundo dos meus olhos. Sim, há momentos em que até a nuvem mais escura tem brilho. E aquela roupa branca a adejar no estendal, é a magia das memórias sem saudade, que me estão a bater à porta. Vou abrir.
O azul por cima do azul do oceano corou. Atmosfera alaranjada beijando o mar. E esta brisa de emoção que desperta em mim. Esta luz que entra dentro de mim. Como uma criança em viajante adulto acabado de chegar. É neste tempo que os relógios não sabem contar, neste espaço que não se mede, que a Vida me habita a alma.
Um momento escrito a tinta permanente.
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Quinta-feira, Outubro 09, 2008
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08 Outubro, 2008
Rabos-de-palha; todos temos
Passamos a vida a queixar-nos disto e daquilo. Mas depois; depois por comodidade ou cobardia, não tiramos as asas do armário. Há quem se dedique a pedir licença para existir. Uma espécie de liberdade acorrentada a palermices. O culto do medo de ter coragem.Talvez tudo comece no gosto de mastigar azedas na infância. Que depois se prolonga no exercício de mudar prioridades. A fome cansada que se estende no sofá-da-lei-do-menor-esforço. A bebericar um chá de tenham-piedade-de-nós.
Na vida de casal os carros já são entregues com os maridos ao volante. Ainda há quem defenda que as meninas quando nascem, já deviam trazer um trem-de-cozinha. Nos restaurantes e bares, ao lado dos dísticos de proibido fumar, devia ser obrigatório a afixação de outros, com os dizeres; o homem é que paga a conta.
O melhor mesmo é esperar. Não acham? Embora não gostemos de esperar seja lá por quem for. Esperamos sempre que tudo o que desejamos aconteça; por obra e graça do Divino Espírito Santo. Espera-se o milagre que dissipe o nevoeiro do presente, e nos presenteie com um sol radioso no futuro.
Há a “ingenuidade” preguiçosa de acreditar; que a mudança de governo nos traga melhores dias. A realidade não se compadece com o desejo de chegar sem ter de ir. Lembram-se do “sonho americano”? Pois é; agora virou pesadelo para o mundo inteiro. Será que ainda acham que os sonhos não têm de ser construídos?
Podemos até encetar a existência de aranha, e esperar que tudo nos venha cair na teia. Ainda assim; convém não esquecer da necessidade de construir a teia. A rendição ao deslumbre pelo que fizemos ontem, significa que estamos a desperdiçar o precioso tempo, destinado à tarefa a executar no dia de hoje.
Rabos-de-palha; todos temos.
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Quarta-feira, Outubro 08, 2008
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05 Outubro, 2008
Conquistar palmo a palmo o que somos
Na cama onde não estou deitado, o meu corpo ainda dorme e eu continuo acordado. Oficialmente é domingo, e apesar de ser tarde, a lassidão do meu corpo, diz-me que é cedo ainda. Nesta lucidez torpe, a lentidão do meu pensamento, vagueia na inépcia, como se, estando, eu não estivesse aqui.É neste bem-estar baço de inquietação estagnada, que vivo uma espécie de realidade tépida. Há uma réstia de sol que não aquece, um céu azul quase fingido. Lá longe, ao fundo do mar, há uma névoa que o vento não varre, por estar ausente.
Este olhar antigo que há muito conheço, tão antigo como a paisagem que me trás saudades. Os velhos montes, as árvores antigas e os velhos ribeiros, por onde continuo a chapinhar desde sempre, outrora despido de penumbras, e tudo eram paisagens transparentes.
Ao sabor de moer pensamentos, vou entretendo a espera de coisa nenhuma. Nem mais nem menos do que espreguiçar a existência. Em puro manifesto de direito à preguiça, que, em minha opinião, devia estar consagrado na Constituição, e na Carta dos Direitos Humanos.
Viver é um acto de intenção – ser – o pensamento é livre. A maior parte do tempo actos de impaciência da alma. Sem dúvida espelhados na face. Importante mesmo; é assumirmos a atitude de emancipação em relação ao tédio. O sermos nós sem condições.
Conquistar palmo a palmo o que somos.
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Domingo, Outubro 05, 2008
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27 Setembro, 2008
Caligrafia de instantes
A tarde acabou de entrar pela janela do costume, fazendo jurisprudência do hábito. A luz dá início à sua viagem pelas fissuras. E o texto começa a nascer na superfície das palavras. O pensamento viaja até à profundidade suprema, purificando o interior. Há palavras a aderir à página enquanto aguardam pela fulgurância do nascimento de outras. Conferindo ao texto a força e um brilho novo.Nestes instantes de privilégio surgem as preferências do desejo. Organizam-se os espaços íntimos. Dissolvem-se verbos e predicados em fluxos latentes de preia-mar, nascem frases no espraiar das ondas murmurando palavras. Olhando esse mar fico suspenso na minha vida interior, enquanto as gaivotas despertam do sono tardio.
A minha vida está cheia de erros que me levam à escrita. Sou dependente das palavras, para colmatar um vazio lúcido que me habita. Este sonhar acordado de escrever mantendo a limpidez da página. O alcançar a pureza da escrita. Mas o enredo é sempre tão complicado.
Reúno fragmentos, caligrafia de instantes, a pele da minha pele. E alma toda. Tudo isto eu entrego de livre vontade à essência da palavra. E em cada página procuro desfazer o erro, tarefa árdua e muitas vezes dolorosa. Ainda assim muito mais gratificante do que a existência em estado precário e ensimesmado.
Agora vou até à fonte beber das palavras. O livro.
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Sábado, Setembro 27, 2008
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26 Setembro, 2008
Classificados; Equilíbrio Procura-se
Muitas vezes sinto-me a escrever no cais do deserto. Ultimamente cada vez mais. Quase transporto frases e versos nas olheiras. São dúvidas, é o que são. Dúvidas. Esta coisa de transformar ideias, pensares e olhares em escrita, às vezes é um massacre. Uma coisa é um escritor em escombros, outra coisa é; por via de sarar as feridas, transformar a escrita em escombros.Se tenho algo para dizer; preciso de o escrever. Mas dizer por dizer e escrever por escrever? Pois, é medíocre e só estreita a mente. E disso só pode restar o sabor amargo a remorsos inúteis. Valha-me a santinha da gaveta, que não me cobra promessas.
Estabeleço aqui uma pequena analogia; se temos de ir a um evento, de cujo programa de abertura consta uma maçadora intervenção de retórica, o melhor remédio é chegar atrasado. Evitamos desse modo ficar a bocejar por dentro. Por isso entendo que; se preciso de escrever alguma coisa, e no momento não sai mais do que escrita grossa. O melhor é adiar. Desse modo, não boceja a escrita, não bocejo eu, e evito o bocejo do incauto leitor.
Ainda que, a escrita não seja filha da exactidão de uma fórmula matemática, e passe tempos infinitos pendurada em cortinados de estética, há que evitar a todo o custo, transformá-la em qualquer coisa de carregar pela boca. E dúvidas, muitas dúvidas.
A verdade é que todos nós temos os nossos momentos de temerosas cobardias, e os nossos momentos de coragem patética em exaltação. Dúvidas, muitas dúvidas. E somos tantos a errar por caminhos semelhantes, às vezes diferentes. O anúncio a publicar nos classificados; Equilíbrio Procura-se.
Pois é; fritar miolos.
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Sexta-feira, Setembro 26, 2008
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25 Setembro, 2008
O monopólio e o poeta adormecido
Há algo de inquietante que eu não consigo identificar e que me desconcentra. É como se eu vivesse de improvisos e desajustes. Um sonambulismo agudo e o futuro nunca mais amanhece. Ando a escrever os dias a lápis de bruma.Diz-me tu, poeta adormecido; o porquê de tantas ruas desertas e dias tão cruéis? Tens razão. Tu não apostas na bolsa. Como haverias tu de saber. Se ao menos tivesses um poço de petróleo no teu quintal, podias jogar ao monopólio. Se as coisas dessem para o torto, o banco central injectava mais dinheiro e podias continuar a brincar.
Ardem em barris de petróleo os sonhos da grande massa humana. A fome dos mesmos de sempre, enche os odres dos especuladores impunes. Maldita cavalgada nevoenta que nunca mais tem fim. Caderno de raiva dor e morte, de páginas sempre a crescer.
Um dia os bancos e as bolsas habitarão todas as casas do planeta, e as pessoas habitarão a fome e as ruas. O universo da política e da finança, converteu-se ao exercício do assassinato e da ruína da vida das pessoas comuns. Cuja existência está transformada, num lento e doloroso roer do tempo. Até à agonia.
É este martelar constante nas bigornas da alma que não me deixa sossegar. Não me revejo na existência redonda de andarilho. Se me rasgam as veias bebo o sangue. Cerro a vontade e o pensamento, contra os fabricantes de imbecilidades e ásperos desdéns.
Todo o ser humano – o deve ser – quando mais cedo melhor.
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Quinta-feira, Setembro 25, 2008
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24 Setembro, 2008
Tenho fome
Tenho fome. Ponho a mesa para escrever. Abençoada escrita, pão feito de espectros amassados. Tem temperos de silêncios, meditações e recantos de solidão. É a vida em permanente combustão servida à mesa. A alma em prece e coração pendular.Há silêncios a separar-me do mundo e gritos que dele me aproximam. Apetece-me colocar um lenço de névoa a vendar os olhos. Tantas são as vezes que perco os olhos ao vento.
Por aqui impõe-se a angústia do tédio organizado. Ouvi barulho lá fora, pareciam-me crianças. Fui ver; eram cães. A vida com os reservatórios vazios. O cheiro a fénico indica que a pureza foi desinfectada.
Muitas vezes mastigo croquetes de espanto, carregadinhos de gordura, a enjoar o futuro. É quando a vida vira verruga. Estranha coisa. Verruga. Os funerais são cerimónias organizadas para consolar os vivos. Não sinto qualquer desgosto se de mim discordarem.
O pior de tudo é quando vestimos a nossa mente de virgindade postiça. Um autêntico analfabetismo dos ardis da alma, e não há livros nem manuais que nos salvem. Uma vez cego; cego para a vida inteira. Mestre na geração de equívocos. Pobre homem. Estranha coisa.
Há uma corrente de pensamento que nos transforma em anões; curiosamente há quem goste. E não são tão poucos assim; são até muitos, mesmo muitos. Curiosamente.
Estão a ver? Lá estão eles a cochichar de novo, enquanto isso, tudo se escoa por entre os dedos. A vida no modo mais provisório que há. Assustadoramente infixável. O poder intimida os opositores, não há saber, mas há poder. Puxar pelos miolos é muito trabalhoso. É muito mais fácil intimidar. Reduzir o opositor a uma sombra, onde ele não caiba. Intimidar. Estranha coisa. Intimidar.
Hoje choveu a madrugada inteira, o dia amanheceu a sobrenadar noutra cor. O cão fartou-se de ladrar; tinha uma alma lá dentro. Do cão. Contristada a alma; e o cão também. A esperança devia tornar as pessoas mais jovens. Mas estão cada vez mais velhas. Deve ser mesmo falta de esperança. Das pessoas. Estranha coisa. Falta de esperança.
Que espírito de vagabundo o meu, sempre de um lado para o outro. A existir em permanente estado de protesto. Com a coçada mochila das palavras às costas. A escrita. Às vezes protesto comigo mesmo. E magico versos e frases para encurtar as viagens. Estranha coisa. Magicar. Que não arrefeça nunca, o sangue quente das palavras.
A maior invenção da humanidade foi a escrita; a penicilina da vida.
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Quarta-feira, Setembro 24, 2008
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22 Setembro, 2008
O caçador de palavras
O pássaro poisou no ramo do pinheiro junto à casa e cantou para dentro. Os sons têm o dom de mudar os olhos e os sentidos. Assim os dias reformulam os seus discursos. Neste espremer das dúvidas até fazer verter a indiferença das palavras. Nesta coutada de palavras, onde tenho um papel secundário, de caçador viciado, perseguindo as peças de caça, para que a magia aconteça. Uma ou outra vez lá acontece, o triunfo inesperado, a criação de um ou outro parágrafo de leitura.A minha sorte é que posso azular os olhos o tempo todo, basta que eu queira. Com mais ou menos rigor, outra vida prossegue, outras vidas, é imprescindível. Não podemos ficar reféns de memórias amedrontadas. Ou eternamente temerosos do passo seguinte. A réstia de sol afaga-me as pernas enquanto eu aqueço as ideias. Quero-me filho insofrido do pensamento, onde busco a pureza dos sonhos. O meu cérebro invoca e articula outras alegrias. Gosto de perturbar as horas enquanto crio e não obedeço. Provoco o cio dos relógios em coito permanente com os segundos. Aqueles ponteiros febris sempre a copular o tempo, mas não o reproduzem, usam-no apenas de forma egoísta, profanando as pausas do homem. Mantenho secretamente aceso, este desejo de contrariar os relógios. Às vezes consigo. Chego primeiro. E minto-lhes descaradamente às gargalhadas.
São tantas as vezes, que os meus olhos se querem separar de mim para verem melhor. Sempre em busca da mesma claridade, que a minha sombra às vezes ofusca. Os meus olhos sabem que eu gostava de estar onde as palavras buscam alimento. É lá que quero ir, consciente de que é o melhor lugar para saber de mim e dos outros. Não gosto de ficar frio como as ervas nas manhãs de Inverno. Muito menos com o corpo vazio de emoções. Mas às vezes acontece-me. Procuro defender-me das feridas que saltam do corpo para alma, busco a cura no útero quente das palavras.
Sufoco solidões e medos que vagueiam em busca de um corpo, para lhe atormentar o espírito.
É com este orgulho, objecto longo das minhas memórias, que busco a plenitude da beleza das coisas, para a dissolver à superfície da alma. Extrair o precioso néctar que gosto de partilhar. Na ânsia de que o bebam e gostem. Não tenho a certeza se essa perfeição existe, mas busco-a, quero-a. Este jogo do peso das palavras, esta interpelação de mim e dos outros, onde nada é definitivo. Haverá sempre quem saiba recomeçar. Uma vida não se justifica pela justificação dos actos, tão pouco dos factos. Um processo de aprendizagem permanente, onde as palavras se defendem do orgulho. Nos extremos a dor coabita com elas e com a vida. Às vezes nada as distingue do silêncio, são apenas uma forma de o suavizar. Nelas respiro e me abrigo, as minhas mãos movem-se obedecendo ao meu pensamento, pela força das palavras. Convém lembrar que um coração tem duas faces, é a morada perfeita para a inspiração de um caçador de palavras.
Voa desejo! Voa querer! Voa que és livre!
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Segunda-feira, Setembro 22, 2008
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19 Setembro, 2008
Reflexões
Labirinto de letras, infinitas teias de palavras, umas vezes a desenhar movimentos de ternura, outras crucifixos de mágoa. De rosto mergulhado nos joelhos, adivinho o oceano de brumas. A necessidade de simular o exílio. De viver a solidão na sua plenitude, e não de a escrever. Não, não é a busca do sofrer, é, isso sim, a ânsia do saber.Talvez a busca “da cura para uma enxurrada de sombras”, tal como escreveu Pessoa. A enxurrada dos meus passos à beira da minha sombra. Janelas tomadas de musgo pelo receio de as abrir. Tudo o que necessito de compreender antes de referir. O medo de trair as palavras na nulidade do respeito pela sintaxe, em vez de as deixar extravasar livres e dignas, à margem do torpor que me domina o corpo, e amolece o cérebro. A magnitude do seu bailado a deslizar no branco.
Há palavras que me recordam lugares e vivências. Me fazem sentir o mundo tal como o respiro. Me desenham a perfeição dos silêncios. E me surpreendem na suavidade quente de um sorriso. Contam-me histórias do meu tempo que outrora parecia infindável. Outras vezes penteiam estrelas enquanto me alertam do tempo que me resta.
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Sexta-feira, Setembro 19, 2008
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16 Setembro, 2008
Laboratório da genialidade
O que pode fazer um ser humano que paute a sua existência, por uma luta constante e séria, para não vender a alma ao diabo? Sim, o que o que pode ele fazer para manter intacto o arquivo do seu orgulho? Juro-vos por toda a verdade que possa existir à face terrena, que; em muitos momentos, o meu maior desejo era ser um cachorro destabilizador. Destituído de raça e classe, para despudoradamente alçar a pata e mijar na base dos candeeiros dourados, que enfeitam as secretárias dos iluminados, sindicalistas incluídos. Trabalhar é também; uma canseira insuportável.Incompreensivelmente, apesar dos poderosos meios de informação ao nosso dispor, sabemos menos da verdade mundana que nos rodeia, do que da Bíblia. Ao que parece o segredo está na infusão de uns quantos livros de auto-ajuda. Um verdadeiro milagre dos séculos XX e XXI importado das terras do Tio Sam. Venham os livros que crença não falta. Ainda que algumas alminhas lhes apontem dois defeitos principais; o terem de ler e pensar um bocadinho.
Em muitas ocasiões a vida impõe um penteado de respeito, um fato desenxovalhado e sapatos engraxados. Pensando melhor; não é a vida que o impõe, mas sim um estigma social, com carácter quase científico. Desenvolvido no laboratório da genialidade, onde a flatulência apesar de ser coisa natural é persona non grata. Ah, o senhor é doutor de quê?
Há questões que não podem deixar de ser colocadas. Obvio.
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Terça-feira, Setembro 16, 2008
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O meu cão nunca ladrou ao vento
O cão ladrou-me do palco, um queixume canino, da cegueira provocada pelos holofotes. Queria ver as infantas alinhadas na plateia. Vestidas de extravagâncias levianas num saracotear suspeito, de ancas acorrentadas por doiradas trelas.A matrafona habituada a conduzir os eventos, por força do cargo público que exercia na cultura, vociferou; alto!, aqui quem lê os poemas sou eu!, se não for eu, será quem eu determinar! Ou então ninguém lê! Já deviam saber quem manda aqui!
Os filisteus aplaudiram a matrafona de pé, quase roxos de exaltação. E, o cão não parava de ladrar, a matrafona não parava de ser matrafona, as infantas sem desalinhar, não paravam de saracotear, e os filisteus cada vez mais roxos, não paravam de aplaudir.
Havia um tipo careca, escrevedor de versos, antigo professor e político, um sacripanta de primeira linha, que invocava Deus a toda a hora, e desdenhava da beleza das mulheres despudoradamente, insultando-as. Pois segundo ele; elas são a principal fonte e culpa do pecado, por serem belas e mulheres.
Deviam ser puras e castas, sujeitas ao crivo da sua hipocrisia, para poderem ser; seres de direito. Nuas; apenas aos seus olhos. Purificadas pela sua baba nojenta e pegajosa. Não sei o que se passa; mas o cão não pára de ladrar.
Vou tentar que sossegue, tenho aqui um poema bem duro, em forma de osso, vou dar-lho. Pode ser que ele se distraia, e deixe de dar conta das inteligências rudimentares que o rodeiam. Curiosamente o cão deixou de ladrar, certamente por preferir um poema duro, a uma proeminente matrafona da cultura, ou ainda a um careca sacripanta, que escreve versos e já foi político.
O meu cão nunca ladrou ao vento.
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Terça-feira, Setembro 16, 2008
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15 Setembro, 2008
O que faço eu aqui?
Aquela alma sentada no banco de pedra, como se tivesse deixado cair a vida, no chão de paralelos estacionados, por onde circulam os automóveis, e passam os passos calçados de outras almas, que não estão sentadas. E, não chove, mas aquela alma, tem o queixo caído, em cima das mãos esquecidas na ponta do guarda-chuva.Não lhe vislumbro os olhos, estão tapados pela pala da boina, e não consigo adivinhar se estão abertos ou cerrados. Quem sabe o quanto lhe estará a chover dentro. Ou se por dentro já lhe habita o deserto; quem sabe. Eu fico ali a olhar, com vontade de lhe falar, mas com vergonha de dar os passos que me faltam até lá.
Os meus pés parecem crucificados no passeio onde me encontro. Olho ao redor em súplica de estarmos sós. E não, não estamos, suspiro um queixume mudo, talvez de alívio, justifico-me; se ao menos estivéssemos sós, eu teria coragem de me aproximar. Mas sei, que me minto naquele momento, mentindo-lhe secretamente.
Há embaraços quase doridos, amarrados por uma estranha sensação de culpa. A nossa e que herdamos dos outros. E há estátuas vivas, como a que está diante dos meus olhos, que sem um único gesto me apalpa todo o desconforto. Abrindo impiedosamente o armário da minha consciência. Como que a dizer-me; a tua culpa não está em pousio.
Comemoram-se quinhentos anos de existência da cidade, andam todos com a coleira erudita ao pescoço, e pelos vistos eu também. Se não fossem estas manchas humanas a expor incómodo tudo seria perfeito. Os detentores vitalícios da cultura exibem os seus dentinhos lúdicos. As entidades oficiais exibem os fatinhos de gala. O povo assiste porque sim. Ouvi dizer que Baudelaire estaria presente nas cerimónias, e faria a leitura de “ O Poema do Haxixe”. Solene. Muito solene.
O que faço eu aqui?
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antónio paiva
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Segunda-feira, Setembro 15, 2008
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