11 junho, 2008
03 junho, 2008
hoje estou inquieto
hoje estou inquieto
há dentro de mim uma voz feita de vácuo
de mil almas em fuga vestindo angústias
imponderáveis horas vazias ilúcida limpidez
silêncios erguendo o vento em desassossego
desenho o pensamento no pó da vidraça
é um poema que me abala o corpo
um choro um ranger de desespero em relevo
milhões de bocas famintas cravam os olhos nos meus
não há romantismo que atenue tanta dor
infligida pelos gumes de um universo de poderes
e não me venham dizer que a culpa é do destino
no meu íntimo literário pairam as dúvidas
o remorso da felicidade escrita quando tantos agonizam
mendigando a extrema-unção esmola da desolação
hoje sinto-me como um bicho vivo transportando um cesto vazio!
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terça-feira, junho 03, 2008
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01 junho, 2008
!
Crianças são todos os dias!
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antónio paiva
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domingo, junho 01, 2008
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28 maio, 2008
significados
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quarta-feira, maio 28, 2008
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24 maio, 2008
Paragem
Estacionei o pensamento junto à velha árvore, estendi a toalha da existência sobre a relva, olhei a garrafa de vinho tinto deitada no cesto das dádivas, ela pareceu-me quase feliz. Atirei os olhos até onde me era possível, tinha aquela sensação de quem olha a caixa do correio vazia, quando espera correspondência importante que nunca mais chega. Pior do que isso, é que neste momento tenho a sensação que não devia escrever. Sei que ninguém se importa com isso, mas eu importo-me. Só que esta maldita bulimia das palavras não pára de me atormentar. Sou pior do que um viciado no jogo, as palavras passam à minha frente como cavalos desenfreados numa corrida sem fim, e eu não paro de jogar com elas, faço apostas atrás de apostas, raios, mas sinto que devia parar. Estou exactamente como o dentista, quando apanha um tipo esparramado na cadeira, não pára de apontar arranjos atrás de arranjos, como se o resto das nossas vidas fosse viver no consultório dele. Nestes momentos tenho a sensação que uma parte de mim estagna e a outra foge. Talvez seja a culpa a apertar-me cá dentro. Só que me dói e eu não gosto, estampa-se-me a crueldade no rosto.Por este andar, qualquer dia não passo de um velho a regar malmequeres na varanda sem nunca ter escrito um romance. Às vezes convenço-me que a culpa é uma doença como outra qualquer. Nem sempre consigo reparar os meus erros, mas isso acho que ninguém consegue, penso; no intuito de me aliviar. Sei lá; obstrução versus confissão. Preciso de alimentar o corpo, porque se não o fizer a alma também é bem capaz de morrer, por isso não tarda vou comer qualquer coisa. Não sem antes pensar; qual a razão para toda a gente se achar especial, ou privilegiada, ou ainda isenta. O que sei é que todas as minhas análises não me isentam das minhas culpas. Há dias em que me sento surpreso nos meus pensamentos, já para não falar do modo como os problemas dos outros me privam do sentido de humor. Ainda assim escrevo poemas, será que o devo fazer? Não sei nem me apetece pensar nisso. Imagino como me sentiria, se um dia me pedissem para escrever um prefácio, para um livro de poemas de um poeta morto. Não sei se o faria, acho que não seria capaz, no entanto sei que há quem o faça com a maior das naturalidades. Há quem tenha o mórbido prazer de brilhar com a morte dos outros.
Frequentemente comparo a vida a um aeroporto, ninguém lá mora mas de algum modo todos por lá passamos. É certo que estamos em trânsito e nos movemos em diversas direcções, paramos tão pouco tempo, tão poucas vezes. Quando paramos parece que aguardamos sempre a bagagem que não transportamos connosco. Às vezes somos ou estamos tão vazios. Com o avançar da idade, ler a vida, é cada vez mais ler um livro ao contrário. Como que a olhar as cicatrizes dirigimo-nos sempre à última página, pelo menos ficamos a saber como acaba, caso não cheguemos a ter tempo para o ler por inteiro. Num universo de guerras intermináveis, são tantas as vezes que chegamos à conclusão; de que ainda nos amamos mas já não nos suportamos. Somos tão estranhos às vezes e outras tantas vamos além da bizarria. Talvez por isso, amiúde, a mãe natureza se zangue connosco e desabe tempestades sobre nós. O pior de tudo é que nunca mais aprendemos, e reagimos como se atendêssemos uma chamada telefónica originada por engano ou fruto de linhas cruzadas. Mas as máscaras vão caindo aos poucos, deixando a nu a espécie voraz, carregada de defeitos, de imbecilidade, de demências, de vinganças, de sadismo, de assassinatos múltiplos. A sociedade moderna criou espécimes que se devoram uns aos outros. Em duelos até à morte. Aproveito a paragem, abro a garrafa de vinho tinto e bebo.
- Eu sei o que sinto, e tu, sabes?
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sábado, maio 24, 2008
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22 maio, 2008
Sessão de Autógrafos na Feira do Livro do Funchal
A partir das 17 horas até às 20 horas, estarei na Feira do Livro do Funchal, para uma sessão de autógrafos, e dois ou três dedos de conversa com os amigos, no stand da Livraria Julber.
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quinta-feira, maio 22, 2008
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20 maio, 2008
Vigílias
A olhar o mundo do mesmo modo que o velho olha o relógio; falta-lhe tempo e sobra-lhe morte. Nem sempre a noite é semeada de estrelas, tão-pouco o luar surge para entornar a maciez da sua luz sobre todas as coisas. Às vezes a vida põe-nos a mão no ombro e dá-nos um sorriso amargo. Uns comem conversas aqui e ali, outros comem fome e choro um pouco por toda a parte. Os braços somem o tempo a sacudir canseiras, ainda assim não falta quem se dedique a fainas e fainas de ensejo, é bom que assim seja, afinal de contas a existência é uma jorna onde só com muito afinco se colhe a vida. Verdade que é uma praga de canseiras, mas não é menos verdade que a noite poisa sempre nas árvores, nunca lhes escutei um só queixume, suportam-na sempre até o dia nascer. É verdade que podemos talhar o ócio a tempo inteiro, mas depois falta-nos tempo para o vestir, o passo seguinte é inevitavelmente a frustração.De vez em quando escuto uma ou outra conversa, uns dizem que o dinheiro permite toda a liberdade do mundo, outros dizem que o dinheiro impede o mundo de ser livre. Eu se pudesse fazia-lhes a todos um depósito milionário de utopia. Tomemos como exemplo o Inverno, tanta riqueza numa estação que passamos o tempo a olhar como pobre e despida. Será assim tanta utopia? Ter na vida a Primavera a verdejar, o Verão da cigarra a cantar, o Outono da formiga a guardar, para no Inverno aquecer o frio sem dor. Não! Não me parece utopia, podemos guardar em nós a coisas boas e belas da vida o ano inteiro e, por que não, o cheiro das rosas em Janeiro.
Teceremos sempre razões para que seja desta e daquela ou de outra forma, é da nossa condição parar perplexos nas encruzilhadas mesmo que saibamos o caminho. O melhor mesmo é não ficarmos parados, o caminho levar-nos-á sempre a algum lugar. Não importa o tempo ou a distância até lá. Quando há bom tempo respiramos as sinfonias do azul e experimentamos a rouquidão dos vermelhos. Há quem diga que isso é uma consciente e estranha lucidez de nós, que só nos apetece fechar os olhos e ficar a sorrir para a eternidade, debruçando a alma à janela retendo nela toda a paisagem, aí sentimo-nos felizes por descobrirmos que ainda sabemos sorrir. O melhor mesmo é revisitar todas as sensações, antes que tudo se perca por entre os dedos, acima de tudo acreditar e nada temer. Ainda há quem não saiba que os amantes se encontram secretamente junto à rosa-dos-ventos, escapando assim à tirania de olhares indiscretos. Se eu mandasse, as naus seriam corpos de mulher, que levariam os homens a todas as latitudes e longitudes do Universo. Quão suaves e ternos seriam os movimentos das marés, enquanto beijavam o sorriso dos litorais à sua passagem, pontificando as emoções. Certamente que os sentidos seriam muito mais do que cinco.
Seria suficiente um olhar para que os corações rissem de alegria, manifestando-se desse modo enquanto a felicidade se passeava nos braços, nos nossos braços, o abraço. Não é possível ignorar a beleza das gaivotas entusiasmadas a planar em voos rasantes, poisando sobre as águas calmas soltando os seus gritos de alegria. Ao largo as naus a deslizar como crianças divertidas, a iluminar-nos os olhares, imagem de opulenta doçura em permanente vai e vem sobre as águas.
- Se assim fosse, seríamos sábios?
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terça-feira, maio 20, 2008
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16 maio, 2008
breve VII

a janela desenha o amanhecer,
há o véu húmido dos teus olhos.
a tua boca é um ninho de ternura,
feito de ervas tenras e frágeis,
germinando na linha dos teus lábios.
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sexta-feira, maio 16, 2008
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14 maio, 2008
breve VI

gostava que fosses o céu e eu a montanha;
o beijo era o tempo por inteiro e,
encontrávamo-nos todos os dias ao pôr-do-sol;
porque ao nascer do dia nos tocávamos sempre
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antónio paiva
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quarta-feira, maio 14, 2008
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11 maio, 2008
À conversa com Alves Redol
Bebo olhares pelas palavras, às vezes são apenas pingos de água na pedra que enfeita a nascente, tecendo factos à imagem das minhas ilusões. É também nas palavras que a vida dos homens se faz e desfaz. São muitas as noites em que me levanto e vagueio pelos quintais vigiando a criação. São quintais semeados de páginas e páginas, livros e livros. Uma dessas noites quis o acaso que me encontrasse com Alves Redol, lá para os lados da medida grande das palavras, nada mais, nada menos, do que quatro alqueires bem medidos perfazem a Fanga. No princípio olhou-me desconfiado, na sua pose austera, olhos vivos e de mitra na cabeça, lá estava ele observando a lezíria, fui-me chegando de mansinho, disse-lhe que na minha juventude o tinha conhecido acompanhado dos Gaibéus. Foi aí que ele me esboçou um leve sorriso de aceitação. Aos poucos a comunicação entre nós foi-se estabelecendo, disse-me a dada altura que; “não conhecia homens assépticos, desodorizados e incolores, que a existirem vivos seria horrível suportá-los na convivência…”. Eu disse-lhe; que lamentava ter de o contrariar, mas que conhecia uns quantos espécimes dessa natureza. Meneou a cabeça, ficou calado e pensativo. Há no entanto algo que ele me disse, com o qual concordo em absoluto; “Um escritor nasce todos os dias, insubmisso e firme, tanto para detectar injustiças, qualquer que seja a sociedade onde viva, como para repudiar o próprio ripanço que se apodera de alguns, quando aprendem, às vezes com verdadeira mestria, a fazerem quatro ou cinco pontos de croché.”É, em minha opinião, muito gratificante estar perante um Mestre, não daqueles que o mercantilismo da palavra ou o amiguismo bacoco nos querem impor, mas daqueles que abnegadamente se fundiram ou fundem com a palavra, apenas com o intuito de a servirem, resistindo à patologia da vaidade imoral, de através dela se promoverem perdendo-lhe todo o devido respeito. Tive de lhe confessar que já era a terceira vez que lia a Fanga, quis no entanto deixar claro, que independentemente do valor social e político da sua obra, o que me fazia voltar de novo, era sem dúvida a sua delicadeza no trato da palavra. Sim, é para mim uma verdade incontornável, nos seus relatos da dureza da vida de homens, mulheres e crianças, as palavras são tratadas da mesma forma que nos momentos de alegria, são palavras tecidas de algodão e magia. Algo que só quem ama verdadeiramente a palavra é capaz de fazer. A sua linguagem é tão límpida, que dá a ilusão de a escrita ser coisa fácil. Puro engano. É tão difícil ser simples e belo, mas ao mesmo tempo tão delicioso.
Em determinado momento, talvez já cansado de ouvir o meu tagarelar, olhou-me nos olhos e disse-me; “Olhar o passado nem sempre será sinal de decrepitude, quero admiti-lo neste momento. Vou fazê-lo com o torpor do Inverno a carregar sobre mim todo o peso dos dias pardos em que nos deixamos afundar uns e outros. Nesta altura enferrujam-se-me as mãos, dói-me pensar, dói-me ter olhos, magoa-se-me a consciência por não saber ganhar braços, quando há tanto para construir…”. Perante palavras tão contundentes quedei-me pensativo. Passado algum tempo respondi-lhe apenas; tem toda a razão Mestre.
A verdade é que embora ele as tivesse proferido em determinado contexto, eu não consegui resistir à tentação de as transpor para outro plano. Ou melhor dizendo; de as espalhar como sementes da melhor qualidade no campo da escrita. Para que germinem e cresçam vigorosas construindo as defesas necessárias para que a palavra sirva o homem, sempre que este a estime, mas ao mesmo tempo que a palavra seja impiedosa e firme, quando este dela se aproveita despudoradamente em vez de a servir abnegadamente.
A madrugada ia longa quando o Mestre me disse que se ia retirar, mas não sem antes me deixar umas quantas considerações; “Conheço-me tão bem quanto possível. Nunca gostei de mim em demasia.” “O meu caminho tem sido duro; alegremente duro. Às vezes fico escalavrado, a sangrar, sem poder dar passada.” Mais adiante, a terminar, disse-me ainda; “ Em certos momentos ando pouco; algumas vezes pareço recuar. Não exagero, com certeza, se disser que caminhei em frente. Tanto mais que nunca pedi, nem aceitei, nem quero, a comparsaria dos que unguentam a triste a triste bazófia dos génios caseiros, pondo-os a bambolear como copletistas decrépitas ou como velhos ursos amestrados da minha infância. Nunca vi espectáculo mais degradante. Sou demasiado modesto, e também orgulhoso até ao desprezo, para que alguém me leve ao espelho dos bacocos. Todas as costelas que me arqueiam o esqueleto vêm de camponês e os meus antepassados sempre desconfiaram da fartura. É por isso que a minha charrua continua a lavrar num campo de pedras.” Dito isto acenou-me e foi-se embora. Eu, apenas consegui balbuciar um sumido; obrigado Mestre e até uma próxima.
Fiquei por aqui a meditar no silêncio da noite, porque a beleza das palavras me fazem esquecer o sono, e por ter consciência absoluta que para mim o campo da palavra, onde persisto dedicadamente em aprender a lavrar tem ainda muita pedra para separar da terra fértil que é a escrita. Toda essa pedra advém obviamente da minha falta de arte e engenho. Admito-o sem modéstia. Toda a salvação provém da tomada de consciência de que um naufrágio pode acontecer. Não me entretenho a tecer o futuro, pese embora o tenha sempre diante dos olhos. Não há em mim qualquer raiva contra o meu anonimato, é preferível ser anónimo do que contribuir para o caos. Importa-me tão-somente consolidar o meu sangue com o sangue da palavra. Todo o resto não passa de calores breves nas bocas de gente vulgar. Note-se que alguns até são condecorados, uns de forma socialmente mais alargada, outros no narcisismo de grupinhos, clãs e tribos.
Não me incomoda absolutamente nada, que apelidem de líricos os meus protestos, estarei sempre na primeira fila, denunciando o alimento feito de coisa nenhuma, com que escritores e poetas vorazes enchem os seus odres. Mais tarde ou mais cedo acabarão por morrer de enfarte, e a palavra e a escrita sobreviverão, naturalmente, por serem grandes e nobres.
A terminar direi; muito do que acontece e persiste, é porque comodamente viramos a cara e cerramos os olhos.
Os trechos do texto em itálico e colocados entre aspas, são excertos do texto “ À Maneira de Prefácio” da autoria de Alves Redol, publicado na décima primeira edição do seu livro “Fanga” editado pela Editorial Caminho com data de Janeiro de 1996.
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domingo, maio 11, 2008
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08 maio, 2008
celebridades?!
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quinta-feira, maio 08, 2008
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05 maio, 2008
poesia juvenil (conclusão)
O mar é
Uma cama transparente
Uma cama é
Um lugar para sonhar
Um lugar é
Uma história para contar
Uma história é
Um céu brilhante
O céu é
Uma fonte invencível
Uma fonte é
Um rio que enche
Um rio é
O mar que brilha
O mar é
Uma cama transparente
Ana Catarina Freitas
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segunda-feira, maio 05, 2008
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04 maio, 2008
ainda poesia juvenil
Na vida posso brincar,
Na vida posso sorrir,
Mas penso que
Pela vida que levei a chorar,
Agora só quero sorrir.
Com o futebol nós jogamos,
Com a comida nós comemos,
Com as flores nós cheiramos,
E com o amor nós amamos.
O amor não é aquilo que
Queremos sentir…
Mas sim o que sentimos sem
Querer…
Tu serás o encanto dos meus sonhos
E a beleza dos meus dias
A maré das minhas noites
E o amor da minha vida.
Filip. L.
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domingo, maio 04, 2008
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03 maio, 2008
continuando com poesia juvenil
O céu
O céu é um vazio preenchido,
Uma sala azul cheia de algo…
Um tapete invisível,
Um olhar indirecto,
Um saber eterno…
Mas acima de tudo
O céu é um vazio preenchido.
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antónio paiva
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sábado, maio 03, 2008
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02 maio, 2008
mais poesia juvenil
Conforme prometido, aqui deixo mais um poema que trouxe da Escola Mestre Domingos Saraiva, de Algueirão - Sintra:
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sexta-feira, maio 02, 2008
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30 abril, 2008
De regresso e com poesia nos bolsos
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quarta-feira, abril 30, 2008
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24 abril, 2008
eu nasci rio (a propósito de liberdade e tal)
Querem-me escravo; da lassidão, da incúria, da inépcia, da iletracia, da vulgaridade.
Não!
Eu nasci rio para correr livremente e transbordar as margens sempre que for preciso.
antónio paiva
P.S.
Para que conste; eu vou andar por aí, passando por ali, depois regresso aqui.
Até já!
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quinta-feira, abril 24, 2008
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23 abril, 2008
breve V
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quarta-feira, abril 23, 2008
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21 abril, 2008
breve IV
aqueço nas mãos as palavras quando na boca me arrefecem.
na ausência dos lírios lanço pássaros ao céu, por enquanto azul.
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segunda-feira, abril 21, 2008
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20 abril, 2008
breve III
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17 abril, 2008
excerto II
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16 abril, 2008
tenho-te
nesta ferida aberta
que não quero tratar
tenho-te
em sangue
em fogo
tenho-te
nesta ilha tão longe
em mar…
é onde mais te tenho
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quarta-feira, abril 16, 2008
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12 abril, 2008
breve II
germinam como ervas tenras e frágeis por entre os dedos.
a fonte são os lábios quando a sede me atormenta.
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07 abril, 2008
Excerto
Às palavras tudo darei, até a minha vida, a minha morte não serve para nada, por isso a guardo para mim. Há uma linha de terra que separa o mar dos meus olhos, um extenso areal de palavras onde estendo o corpo e a mente, uma linha azul lá longe a separar o mundo da minha boca. Ainda assim, há sonhos em que adormeço com os olhos despidos de pálpebras, celebrando a vida no limiar das têmporas. Momentos em que os silêncios nus de torpores desenham planícies. Searas verdes e árvores sapientes que me suportam a cabeça. Mais tarde loiras espigas de trigo que se me afeiçoam aos lábios enquanto bebo a frescura da sombra.
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segunda-feira, abril 07, 2008
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04 abril, 2008
Inconfidências do SiteMeter
Às vezes dou-me ao “trabalho” de ir vasculhar o SiteMeter cá da pastagem, para averiguar de onde vêm e por que vêm perder tempo aqui na pastagem.
Por que vêm, nem vos digo nem vos conto (tudo) é claro, por que até nós (donos da pastagem) zurramos e coramos de vergonha, com o que digitam na pesquisa do Google e vá-se lá saber porquê aqui vêm pastar (aterrar).
Mas esta, não conseguimos resistir em partilhar com a clientela visitante (para a qual fazemos de conta que escrevemos) aqui fica a frase digitada no Google que trouxe mais uma pobre alma até cá:
“orações para passar nos testes escolares”
E nós Burros cá do sítio julgávamos que para passar nos testes escolares a única prece viável era estudar.
É tão bom e aliciante viver no século XXI.
Bom fim-de-semana a todos.
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sexta-feira, abril 04, 2008
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03 abril, 2008
Cada um luta com as armas que tem
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30 março, 2008
os meus olhos

os meus olhos são frutos pendurados na árvore dos sentidos.
os ramos têm flores nos cabelos e aves poisadas nos seios.
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27 março, 2008
Pensamentos em forma de panfleto frustrado
Várias vezes reflicto neste fenómeno; por mais que estudemos, as nossas qualidades humanas não se afinam. Por paradoxo conseguimos apenas mais exagero nos sentimentos e excesso nas paixões, trazendo à superfície tudo quanto de sórdido e inferior ferve na alma humana – desde a hipocrisia ao embuste.Passamos o tempo a introduzir à força no cérebro, quilos e quilos de ciência – de forma redutora acabamos atolados em intrujices, imposturas, burlas e um amontoado de hipóteses vulgares.
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quinta-feira, março 27, 2008
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21 março, 2008
Mais um ano da minha existência
21 de Março
Dia em que decidi abandonar o ventre materno e fazer-me à vida.
Dia em que dizem ser o início da Primavera.
Dia que segundo dizem, este ano, é o dia Mundial da Poesia.
Todos os dias dizem muita coisa, sobre as coisas de todos os dias.
E que digo eu?
Digo, que sim, que não e que talvez. Digo que; por mais que diga, tudo fica por dizer.
Digo que; me bastam pessoas, livros, palavras, sol, mar, árvores, aves, montanhas, velhos, crianças e paz, a ordem pela qual enumerei o que me basta, não importa.
Digo que; basta-me viver e sentir.
Um grande abraço a todos/as.
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19 março, 2008
O Senhor dos Farnéis
O Conde sofria intensamente com todos os reflexos sociais ao seu redor, leitor atento de prosas e versos, sofria e lutava para evitar a catástrofe. A sociedade era de facto muito engenhosa, criava sem qualquer espécie de pudor, um dia comemorativo para qualquer coisa, não por que a coisa fosse a verdadeira razão, mas por que a coisa alimentava outras razões. Há dias de tudo, comemorações pagãs e religiosas. O dia da mãe, do pai, do filho, da avó, da prima, enfim, um nunca mais acabar. Há o jejum na Quaresma, cujo abuso em tempos foi pago, agora é grátis. Há os Reis Magos, o burrinho, o menino e sua mãe no Natal, não me posso esquecer obviamente do tão ignorado carpinteiro. Irra, que me esquecia do bolo-rei e do folar, ainda bem que me lembrou a tempo.Ah! Estava-me a esquecer do Senhor dos Farnéis. Um homem de pele lisa avermelhada e de ar lustroso. Amante da caridade, só havia uma coisa que o irritava. Existirem pobres. Mas o Senhor dos Farnéis pertencia à classe engenhosa, daí que arranjava sempre o outro lado de ver as coisas. Um ângulo diferente, como ele gostava de dizer. E por que não considerar esses miseráveis, acima de tudo os pedintes, como instrumentos de medição, das diferenças sociais, dos momentos febris de sentimentos em êxtase, daquele ar piedoso e fraterno deitado de longe a esses pedaços de carne semiviva.
De algum modo, aquilo até o incomodava, estendeu-se a meditar, enquanto coçava a cabeça do gato. E não é que passado algum tempo aqueles olhinhos começaram a brilhar? E que brilho, assim a atirar para a cor-do-irónico, num improviso iluminado, pariu a decisão:
- Era urgente acabar com os pobres, que bela ideia, assim podia dormir descansado e trocava os remorsos por dinheiro, o que faria dele um homem ainda mais rico, podendo desse modo viver uma felicidade mais farta.
Ainda assim, aquela ideia tinha uma pequena ruga que o incomodava. Não podia passar sem a almofadinha da caridade, não, isso é que de todo, não. Voltou a coçar a cabeça do gato durante mais alguns momentos, a lâmpada acendeu de novo e pariu nova decisão:
- Iria estabelecer um protocolo com o departamento de investigação, de uma qualquer universidade, para que fossem criados e produzidos milhares e milhares de andróides, com ar de mendigos, trajados a rigor de vestes andrajosas miseravelmente concebidas.
Seriam distribuídos aleatoriamente, por praças, avenidas, vielas e às portas das igrejas de todo o mundo. Estariam programados para repetir incessantemente: Uma esmolinha por favor!
- Sou um génio! Sou um génio!
Repetia com grande eco, na sua consciência, o Senhor dos Farnéis. O investimento para além de rentável, era dedutível nos impostos ao abrigo da lei do mecenato e acumulava nos benefícios do ego. Podiam deste modo, o Senhor dos Farnéis e seus pares, continuar a despejar sacos de caridade piedosamente.
O Conde observava tudo isto desesperado, sentia uma enorme necessidade de transcender todas as preocupações que o dominavam. O seu desespero acentuava-se ao ver que poetas e prosadores, que julgava serem seus aliados, rendidos aos dias de qualquer coisa. Pois era exactamente nesses dias, que os escribas mais coçavam os fundilhos nas cadeiras, vergando as escrivaninhas com o peso da sua criatividade, e esmagando de forma eloquente as penas contra as pálidas folhas de papel, criando borrões atrás de borrões, como se de um prazer orgásmico se tratasse.
As gráficas imprimiam noite e dia a um ritmo alucinante, cartões de boas-festas, de profundas condolências, feliz dia do pai, da mãe, da criança, de Natal, Santas Páscoas, feliz dia da poesia e dos poetas, da prosa e dos prosadores, da caridade, da hipocrisia, feliz dia de qualquer coisa.
Foram concebidos enormes cartazes, afixados em todas as praças e avenidas do mundo, com os seguintes dizeres:
Morte ao Conde!
Viva o Senhor dos Farnéis!
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quarta-feira, março 19, 2008
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15 março, 2008
Relato de uma viagem com livros
A quem interessar, pode ver o relato da minha viagem com livros, entre os dias 3 e 8 de Março.
Com imagens e algumas palavras. AQUI!
P.S.
Peço desculpa por, desde há algum tempo não ter publicado aqui nada com interesse.
Bom domingo e óptima semana.
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sábado, março 15, 2008
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11 março, 2008
O Livro "Navegando nas Palavras" em destaque no Site da Ajuda de Berço
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terça-feira, março 11, 2008
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01 março, 2008
Uma Viagem Com Livros
No próximo dia 3 de Março, darei início a uma viagem por diversas escolas dos distritos de Aveiro e Coimbra. São meus companheiros de viagem os três livros de poesia que já publiquei. Navegando nas Palavras, Janela do Pensamento e Juntando as Letras. Falar de livros, de poesia e da escrita em geral, é algo que me apraz fazer em qualquer lugar. No entanto, é nas escolas o meu lugar preferido. A saudável irreverência das crianças e jovens é para mim o estímulo maior. Desmistificar a escrita e os escritores é algo que pretendo fazer. Estimular e incentivar crianças e jovens a ler e a escrever, é o meu grande objectivo. Estas visitas estão integradas no Programa Ler +.Aqui fica o roteiro:
Segunda-feira dia 3 de Março, a partir das 11 horas.
Escola Profissional Agrícola Afonso Duarte – Montemor-o-Velho
Largo da Feira – Montemor-o-Velho
Segunda-feira dia 3 de Março, a partir das 14 horas.
Escola Profissional de Montemor-o-Velho
Estrada Nacional 111 – Montemor-o-Velho
Terça-feira dia 4 de Março, a partir das 10 horas (durante todo o dia).
Escola EB 2,3 de Anadia
Moita – Anadia
Quarta-feira dia 5 de Março, a partir das 10 horas.
Escola Secundária da Mealhada.
Estrada Nacional 1 – Mealhada
Quarta-feira dia 5 de Março, a partir das 14 horas.
Escola Básica do Pereiro
Pereiro – Anadia
Quinta-feira dia 6 de Março, às 18:30 horas.
Escola Secundária Infanta Dona Maria – Coimbra
Sessão aberta a toda a comunidade escolar, alunos, professores e pais.
Rua Infanta Dona Maria – Coimbra
Sexta-feira dia 7 de Março a partir das (horário a definir)
Escola EB 2,3 Dr. João Garcia Bacelar – Tocha
Gândara – Tocha
Para terminar a semana em beleza, farei uma apresentação do meu livro “Navegando nas Palavras” na cidade do Porto, que tão bons momentos me tem proporcionado.
No dia 8 de Março, a partir da 19:30, mais coisa menos coisa.
Na Livraria Leitura Books & Living, no Shopping Cidade do Porto.
Rua Gonçalo Sampaio, 350 – Loja 238 (Próximo da Rotunda da Boavista)
Um abraço a todos e até já.
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sábado, março 01, 2008
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28 fevereiro, 2008
Lançamento do Livro Palavras (O)usadas
Hoje,
- Compareçam.
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quinta-feira, fevereiro 28, 2008
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13 fevereiro, 2008
Momentos de felicidade
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quarta-feira, fevereiro 13, 2008
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03 fevereiro, 2008
Inquietude
Nesta inquietude que me assola, o desejo de partir numa viagem longa, é cada vez mais marcante. Todo aquele mar diante dos meus olhos atrai-me compulsivamente. Todo aquele poder azul fascinante, a minha fixação de que em cada fim há sempre um princípio. A leitura de lugares longínquos, seria uma boa ajuda para o conhecimento do meu espírito e dos recantos mais recônditos da minha pobre alma. A profundeza do mar é algo que comparo ao mais profundo de mim, por desconhecer uma coisa e outra. O mar espelho do céu, companheiros passo a passo, fervilham nuvens e ondas. Tal como em mim, nuvens de dúvidas, ondas de querer. As grutas de que sou feito são iguais a tantas outras no fundo do mar, penso. Mistérios, coisas belas e menos belas, lugares sombrios ou pejados de peixes coloridos, algas e corais. Tantas coisas que eu desconheço. Uma ignorância que me deixa inquieto. Deito-me tantas vezes de corpo e alma em azul, cabeça ao abandono e membros estendidos. Olhar a pique no universo.São tantas as vezes que o que sinto foge das regras básicas impostas. São tantas as vezes que quero partir já amanhã. Não se trata de uma vontade contra o que me rodeia, contra quem me ama e acarinha. Sou eternamente grato a tudo isso. Amo tudo e todos, embora a maior parte do tempo não seja capaz de o fazer sentir. Dentro de mim de algum modo também me amo, umas vezes amo-me até me castigar, outras castigo-me até me amar.
Nas janelas, varandas, terraços e miradouros de onde observo o mundo, o meu olhar fixa-se sobretudo na luz, uma luz que me invade e me toma conta, que me diz o tempo todo que posso ser melhor, bem melhor. Ah! Inquietude minha, que me agitas e me fazes renovar, renovar o pensamento e os desejos. A verdade é que se quero partir, é apenas porque anseio o regresso a mim. Partida e regresso fazem parte de uma viagem em busca de respostas. Sobre mim, sobre ti, sobre eles, sobre nós, sobre todas as coisas que me fascinam, repito: sobre tantas coisas que desconheço.
Ah! Inquietude minha, que fazes chover tantas vezes dentro de mim, tanto que às vezes me transborda pelos olhos alagando o rosto. A verdade é que depois de chover, o meu rosto vira sol e os meus olhos astros brilhantes, os meus lábios formam um vale sorridente a transbordar de alegria. Volto a olhar o mar, é fim de tarde, quase noite, o poente fica do meu lado direito, o sol vai despejando enormes quantidades de tons alaranjados sobre o mar. À minha frente as Desertas sorriem, o Lobo Marinho regressa de Porto Santo, sulcando o mar laboriosamente, ansioso por atingir o merecido repouso de mais uma noite ancorado na baía do Funchal. Eu sorrio também, recolho-me consciente de que se não parti para uma longa viagem, tive uma longa conversa comigo próprio. Mesmo sabendo que há tanta coisa que eu desconheço e ambiciono conhecer, estou certo de que aprendi mais alguma coisa. Aprendi sobretudo, que muitas vezes até vale a pena eu falar comigo.
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domingo, fevereiro 03, 2008
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27 janeiro, 2008
sei lá quantos sou
um teclado
zero pensamentos
repito-me tantas vezes
sei lá quantos sou
uma pilha de livros
insónias, insónias, insónias
a minha vontade é uma meretriz
que me troca por qualquer cama
sei lá quantos sou
atrás de mim vem outro
e outro ainda e mais outro
repito-me tantas vezes
um teclado
zero pensamentos
sei lá quantos sou
um monte de papéis
instinto, instinto, instinto
a minha ansiedade é uma borboleta louca
esvoaçando aprisionada nas grades do martírio
atrás de mim vem outro
e outro ainda e mais outro
repito-me tantas vezes
se o vento me levar eu vou repetidamente vou
sei lá quantos sou, sei lá quantos sou…
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domingo, janeiro 27, 2008
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14 janeiro, 2008
Revisitando-me
Fui gerado, nascido e cresci no campo, calcorreei atalhos sinuosos, por entre pinheiros e matagais. Perfumei-me nas pastagens floridas, escondi-me nos milheirais. Pastoreei ovelhas e cabras, espantei pardais. Escutei encantado o canto das rolas. Conheço o cheiro do estrume e da hortelã, o odor da terra arada. Chapinhei em riachos e ribeiras, mergulhei no rio, sei de cor o coaxar das rãs nos charcos. Ouvi melros, cotovias e rouxinóis. Procurei ninhos, apanhei pássaros e atirei pedras ao vento. Viajo no andar compassado e firme das juntas de bois lavrando a terra. Semeei, plantei e colhi. Sinto ainda a dor do frio nos dedos das mãos em Dezembro, quando apanhava azeitona por entre as ervas cobertas de geada, doíam tanto até deixar de os sentir. Mas o cheiro do azeite nos lagares compensava todas as dores, o sabor no prato era a melhor recompensa. Adormeci vezes sem fim ao calor do lume, cabeça apoiada nos joelhos e pensamento deitado nos sonhos.Desfolhei massarocas ao luar, beijei moças afogueadas ao encontrar o milho rei. Colhi maçãs e roubei figos de mel a pingar. Das uvas sei todos os sabores, vindimei e pisei uvas, corei ao cheiro do mosto, provei o vinho. Retenho o perfume das acácias, do rosmaninho na Páscoa e do alecrim nas colheitas do mel. Laranjas e tangerinas perfumavam-me as mãos. Noites a fio acotovelado a sonhar e a contar as estrelas, escutando o cantar dos grilos. Na memória o chiar do balde na picota, onde a força dos braços retirava água dos poços para regar as hortas.
O cantar das moças no lavadouro enquanto estendiam a roupa a corar no relvado e nos silvados. O barulho ronceiro dos carros de bois carregados de mato para os currais do gado. A caminho de montes e vales borboletas estonteadas exibiam-me os seus bailados. No meu álbum de memórias, guardo a fotografia do rosto pintado de preto em lagares de amoras silvestres. Nos bailaricos, nos arraiais das festas populares colei o meu rosto noutros rostos e me descobri homem, o estremecer do corpo, o estalar do coração, no primeiro beijo às escondidas, o toque de jovens lábios carnudos, perfumados de inocência, mas ardentes na descoberta do desejo. Saltei fogueiras no São João, acendi o madeiro no Natal.
Nas quentes madrugadas de Agosto o regressava a casa voando de pés no chão e cabeça no ar, sorriso nos lábios. Inquieto, irrequieto, criativo, brinquei, corri, joguei à bola, ao pião, ao berlinde, à malha. Conquistei troféus nas barracas de tiro, bebi pirolitos e namorisquei. Sou um eterno peregrino da liberdade, das sensações e das coisas belas, mesmo que as sombras teimem em me visitar. Por isso, sento-me, oiço música, leio, pego nas memórias e nas palavras e revisito-me. Aquieto-me e descanso.
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segunda-feira, janeiro 14, 2008
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01 janeiro, 2008
Bem-vindos a 2008
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terça-feira, janeiro 01, 2008
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31 dezembro, 2007
Até 2008
- UM FANTÁSTICO ANO DE 2008!!!
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segunda-feira, dezembro 31, 2007
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22 dezembro, 2007
Mais um ano de existência desta pastagem
Faz hoje precisamente dois anos que esta pastagem começou a ser semeada. O tempo foi passando, foi sendo regada e cuidada conforme as minhas capacidades, a minha disponibilidade e vontade. Pouco mais quero dizer sobre isso. Espero continuar a sentir vontade de o fazer. Enquanto sentir que o consigo fazer com alguma qualidade e oportunidade. Assim farei.
Resta-me agradecer a todos quantos aqui passam de forma anónima ou não.
Uma vez que é Natal, não me vou prender com pormenores sobre a forma como eu o encaro, nem como cada um o encara.
Desejo a todos um Bom Natal e já agora se puderem contribuam para um bom Natal de todos.
Um forte abraço a todos!
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sábado, dezembro 22, 2007
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20 dezembro, 2007
Em jeito de oração
Uns pés descalços e gretados doem muito. Uma boca descalça a sofrer em silêncio dói muito mais. Um corpo que definha até virar cinza. A dor desaparece, a morte corta como uma lâmina sem provocar dor. O que sangra dos teus olhos? A dor? Ou a evidência crua da traição? O teu quarto é o Inverno mesmo quando agonizas ao calor tórrido de África.És recém-nascido, és uma criança de meses, és um jovem, um adolescente, um adulto, um idoso, não importa a tua idade. Empurram-te para os campos minados, para as areias do deserto. Atraiçoam-te, ferem-te até à profundidade onde nada se esclarece. O caminho da água é o desespero, envenenam as nascentes.
O coração do diabo comparado com o desses biltres é quase terno.
É insensato dormir escapando moralmente a estes crimes. Há os criminosos activos que executam a sentença de morte, mas não menos responsáveis os coniventes e passivos. Para estes últimos, a pena mínima, era a amargura instalada na própria carne, no próprio sangue. Um formigueiro de vergonha devia-lhes percorrer a pele, poro a poro, provocando-lhes uma sensação miserável. Tão miserável que lhes condenasse o pensamento a trabalhos forçados. Mais pesados que a insónia e a fome.
E o Vaticano Senhor?
Não acredito que concordes com toda aquela opulência e riqueza. Não acredito que concordes que a fé dos homens bons, a dor, a miséria, a doença, a fome e a vida de seres humanos, seja explorada para alimentar a vida palaciana dos teus representantes. A fausta mesa de pão e vinho que diariamente lhes é servida.
A cada movimento dos seus gulosos maxilares corresponde o choro de uma criança a morrer de fome, o desespero de uma mulher violada, um corpo trespassado por uma bala…
Não, Senhor, de facto não sou um fervoroso e devoto praticante. Mas respeito a fé de cada um, tenho a minha própria fé. Rezo muitas vezes à minha maneira. Na verdade quando escrevo algo como o que agora estou a escrever, considero uma oração, plena de fé, convicção e de razão. O maior templo criado por Ti é o Mundo, por isso em qualquer lugar do mundo, cada um de nós pode dar expressão à sua fé. Estou certo que concordas comigo.
Tenho muitos pecados, sei que tenho. Mas em nenhum deles está escondida a morte de ninguém. Nem tão pouco a indiferença. Sei que és sensato e não me queres perfeito. O que na verdade Tu queres é que eu e os outros não sejamos criminosos, quer por acção, quer por conivência.
Isso, eu tenho a certeza que Tu não queres mesmo!
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quinta-feira, dezembro 20, 2007
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19 dezembro, 2007
Sessão Conjunta de Autógrafos, Na FNAC Madeira, dia 23 de Dezembro
No próximo domingo dia 23 de Dezembro, a partir das 11 horas da manhã, até cerca das 13 horas, terá lugar na Fnac Madeira, uma sessão conjunta de autógrafos. Na qual participarão os seguintes autores:
Ana Teresa Klut
António Cruz
António Paiva
Compareçam e divulguem!
Para além dos autógrafos, os autores terão o maior gosto em inter-agir com os leitores e amigos.
Até lá!
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quarta-feira, dezembro 19, 2007
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07 dezembro, 2007
Prémio Nobel
São tantas as vezes que abro um livro e invariavelmente detenho-me nas mesmas páginas. Actos ilúcidos de uma lucidez que se anseia. O saber da existência de escritores que nunca escreveram uma palavra, que nunca publicarão um livro, mas que dia-a-dia registam nas páginas da vida, escritos dignos de um prémio Nobel da Literatura. Neste estruturar da existência, feito de leituras, entre frases e parágrafos inteiros. A memória devolve-me os anseios de tantos que viram os seus sonhos virar pesadelos. Quando os sonhos se desordenam, o espírito fica difícil de soerguer. É nestes momentos que desejo confundir-me com a terra, para que não me perturbem o pensamento. Sempre que me apetece desistir, verifico que somos feitos de incoerências, contradições e outras particularidades singulares. Na eminência de pronunciar o meu nome, multiplica-se o segredo das palavras. A procura de algo mais ajustado à inexistência da perfeição consome-me o sono, complica-me os dias, dificulta-me de algum modo, o comunicar com os da minha espécie.Permaneço parte dos dias a ler, sempre presente está a consistência de algumas palavras, mesmo quando os gestos as ignoram. Identifico com naturalidade as crianças pelos olhos, reconheço o olhar dos mendigos, habitantes de todas as ruas do abandono nas cidades. O seu pedir de esmola deixa-me assustado, sinto o medo a percorrer-me o cérebro em arrepios. Nenhum medo nos prepara para outro medo. Todos eles são diferentes, isolados, violentos, devastadores. Proferimos tantas palavras desnecessárias à nossa sobrevivência, facilmente nos tornamos eternos amantes da culpa. Sempre que o sol aquece, o brilho das folhas das árvores fica mais intenso. É quando me lembro que só por existirem árvores, devíamos agradecer à vida. Observo-as, sinto haver em mim um universo de palavras adormecidas, que um dia hão-de despertar. O anseio das longas tardes de Verão, serenamente a olhar o mar, o submergir na vida interior de cada um de nós. O murmúrio de uma palavra, por alguém que luta desesperadamente pela vida, impressiona de tal modo, que se torna impossível alguma vez esquecê-la.
Assim se compõem livros sem escrever uma só palavra, ficando dispensada logo à partida toda e qualquer revisão de texto. As análises críticas e literárias, revelam-se inúteis, tal como o são sempre. O ideal era que os livros não precisassem de sair do imaginário. Não haveria registo, dizem-me. Pois que digam. Eu respondo: Aprenderíamos a ler com mais interesse nos olhares que nos são generosamente oferecidos. Escutaríamos com mais atenção aquilo que nos querem dizer, quase nunca escutamos, porque achamos que o que temos para dizer é sempre mais importante. Entre mim e nós, a beleza da palavra partilhada, é um lugar de privilégio. Atarefados e atolados em banalidades estéreis não damos conta disso. Acabamos por sucumbir na abstracção do pensamento. Debato-me na luta obscura entre a palavra e a narrativa. Nesta ânsia obstinada de me tornar perceptível. Cada vez mais me convenço, que nada posso fazer contra a espessura da existência, senão escrever. É redutor eu sei. Mas deste modo vou recolhendo instantes privilegiados do essencial da vida, em cumplicidade permanente, com escritores que nunca escreveram uma só palavra, mas que deixam a brilhante obra da sua existência.
Seremos nós apenas ecos e sombras? Viveremos as dúvidas até um sinal que nos ilumine a razão?
Embora eu não tenha a certeza se a vida é isto ou outra coisa qualquer, vou registando pormenores, as coisas mínimas a que poucos dão atenção. Na verdade as pessoas são por natureza distraídas, de si e dos outros, sobretudo naquilo que as revela.
Bom fim-de-semana a todos.
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sexta-feira, dezembro 07, 2007
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02 dezembro, 2007
Amigos
seres estranhos até um dia
em que os passamos a amar
e passamos a ser amados por eles
são tantas as vezes que adormecemos nas suas tristezas
acordamos felizes nas suas alegrias e conquistas
há um olhar nobre entre nós
um sentir intemporalmente puro
um estar eternamente adolescente
na amizade um imenso campo fértil
onde arduamente lançamos todas as sementes que queremos preservar
há nisso o que as palavras não sabem
uma mistura de essências
que o lado esquerdo do peito tão bem nos sabe dizer
tal como em todas as paixões se cometem exageros
na verdade sentimos, acredito que seja isso o amor que tanto se fala
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antónio paiva
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domingo, dezembro 02, 2007
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