19 janeiro, 2010
11 janeiro, 2010
Curso Escrita Criativa
(clique nas imagens para ampliar)Horário de funcionamento de segunda-feira a sexta-feira, das 18:30 às 22:30.
As inscrições estão limitadas a um máximo de 12 participantes.
Para mais informações e inscrição:
Escola Profissional Cristóvão Colombo - Avenida do Infante, 6 - Funchal.
Telefone 291201770
info@epcc.pt
marleneandrade@epcc.pt
Marlene Andrade
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segunda-feira, janeiro 11, 2010
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01 janeiro, 2010
Bem-vindos a 2010
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sexta-feira, janeiro 01, 2010
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Etiquetas: 2009, antónio paiva, Fim de Ano, Funchal, Ilha da Madeira, Portugal
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sexta-feira, janeiro 01, 2010
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22 dezembro, 2009
4º aniversário da pastagem
quatro anos por aqui a semear o pasto, uns com mais sementeira do que outros, ainda assim semeando.
durante este tempo nasceram 5 livros individuais e a participação num colectivo, visitei dezenas de escolas um pouco por todo o país e na ilha onde vivo.
o ano que se aproxima terá um início repleto de novos projectos; um curso de escrita criativa da minha autoria, um projecto de escrita numa instituição que orienta jovens carenciados e um novo livro em prosa, isto para além de diversas actividades que pretendo levar a cabo durante o ano; tenha eu arte engenho e perseverança para tal.
a todos quantos me têm apoiado e incentivado quero manifestar-lhes a minha profunda gratidão e carinho.
um abraço e Boas Festas.
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terça-feira, dezembro 22, 2009
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28 novembro, 2009
usufruto
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sábado, novembro 28, 2009
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23 novembro, 2009
destinos nossos
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segunda-feira, novembro 23, 2009
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15 novembro, 2009
Sugestão para Oferta de Natal
(clicar nas imagens para ampliar)Para efectuar encomendas visite o site www.vinicolacastelar.com/, onde estão disponíveis os diversos contactos e, aproveite a oportunidade para conhecer os produtos de excelente qualidade, das Caves Castelar.
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domingo, novembro 15, 2009
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22 outubro, 2009
um lábio de utopia

o lábio adormecendo o silêncio
sem ardor nem onda nem espuma
dilata-se o sossego e tudo é oceano
dormiu de janelas abertas à palavra
um sono de transparência breve
ao acordar disseram-lhe;
que o deserto se vestira de verde e azul
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quinta-feira, outubro 22, 2009
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10 outubro, 2009
Como adquirir o livro 70 poemas por um sorriso
O preço do livro são 5€ mais despesas de envio.
A totalidade da receita reverte a favor da APPACDM de Setúbal
Uma excelente sugestão para oferta de Natal.
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sábado, outubro 10, 2009
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14 setembro, 2009
Lançamento do Livro 70 poemas por um sorriso
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segunda-feira, setembro 14, 2009
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10 setembro, 2009
70 poemas por um sorriso - O rosto do livro
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quinta-feira, setembro 10, 2009
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07 setembro, 2009
70 poemas por um sorriso
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segunda-feira, setembro 07, 2009
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26 agosto, 2009
anseio
anseio todas as palavras simples,
com a mesma ânsia que encaro o meu rosto.
anseio na escrita de todos os dias,
a memória da memória permeável às diferenças.
todos têm as suas próprias leis,
pedem-me que as entenda,
continuando indiferentes à minha ânsia.
habito sob esta pele,
matéria bárbara e adversa,
na ânsia de não favorecer a desistência.
depois acusam-me da ausência,
como se tudo fosse apenas e só um poema ambíguo.
anseio sobreviver,
a esta fadiga que me impõem, torrente de egoísmo.
a todos devo, mesmo aos desconhecidos,
anseio tanto pagar-lhes para que me deixem em paz.
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quarta-feira, agosto 26, 2009
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18 agosto, 2009
pensamento pró fundo
o cão que morde o cão como se fosse o dono.
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terça-feira, agosto 18, 2009
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17 agosto, 2009
por nojo
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15 agosto, 2009
!
antes dar pérolas a porcos, que palavras à iliteracia congénita
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sábado, agosto 15, 2009
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13 agosto, 2009
avó Maria
preciso de voltar a essas casas
pedras e telhados das minhas origens.
avó Maria,
quero de novo os vinte escudos
embrulhados num sorriso na palma da tua mão
no alpendre da tua casa aos domingos à tarde.
que saudade da lisura da tua bondade
poema vivo da minha juventude
o pão fumegante saído do forno
recheado de petingas temperadas de azeite
que as tuas mãos calejadas me ofereciam.
outrora crescia-me a água na boca feliz
hoje as memórias humedecem-me o olhar.
aqueles degraus rasos de pedra
onde saboreava o delicioso manjar
são agora o tempo a latir o silêncio
as intempéries levaram o teu rosto
a nitidez da perda é a matriz do meu longe.
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quinta-feira, agosto 13, 2009
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06 agosto, 2009
dedico-te estas palavras

dedico-te estas palavras
com mãos quentes calejadas
dedico-tas por não m’as teres pedido
germinaram dos meus olhos sem teias
são sinceras, rainhas e plebeias
são a travessia branca da minha alma
a metamorfose de mim na palavra toda
um voo oblíquo de matéria ardente
um silêncio habitável por toda a gente
respira este lugar calmo transparente
na invulnerável superfície da página
vive medita e lê como quem sente
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30 julho, 2009
Ode ao Arquipélago da Madeira e Porto Santo [abraçando as Desertas] (cont.)
II
gosto de me pôr à janela desta ilha que habito
a olhar o grande oceano em azul majestoso
a minha dimensão é do tamanho do que sinto
sou tantas vezes livre quantas vezes me liberto
só eu sei o que o meu pobre corpo vibra
quando a alma dele se evade e poisa nos canteiros
há flores de todas as cores perfumes sem dores
uma ilha nunca será pequena como a dizem
pois a partir dela se pode ver a dimensão do mundo
combater o tédio compreender sem destruir
sinto que destruir é esquecer de amar
esta ilha ensinou-me a amar desde que me acolheu
alimentou-me dos seus seios esplendorosos
resgatou-me ao cansaço ofereceu-me o seu generoso regaço
toda esta ilha é um majestoso corpo de mulher
onde se adivinha o amor estendido nos braços dos homens
abençoado pela mão despida do oceano
imagino Gonçalves Zarco a desembarcar
para além das naus traria certamente o sol nos lábios
nos olhos o êxtase que o belo ao homem sugere
no rosto o espanto pela sensualidade do verde e azul
estremecendo de prazer no rasgar do véu feito de bruma
entre mar e céu festejos de pupilas dilatadas no calor da terra
visão inesquecível e comovente para pintores e poetas
tocantes sinfonias de vida e alegria nascem nesta pauta feita ilha
a mão do homem que tudo muda mas a essência e o amor permanecem
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antónio paiva
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quinta-feira, julho 30, 2009
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28 julho, 2009
Ode ao Arquipélago da Madeira e Porto Santo [abraçando as Desertas]
I
perdoem-me o atrevimento de querer contar
cantar e encantar uma ilha um arquipélago
perdoem-me porque por amor se cometem loucuras
é indelével esta minha paixão pelos recantos e encantos
e tento por palavras esculpir o que sinto
às vezes deliciado outras incrédulo num sonho de escrever
tudo o que eu possa escrever não passará de um rascunho
ainda que sentido e fiel ao amor por tanta e indizível beleza
tanta História e labor trespassa a minha pobre mente
um efeito prolongado e decisivo sobre tudo o que há para fazer
viver sentir e preservar a dar forma ao que somos e às nossas vidas
só os mais distraídos não darão conta
do sangue dos nossos antepassados a correr dentro de nós
misturado com o nosso a irrigar cada ser único e irrepetível
a tudo isto se junta o que é grande e magnífico como o oceano
um véu azul e transparente onde se vê a alegria
até à raiz mais nobre e profunda dos rochedos vigilantes
erguem-se imponentes e majestosos os picos
beijando intencionalmente as nuvens fermentando as brumas
bem-aventurado arquipélago bafejado pela harmoniosa anarquia
de paisagens tão diversas e antagónicas na profusão de cores
rochedos cascatas ribeiros levadas abruptos desfiladeiros
manta de cores nas copas dos arvoredos terra húmida e fértil
flores de cores intensas e aromas densos a despertar tórridas paixões
tão tórridas quanto a aridez selvagem das Desertas
por toda a parte sons misteriosos da azáfama da Natureza
o canto das aves a graciosidade escultural do lobo-marinho
perante tão intensas sensações a mente rejubila de contentamento
e o corpo pede repouso no dourado e quente areal de Vila Baleira
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antónio paiva
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terça-feira, julho 28, 2009
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08 julho, 2009
breve ensaio à inércia

um e outro a ilusão de cada um de nós,
na bruma perturbada pelos gnomos do silêncio.
indescritível dor de gozar a calma do exílio,
na tela húmida de um tédio irreal e vago.
respiramos o ar intensamente neutro e mole,
como o cerimonial da cauda de um gato dormindo ao sol.
assim nos imaginamos felizes rindo,
num tocar de pés nus a plausível necessidade dos vivos.
um lábio toca outro lábio habitando juntos,
a mesma boca o mesmo rosto a mesma inércia alada.
um cansaço é a sombra de outro cansaço,
uma súplica uma exigência ao direito de não fazer nada.
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quarta-feira, julho 08, 2009
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30 junho, 2009
ouves-me lucy?
que silêncio tão grave, a ferir-me os tímpanos só o eco dos teus pensamentos; na próxima semana tens de ir ao salão da bety e talvez faças umas nuances. serão ténues e discretas como um remédio inútil. – notas alguma diferença em mim? – o que foi que te aconteceu lucy? o teu olhar ficou sombrio e contraíste as maçãs do rosto, notei algum esgar de ódio nos teus olhos; repetiste – notas alguma diferença em mim? – lucy passa-se alguma coisa de grave contigo? – começo a ficar preocupado; – diz-me lucy? – és mesmo estúpido, não vês que fui à bety? ia responder-te mas só encontrei a porta a bater-me no nariz.
eu nem sequer conheço a bety. disse a mim mesmo. conheço é o cajó, o tipo que me apara o cabelo e me põe a par das merdas que se passam no futebol, e nos intervalos me fala das gajas boas que estão nas capas das revistas, que me dá a ler enquanto espero pela minha vez, depois pago a conta e saio, só volto daí a dois meses. sem nuances. já me basta a falta de cabelo que se agrava a cada dia. – lucy, diz-me; – alguma vez te perguntei se notavas alguma diferença em mim? não, porque sei que odeias o meu pentear, tanto quanto odeias as cores que escolho nas cuecas que uso. nunca me perdoaste o não te deixar escolher-me as cuecas.
ao longo destes anos todos sempre que te contrario em alguma coisa, há mais uma coisa que passas a odiar em mim. não suportas quando leio e ouço música clássica. sou um parvo com mania de erudito, assim me baptizas enquanto me vomitas mentalmente, sentada no sofá a folhear a elle, com o canal fashion ligado. é neste sono de dizer que anulamos a febre de ser, mastigando azedas que colhemos no vaso onde deitamos sementes e germina a tolerância anémica. é lucy, assim nos vamos suicidando aos bocadinhos; porque, supostamente para nós, nós são os outros, se não são, deviam pensar e sentir como nós, sendo nós.
ouvi-te pensar que este fim-de-semana levamos os meninos a casa dos teus pais. sim lucy eu ouço-te pensar. e levamos porque a semana passada levámos os meninos a casa dos meus. é nesta democracia paliativa que suportamos as nossas vidas e nos suportarmos. é a realidade de cada um de nós que nos impede de existir. tu não suportas os meus pais e eu não suporto os teus. os teus não me suportam e os meus não te suportam. espera lucy, estou a ser impreciso; o meu pai gosta muito da mãe dos seus netos, e acho que tu também gostas dele. agora sim, agora é que está bem, foi reposta a verdade inócua.
lucy agora experimenta ver se consegues ouvir o meu pensamento; é a ironia que nos impõe tarefas, e, no privilégio que nos é concedido por uma horrorosa reciprocidade. – sim lucy!, este fim-de-semana levaremos os meninos a casa dos teus pais. de outro modo colocaríamos em causa a monotonia das nossas vidas inconsistentes. e o tédio é o nosso sentimento mais bem definido. porque nos faz sentir culpados e a culpa nos faz sentir pena de nós. habitamos uma espécie de depressão, cujos ganhos secundários nos são preciosos. uma atmosfera de gozo trágico na excitação que o sofrimento nos proporciona.
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terça-feira, junho 30, 2009
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26 junho, 2009
22 junho, 2009
Índole
Nesta vida povoada de escolhos, a sorte, é na maior parte do tempo, uma criada aleijadinha que nos serve o chá, saltitando ao jeito do infortúnio. O carácter um criado maltratado e ignorado, a que não se dá o devido valor. A honestidade um empecilho à vaidade. Caminha-se na rua rodeado de tudo sem nada ver, tal é a cegueira da fama e ambição. A verdade é um incómodo.
Há algo que não me canso de repetir até para mim mesmo; os sonhos são de construir, os sonhos são de construir. Ser crente em algo, é expor a dúvida, assumir a imperfeição, a necessidade de valorar a existência. Nenhuma fé vale mais do que outra, nenhum tipo de fé deve ser imposto a outrem, se isso acontecer deixa de ser fé, assumindo o rosto de fanatismo. Não acreditar em nada é habitar o vazio.
A liberdade não é um direito, é um dever. Sábio é aquele que conhece e estima o valor dos valores. São raros os que conseguem viver a plenitude da vida, os que o conseguem entregam-se-lhe de corpo e alma, por lhe terem um amor inteiro. Mais vale uma pausa serena do que agir inutilmente. Por muito que se porfie, o acaso não vende a sorte. Nem a verdade é um lago onde se banhem os ignóbeis a seu bel-prazer.
Uma virtude não é, nem pode ser, um lapso, um eco vago, tão-pouco uma subjectividade. E, se alma de um ser humano se pudesse libertar dele, revelaria por certo toda a verdade, que a mentira do corpo aprisiona. Quem dera que num qualquer Abril ou até Dezembro, numa revolta despida de intolerância, as almas se libertassem dos homens. Expondo as vergonhas, para que os homens sintam nas dentaduras, todas as dores que lhes causam.
E quanto mais medito em tudo isto, maior é o desconsolo que me invade. O cansaço das caras do costume. A pobre substância dos factos, o bolor dos actos vestidos de hábitos antigos, repetidamente repetidos. E quanto mais abro os olhos, o que mais me é dado a ver são antolhos. Um enredo orgânico de fingimento agoniante. Há no entanto, ar, terra e mar, há o amor, onde a minha consciência me dita o dever de repousar.
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segunda-feira, junho 22, 2009
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11 junho, 2009
ipsis verbis
sou por natureza um tipo meio distraído e, quando vou a dar conta, tenho cá em casa; o sócrates, a ferreira leite, o vital, o rangel, o louçã, o portas um e o portas dois, o melo, o jerónimo e a ilda e mais uns quantos grãos de poeira, que na grande maioria não sei identificar, é cá uma poeirada, um autêntico buraco negro, que me torna os dias absolutamente irrespiráveis.
vejam lá bem, que até o aníbal, no passado dia 10 de Junho, me entrou sorrateiramente pela janela logo de manhã, e só saiu quando eu me fui deitar, já era madrugada do dia 11.
como era dia da pátria a selecção nacional ofereceu-me um empate, cedido por especial favor, por uma humilde congénere tão a leste, como o empenho dos bravinhos lusos. ai que saudade do mata mata. o tipo não era luso, mas falava a língua de camões e, ganhava jogos. isto para além de dar uns tapa em quem se atrevesse a tocar nos minino.
ai que saudade do mata mata, a malta bem que o podia contratar para dar uns tapa, na poeira política, que me entra, que nos entra, casa adentro, e nos toca sobretudo onde nos dói mais.
o caló, que é taxista, e percebe muito de futebol e de política, é que diz ter um bom remédio para tratar desses gajos todos, só que, eu como sou um moço bem educado, não me atrevo a reproduzir aqui a receita.
não tarda sai-me a primavera pela janela e entra-me o verão pela porta. as vizinhas já andam a pendurar biquínis e tanguinhas no estendal; a coisa promete.
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quinta-feira, junho 11, 2009
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01 junho, 2009
tu criança

tu criança
que do amor
és o fruto perfeito
sim tu criança
porque hão-de
almas satãs
roubar-te o que é teu por direito
sim tu criança
porque hão-de
infernos humanos
destroçar o teu arco-íris
sim tu criança
porque hão-de
canalhas malfeitores
apoderar-se do teu sonho inocente
in “Janela do Pensamento”
antónio paiva
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segunda-feira, junho 01, 2009
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25 maio, 2009
Momentos em evidência
Todos os momentos por mim vividos, no lançamento e apresentações do meu novo livro “Pedaços de Vida e Fantasia”, foram para mim extremamente gratificantes e enriquecedores, aproveito uma vez mais para agradecer a todos os que me apoiaram, acompanharam e participaram em cada um deles.
No entanto há três momentos que quero colocar em evidência, pelo facto de nos três haver um denominador comum; jovens. Os que melhor me conhecem sabem do meu empenho em estar perto deles, de os escutar, de conversar com eles, nomeadamente nas escolas que me abrem as portas e convidam para o efeito.
Anadia, 26 de Abril, Biblioteca Municipal de Anadia, sob a coordenação da professora Dulcineia Borges, quatro alunos da Escola Secundária de Anadia, Luís Martins, Marta Silva, Mariana Santos e Fábio Monteiro apresentaram o seu contributo com “Ser Poeta” e “Pedaços de vida e fantasia”, (música e letra de Luís Martins), “Memórias vivas”, “Este modo de vida”, “Lugares de outros tempos” e “Um livro”.
Estiveram fantásticos, nada que eu já não estivesse à espera, uma vez que eu já lhes conhecia o talento. Deixo-lhes toda a minha estima, admiração e gratidão.
Até sempre!
Ei-los na foto

Coimbra, 2 de Maio, Fórum da Fnac Coimbra, antes da apresentação do livro, eu tinha um encontro marcado com um escritor de 8 anos de idade. Estou a falar-vos do David Lourenço, um menino que já foi premiado pela Caminho Editora.
Era o nosso primeiro encontro, no início o David estava um pouco ansioso, mas com o desenrolar da nossa conversa, foi descontraindo e acabámos por estabelecer um diálogo magnífico e frutuoso para ambos. Quis o David presentear-me com um texto escrito de propósito para me oferecer, ao entregar-me uma capa com o texto manuscrito, disse-me: que o escrevera pelo o seu punho no papel e mo entregara assim, por ser mais pessoal.
Passo a transcrever o texto tal e qual o original:
A mãe que eu gostava de ter
Era uma vez um menino chamado Vicente. Esse menino era muito, muito rabugento com a sua mãe, e gostava de ter uma mãe que não o obrigasse a nada.
Certo dia ia para a escola, passou na estrada uma carrinha com um senhor a dizer:
- Meninos e meninas, querem ter outra mãe? Venham à loja mãe e terão a mãe que quiserem.
O Vicente naquele momento pensou:
- E que tal dizer à minha mãe verdadeira para se ir embora? E assim fez.
O Vicente no dia seguinte disse à sua mãe para se ir embora. De seguida a mãe foi-se embora triste.
O Vicente telefonou para a loja mãe, mas as mães eram todas muito caras, e ele não tinha dinheiro que chegasse para comprar uma mãe, no dia seguinte era fim de semana e sentia falta da mãe. Ele decidiu pôr cartazes com o nome da mãe para o caso de ela o ler. O Vicente começou a ficar desesperado, pois não sabia cozinhar. Ele já não sabia o que fazer, e nem um cêntimo tinha.
Então foi à procura da mãe.
A mãe lá em casa da amiga dizia:
- Ele já deve ter aprendido a lição. A mãe voltou e o Vicente ficou muito contente. O Vicente aprendeu uma grande uma grande lição. Nunca dizer mal das pessoas porque nós somos todos precisos!
FIM
David Lourenço
02/05/2009
Amigo David, os meus sinceros parabéns pelo teu texto.
Fico-te muito grato pela tua simpatia, faço votos para que continues a ser um menino feliz, na companhia dos teus pais, familiares e amigos. E, que ao longo da tua vida, com trabalho, esforço e dedicação, consigas alcançar os teus objectivos.
Um grande abraço com amizade.
O David e eu na foto em baixo.
Funchal, 9 de Maio, Fórum da Fnac Madeira. A Paula Trigo convidou o seu filho Rui Filipe e o amigo Vítor Hugo, para participarem na apresentação do livro, o Rui, leu vários excertos do livro durante a apresentação e terminou declamando o poema “Ser Poeta” de Florbela Espanca, acompanhado à viola pelo Vítor Hugo, executando uma música que o próprio compôs para o momento. Foram brilhantes! É de realçar que foi pela primeira vez actuaram em público, e eu bem sei o quanto é difícil estar pela primeira vez perante tanta gente a observar-nos e avaliar-nos.
Os meus sinceros parabéns pela vossa brilhante prestação, fico-vos eternamente grato pelo vosso empenho, dedicação e amizade.
Que sejam muito felizes e que o futuro vos sorria tal como merecem.
Um grande abraço de estima e amizade.
Em baixo a gravação onde podem visualizar e ouvir o momento.
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segunda-feira, maio 25, 2009
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14 maio, 2009
O Poeta Vítor Cintra Apresenta
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quinta-feira, maio 14, 2009
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11 maio, 2009
Agradecimentos
Aprendi com Voltaire que; A leitura alarga a alma e um amigo esclarecido dá-lhe consolo.
Agora que as coisas por aqui tendem a retomar alguma normalidade, permitindo-me regressar às tarefas suspensas. Venho expressar o meu profundo agradecimento a todas e a todos, pelo apoio e estima que me dedicam.
Bem-hajam.
Abraço.
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segunda-feira, maio 11, 2009
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23 abril, 2009
20 abril, 2009
Agenda do Livro Pedaços de Vida e Fantasia
Dia 24 de Abril pelas 21,30
Apresentação da obra pelo escritor e poeta José Torres.
Momento musical, pelo músico, poeta e escritor Flávio Lopes da Silva, acompanhado pelo músico Miguel Duarte.
Sessão de Apresentação na Biblioteca Municipal de Anadia
Dia 26 de Abril pelas 16 horas
Apresentação da obra pelos alunos do 11º Ano, da Turma de Literatura Portuguesa, da Escola Secundária de Anadia
Preparação e coordenação da Professora Dulcineia Borges
Com o patrocínio da Câmara Municipal de Anadia, Biblioteca Municipal de Anadia, e Vinícola Castelar.
Sessões de Apresentação em Montemor-o-Velho
Dia 27 de Abril pelas 11 horas
Associação Diogo de Azambuja – Escola Profissional de Montemor-o-Velho
Estrada Nacional 111
Dia 27 de Abril pelas 14 horas
Associação Diogo de Azambuja – Escola Profissional Agrícola Afonso Duarte
Largo da Feira – Montemor-o-Velho
Sessões de Apresentação em Gafanha da Nazaré
Dia 28 de Abril manhã e tarde
Escola Secundária c/3ºCEB da Gafanha da NazaréRua Dr. António Vilão, apartado 82
Sessão de Apresentação em Vilarinho do Bairro
Dia 29 de Abril pelas 14:30
Escola Básica 2º e 3º Ciclos de Vilarinho do Bairro
Sessão de Apresentação em Lisboa, na Livraria Bulhosa Books & Living – Campo de Ourique
Rua Tomás da Anunciação, nº 68 B
Dia 1 de Maio pelas 16 horas
Apresentação da obra a por Ana Correia e pelo poeta Vítor Cintra, autor do prefácio ao livro.
Conferindo ao evento maior dimensão cultural, estarão expostas durante a sessão, pinturas de Helena Paz.
Sessão de Apresentação na Fnac Coimbra
Dia 2 de Maio pelas 21:30
Apresentação da obra por Paula Cação e pelo poeta Policarpo Nóbrega.
Um evento a não perder por quem goste de emoções fortes.
Sessão de Apresentação na Fnac Madeira
Dia 9 de Maio pelas 17 horas
Apresentação da obra por Paula Trigo.
Estão garantidos momentos surpreendentes durante a sessão, que não são revelados, para estimular apetites.
O autor agradece encarecidamente a vossa presença.
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segunda-feira, abril 20, 2009
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16 abril, 2009
breve ensaio à natureza

escolhi-te dia e noite para minha amante,
no refúgio sombreado do denso arvoredo.
uma cama de tufos, lençóis de brisa silente,
sem palavras, silêncios aligeirados de sopro.
no teu dialecto de minúsculas por insectos,
minúcias deslumbrantes em ancas de frutos.
Deusa visível de fascinante complexidade,
paleta de todas as cores refúgio de simplicidade.
e olho o céu, e olho o mar, toalhas em azul
de bainhas brancas, tal como o sol no início.
todo o olhar é a confirmação, hemisfério norte e sul,
íntimo movimento no verso da asa, ave sem vício.
num suspiro me alimento e a alma exalta,
na delícia de um beijo nos teus lábios de água.
a força permanente do vale à montanha mais alta,
uma ode um hino uma fé onde vou lavar a mágoa.
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quinta-feira, abril 16, 2009
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14 abril, 2009
breve ensaio ao autor

leiam-me com o mesmo vómito de desprezo,
com que deitais o olhar furtivo a um mendigo.
mas leiam-me,
e não me deis palavrinhas de aconchego.
vinde antes temperados de azedume,
zurzindo impiedosamente o chicote do castigo.
mas leiam-me,
que desta alma não ouvireis um só queixume.
e se sois vós ainda tão tenros e já sentados,
pois leiam-me,
e nesse mínimo castigo expiareis vossos pecados.
sou feito de matéria bárbara e firme,
nas palavras me abrigo e busco a nudez do simples.
então leiam-me,
nesta convergência de fluxos e matéria sublime.
nocturno amante de insectos espuma e pedra,
animal à sombra e à chuva de opacos melindres.
então leiam-me,
ao som dos latidos enquanto a iliteracia não ferra!
(de breve em breve se edifica a consciência)
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terça-feira, abril 14, 2009
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12 abril, 2009
breve ensaio à palavra

na espessura do tronco da árvore,
há pelo menos uma palavra viva em crescendo.
no canto melodioso da ave,
há pelo menos uma palavra em voo sonoro.
também o teu corpo é palavra,
às vezes indizível por habitar a vertigem.
na oblíqua exactidão do fogo que lavra,
no ardor da ferida exangue em floresta virgem.
germina a palavra diante dos meus olhos,
tingindo a negro o canteiro de papel branco.
arma diáfana e precisa a combater antolhos,
num labor de silêncios e sons a atenuar o pranto.
dedico-te o meu amor na claridade do meu desejo,
fundindo o teu e o meu corpo em matéria ardente.
em voos do imaginário planando no puro ensejo,
na tua cúpula em cópula até ao verso incandescente.
(à palavra todo o respeito é devido, na escrita o seu uso quer-se parcimonioso e sério. mas; também um “produtor” vinhos ousou dizer: que sabia ser possível fazer vinho de uvas, mas desse ele nunca tinha feito)
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domingo, abril 12, 2009
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11 abril, 2009
breve ensaio ao livro
ao longo da História,
milhões foram queimados,
pelo vil propósito de os calar.
domínio branco tingido pelo saber!
linhas de força;
da generosa e espiritual humana criação.
ah seiva fascinante!
de sabor destemido ante os poderosos,
que estremecem diante do poder da palavra nua.
não balbucia memórias; instiga-as!
em matéria pastosa e solidificada,
rasga o domínio do interdito,
na voz do poeta e escritor maldito.
e de júbilo terno te observo,
leio, venero e amo num clamor branco,
nas páginas esculpidas em sangue
pelo cinzel, na memória do poema onde respiro.
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sábado, abril 11, 2009
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07 abril, 2009
breve ensaio à nudez

corpo em palavras venero,
o teu nome espuma branca,
ou seda de chocolate sedutora.
desejo desejado penumbra despida,
vocábulos ungidos de suor e lua,
dicionários de amor ao nu da vida.
claridade a cegar claridade,
ou ébano doce a cegar doçura,
serena e terna repousa a mulher nua.
(só os meus olhos escrevem com perfeição)
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terça-feira, abril 07, 2009
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02 abril, 2009
breve ensaio ao monólogo

tem quatro casas o botão,
todas elas caseadas,
por linhas bem entrançadas.
estás a vê-lo diante do teu nariz?
há-os de plástico de prata de oiro e latão,
também os há de chifres,
talhados na vida de um pobre cabrão.
estás a ver aquela linha alaranjada,
entre dois retalhos de nuvem?
estás nada, a esta hora julgas-te Platão!
pobre diabo, encantado com o seu umbigo,
qual filósofo em alegoria da caverna,
escondido e só, a curar ignorância.
e agora diz-me lá,
por que não aprendes a cerzir a alma?
vá anda, reponde-me!
por que não me dizes nada?
ah! já sei!
de esqueleto não passas.
e para mal dos teus pecados,
a tua inteligência sempre viveu acamada.
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quinta-feira, abril 02, 2009
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31 março, 2009
breve ensaio ao tempo
tempo arredio em marcha de caranguejo.
tempo esguio mentiroso e fugidio,
tempo seco barbatana de raia no estio.
e um tempo a embalar a insónia,
à espera que o sono escorra pelos beirais.
tempo de cópula dos ponteiros do relógio,
no cio dos segundos em orgasmo estéril.
o tempo das cigarras em desgarrada,
das corujas em desmesurado pio.
faz-me tanta falta, o tempo
que medeia entre a proa e a ré do navio.
meço o tempo onda a onda,
o tempo breve onde respiro liberto.
num tempo vago e de horizonte aberto,
densa partitura de instantes mínimos.
e tudo se agita num silêncio,
tão breve quanto o meu tempo.
o tempo se esfumou sem eu dar conta,
e a noite desfez o céu ainda há pouco em presença.
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terça-feira, março 31, 2009
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29 março, 2009
breve ensaio ao nascimento
algo se inicia sem nome,
na gestação de vocábulos de amor,
metáforas de vida letra a letra,
tomando forma no venturoso ventre.
o ser de fibras moldadas em fogo brando,
abre clareiras de júbilo na carne do mesmo poema.
um corpo ávido de vida embalado pelo silêncio,
um silêncio liso na harmonia de uma alma alva e nua.
pulsa e respira em tão silenciosa frescura.
ah Primavera viva!
unida à terra onde o fruto madura,
e rompe e rasga a prodigiosa ventura,
qual magna lava do vulcão.
e há então um choro primeiro,
não de sofrimento ou de mágoa,
mas sim um rumor vivo ingénuo e livre,
talvez um primeiro pedido – de amor incondicional.
agora os tenros lábios acariciam o seio materno.
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domingo, março 29, 2009
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22 março, 2009
breve ensaio amoroso
escassos os meus dedos te acendem,
em botão de rosa fêmea perene.
em pose de homília liberta o perfume a violeta,
silhueta caminhando em leveza extrema,
que de tão leve e graciosa libélula não perturba o pólen.
dois pares de olhos, algures o mesmo desejo.
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domingo, março 22, 2009
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21 março, 2009
A somar primaveras
Quis quem já não está entre nós, em conjugação com o supremo, no trono da Real Natureza, que há umas décadas atrás, num dia 21 de Março, precisamente às 09:30 da manhã, eu desse início à empreitada de uma vida. Construída entre sonhos e escolhos, somando primaveras. Agora, dobrando a esquina da rua do começar a somar invernos, não venho mendigar tréguas. Quem me tem mordido que me continue a morder, pois faz-me falta, quem me estima que me continue a estimar, pois falta me faz, e, quem me ama que me continue a amar, pois sem esse amor sou nada.
Tenho um improviso de intervalos para todos vós, da carne e da alma vos podeis servir, consoante a natureza das vossas fomes. No entanto quero que saibam, por muito que ferrem num ou noutro lado, nunca chegareis aos ossos que eu não deixo, vou levá-los comigo, quando arrumar os meus pertences.
Agora vou simular rimas e poesias, respirar nos versos brancos, escrever prosas de amainar cóleras, contos de florescer memórias, romances de irónico a Cupido. Que a minha morte vem longe, e irei vestido de palavras, quem mo afiançou foi Calíope. Eu, Primavera enquanto dure.
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sábado, março 21, 2009
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16 março, 2009
in Genéricos 18
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segunda-feira, março 16, 2009
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11 março, 2009
presunção e água benta
presunção e água benta
da primeira me penitencio amiúde
da segunda tomei por imposição,
de quem achou por bem culpar-me,
do “pecado” da carne que até então,
não cometera quer por indigência,
ou sequer por consciência.
quiçá por culpa do atrevimento
de ousar ter nascido, invadindo
a pureza imaculada das batinas,
conspurcando o branco sagrado,
de saiotes e evangélicos colarinhos.
cresci na dureza que até hoje mordo,
o pagamento por pérfido, da bula carnal,
mastigando a casca de aleivoso e ímpio,
chicoteai-me sacripantas chicoteai-me,
por ousar monstruosas afrontas,
adormecei serenos e castos,
na alva brancura do vosso leito sevandija.
benzo-me, três vezes me benzo antes de ir.
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quarta-feira, março 11, 2009
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10 março, 2009
o poema da benevolência
– que vos dê o que não sou.
respondo-vos;
– sim, dar-vos-ei o mais que possa – impossível eu.
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terça-feira, março 10, 2009
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08 março, 2009
hoje é dia de todos os dias
porque de espinhos há atoleiros.
no Brasil uma mãe e uma menina de nove anos de idade, foram excomungadas por um bispo, pela prática de aborto.
nada de mais, a menina de nove anos só engravidou pelo simples facto de ter sido violada pelo padrasto.
nota:para evitar ataques de mentes tortuosas, esclareço; nada me move contra o povo irmão brasileiro, já que, o sucedido por lá, bem que podia acontecer e/ou acontece em terras lusas ou noutro qualquer canto do planeta.
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domingo, março 08, 2009
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03 março, 2009
João Videira Santos na Galeria Domínio Público
Autor, poeta e artista plástico JOÃO VIDEIRA SANTOS, apresenta na Galeria Domínio Público de 4 a 24 de Março alguns dos trabalhos feitos em Lisboa e Brasília.
Com uma diversidade de trabalhos apresentados em exposições individuais e colectivas, a presente exposição caracteriza-se por trabalhos a acrílico, vinte e sete em papel Canson e três em tela, tendo por base figuras "incaracterísticas", denominadas por "Monstr'inhos".
Sobre estes trabalhos, a designer industrial ANGELA LADEIRO, da "Dimensão Design", escreveu: " Cada quadro é um apelo aos nossos sentidos, um desafio maior à nossa imaginação. "
Para a inauguração da exposição, a ocorrer no dia 4 de Março, quarta-feira, pelas 18.30 horas, estão convidadas diversas personalidades da vida citadina.
A exposição estará patente ao público de segunda a quinta-feira das 08.00 às 24.00 horas, sexta-feira e sábado das 08.00 ás 24.00 horas.
Encerra ao domingo.
DOMÍNIO PÚBLICO
Rua de Entrecampos, 12-B
LISBOA
Telefone: 210 100 892
João Videira Santos, para além de excelente artista e poeta, é um homem bom, um ser humano que irradia simpatia e gentileza.
Se vos for possível compareçam na inauguração, ou visitem a exposição num dos 20 dias da sua duração.
Abraço.
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terça-feira, março 03, 2009
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