07 abril, 2012
19 fevereiro, 2012
Lançamento da Antologia de Poesia Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho" Volume III
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antónio paiva
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domingo, fevereiro 19, 2012
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31 janeiro, 2012
ainda a dizer-me, sei lá...
em pousio - acometido de um surto de pardo sossego; já que escrever não é
tarefa, ler não é ocupação, inteligência é coisa que a ignorância não suporta.
quero lá saber; até porque cultura não é ministério é secretaria. antes de sair
vou ousar - coloco um broche alaranjado na lapela - rosa já não é moda.
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antónio paiva
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terça-feira, janeiro 31, 2012
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30 dezembro, 2011
Mensagem
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antónio paiva
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sexta-feira, dezembro 30, 2011
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22 dezembro, 2011
6º aniversário desta pastagem
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antónio paiva
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quinta-feira, dezembro 22, 2011
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21 novembro, 2011
já era para ter dito, mas digo agora
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segunda-feira, novembro 21, 2011
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19 novembro, 2011
de novo a dizer-me
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antónio paiva
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sábado, novembro 19, 2011
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15 novembro, 2011
continuo com esta necessidade de dizer
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terça-feira, novembro 15, 2011
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12 novembro, 2011
era-me necessário dizer
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antónio paiva
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sábado, novembro 12, 2011
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16 outubro, 2011
a depressão de todas as depressões
sob o inexplicável estio há uma chuva estranha e ácida que cai sobre a gente humilhada; as cidades oferecem o poder ao primeiro que as fizer cantar. a esperança já não é suficiente; aproxima-se o momento em que tudo vai implodir sob a ameaça de decisões impossíveis de resultar.
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antónio paiva
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domingo, outubro 16, 2011
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29 julho, 2011
excerto - 2
às vezes as grandes cidades são dolorosas e íngremes; sendo obscenamente sufocantes, o ar é tão escasso que os que nelas vivem fenecem sob o desígnio de um sorriso nebuloso. as pétalas não são pétalas; são páginas e páginas de necrologia ao fim-de-semana, sem glória, ao fim-de-tudo, e os automóveis decepam as lágrimas.
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antónio paiva
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sexta-feira, julho 29, 2011
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26 julho, 2011
excerto - 1
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antónio paiva
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terça-feira, julho 26, 2011
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08 julho, 2011
O meu novo blogue
Grato.
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antónio paiva
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sexta-feira, julho 08, 2011
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07 julho, 2011
Oficinas de Escrita Criativa - Lisboa
Oficinas de Escrita Criativa, nos dias 16 e 23 de Julho, no Campo Grande, nº 56, Sala Dublim, em Lisboa.
Público alvo: jovens e adultos a partir dos 14 anos de idade.
Para mais informações e inscrições contacte-me através do email: antoniopaiva21@sapo.pt
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antónio paiva
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quinta-feira, julho 07, 2011
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agiotagem é crime!!!
há coisas tais, que me impedem de passar ao lado; de ficar à margem e, não é necessário ser especialista na matéria, para saber avaliar que aquilo que os tipos da moody´s estão a fazer a Portugal, é agiotagem pura e dura! ora, que eu saiba, e julgo saber bem, agiotagem é crime!!! por isso: punição urgente e exemplar aos AGIOTAS!!!
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quinta-feira, julho 07, 2011
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02 julho, 2011
Oficinas de Escrita Criativa - Seixal
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sábado, julho 02, 2011
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30 junho, 2011
Oficinas de Escrita Criativa - Lisboa
Oficinas de Escrita Criativa, nos dias 9, 16 e 23 de Julho, no Campo Grande, nº 56, Sala Dublim, em Lisboa.
Público alvo: jovens e adultos a partir dos 14 anos de idade.
Contacto para mais informações e inscrições: antoniopaiva21@sapo.pt
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antónio paiva
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quinta-feira, junho 30, 2011
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02 junho, 2011
Apresentação do Livro "À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas" - Anadia
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quinta-feira, junho 02, 2011
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01 junho, 2011
é pacote!!!, não é, pack!!!
ainda hoje, muitas pessoas e empresas, nos aliciam com o pacote, um pacote disto, um pacote daquilo, um pacote assim, um pacote assado, um pacote mais bem composto, ou um pacote mais escanzelado, enfim; uns e outros oferecem o pacote que têm, para oferecer. no tempo da minha avó Maria e da minha mãezinha Lurdes, na mercearia também era tudo aviado no pacote, um pacote de 100 gramas de colorau, um pacote de 250 gramas de café, um pacote de 500 gramas de açúcar amarelo (o mais barato à época). e, o pacote era feito ali na nossa frente, em papel pardo, ou mais fino quando a mercadoria o justificava, mas a verdade é que o pacote era feito destreza e mestria à frente do cliente e aviado de imediato.
no entanto, hoje por cá, com a tendência desmedida, dos tão sábios, para abastardar a língua portuguesa, há até quem afirme que a "lululizaram", vendendo a pátria e a honra ao desbarato; querem e exigem que compremos ao pack, ele é o pack de iogurtes, o pack de meias, o pack de cuecas, ora aprovam pack, ora chumbam pack, etc...etc... e, o pior de tudo, é que o pack disto ou daquilo, não é feito à nossa frente, é tudo feitinho com muita arte e engenho, nas nossas costas.
por isso; aos de pacote, recomendo que cada um vigie e guarde o seu, o melhor que souber e puder, e que o continuem a usar e a fazer com a classe e a dignidade que o pacote merece. aos de pack, quero lá saber como são aviados e servidos; aguentem-se!
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quarta-feira, junho 01, 2011
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31 maio, 2011
Lançamento do livro "À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas" na Livraria Leya na Barata - Lisboa
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24 maio, 2011
Apresentação do Livro "À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas" - Coimbra
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terça-feira, maio 24, 2011
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...
o teu corpo é um lago
onde mergulho até perder os sentidos
despindo a água por inteiro, morro na tua sede.
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terça-feira, maio 24, 2011
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19 maio, 2011
Apresentação do Livro "À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas" - Braga
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Apresentação do Livro "À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas" - Porto
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05 maio, 2011
Lançamento do livro "À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas"
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28 abril, 2011
À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas
Sábado dia 28 de Maio, às 16:30, na Livraria Leya Barata, Avenida de Roma, em Lisboa.
Mais adiante darei mais pormenores.
Um abraço e até já!
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quinta-feira, abril 28, 2011
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25 abril, 2011
a propósito de liberdade
a liberdade não é um direito, é um dever!
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segunda-feira, abril 25, 2011
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02 abril, 2011
Escrita Criativa, com António Paiva
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21 março, 2011
Primavera
também eu nasci com ela e acabo por renascer em todas elas.
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segunda-feira, março 21, 2011
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11 março, 2011
mensagem
a percorrer os caminhos-de-dentro...
fiquem bem e até um dia destes!
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sexta-feira, março 11, 2011
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11 fevereiro, 2011
o pardal é um poema
o pardal é um poema;
tanta pena, tanta pena;
tantos ais, tantos ais;
escorrem lancinantes dos beirais;
temos pena, tanta pena, tanta pena;
a idosa estava morta atrás da porta;
não se abriu a porta por não cheirar mal.
o pardal é um poema;
nunca o seria não fosse tanta pena;
mas de facto o pardal é no seu todo um poema;
porque a idosa devia ter perecido de porta aberta;
e mais!, a idosa depois de morta foi perniciosa;
não pagou à “sociedade” o devido tributo.
vai daí o “estado” impoluto;
processou-a generosamente sem abrir a porta;
vendeu por tuta-e-meia o seu “jazigo”;
porque mesmo morta, devia ter pago e;
antes de morrer o seu dever era abrir a porta;
o pardal é um poema;
temos tanta pena; tanta pena, tanta pena;
tantos ais, tantos ais, escorrem lancinantes dos beirais;
temos tanta pena, tanta pena, e o pardal é um poema!
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sexta-feira, fevereiro 11, 2011
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31 janeiro, 2011
um olá e um breve excerto de algo a editar talvez em breve
Escorrem harmoniosos os sons da melodia, “O Quel Beau Bouquet de Fleurs” de Gheorghe Zamfir, numa tentativa de derrubar os muros da desarmonia que lhe vai na alma. Lenta e dorida surge a escrita, no ardor dos braços cansados, de tanto remar contra marés. Anda por aí um exacerbado exército a semear antolhos. A cercear horizontes. A anestesiar incautos. Há um sono colectivo a fazer jus à lei-do-menor-esforço. O mais certo é um destes dias haver um mendigar colectivo por uma côdea de respeito. De momento há o recurso ao bordão da resignação e da incúria, já que a sacola está rota. O ser humano, tem uma tendência desmedida, para circundar a orla do abismo, Salvador sabe-o bem, observador atento do exercício de todas as tramas.
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segunda-feira, janeiro 31, 2011
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22 dezembro, 2010
5º aniversário desta pastagem
são muitas as vezes em que faço chorar as palavras, são muitas mais as vezes que por elas choro. por elas tenho passado tanto tempo a despir a noite.
por mim, pelos amigos e leitores;
as palavras serão o meu alimento e a minha bandeira!
Boas Festas e, se puderem sejam Felizes em 2011.
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quarta-feira, dezembro 22, 2010
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22 novembro, 2010
António Paiva na Escola Secundária de Barcelos
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segunda-feira, novembro 22, 2010
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17 outubro, 2010
outrora; o mar cheirava a maresia
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domingo, outubro 17, 2010
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13 outubro, 2010
seriamente e a sério
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27 setembro, 2010
quem lhe desse uma pancadinha carinhosa no toutiço
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segunda-feira, setembro 27, 2010
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11 setembro, 2010
retalhos
umas vezes sou mais, outras sou muito menos, outras ainda volto-me as costas, outras tantas vejo-me na íntegra. espectro de querência durante a manhã, lugar de esopo ao entardecer, porque os espelhos mentem todas as noites. há em mim uma longanimidade intermitente, por vezes bálsamo, por vezes autoflagelação.
sou capaz de amar entre as fases da lua e nos plenilúnios, não sou capaz de viver sem um amor que acasale com o meu, ainda que eu seja a maior parte do tempo um rio de ausência. nem sempre é fácil transpor o pórtico ogivado e chegar até mim, no entanto rendo-me facilmente à surpresa do gesto, à delícia de me deixar escorrer pelo mel dos lábios, com os olhos marejados de sal.
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sábado, setembro 11, 2010
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04 setembro, 2010
Recensão Crítica a Livro Imperfeito de António Paiva
www.todasasmusas.org
A imperfeição ganha corpo (de letra) – Tiago Aires
Professor de Língua Portuguesa e Português do 3.º ciclo e Ensino Secundário no Colégio D. Diogo de Sousa – Braga, Mestre em Literatura Românica, Estudos Brasileiros e Africanos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
A quem leu e a quem não leu o livro, sugiro que sigam o link http://www.todasasmusas.org/03Tiago_Aires.pdf acho que vale a pena despender algum tempo na leitura do artigo.
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sábado, setembro 04, 2010
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16 agosto, 2010
falta-me o sorriso de gioconda
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segunda-feira, agosto 16, 2010
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15 agosto, 2010
o disparate estala como ouriço de castanha
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domingo, agosto 15, 2010
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10 agosto, 2010
substantivo-te
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terça-feira, agosto 10, 2010
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03 agosto, 2010
Sessão de Autógrafos na Feira do Livro da Póvoa de Varzim
Conto a vossa presença.
Até já!
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terça-feira, agosto 03, 2010
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23 julho, 2010
às vezes escrevo tão perto do que sinto
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sexta-feira, julho 23, 2010
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14 junho, 2010
apneia humana
esta apneia humana que faz de mim pedra submersa,
às vezes fóssil; crosta calcinada, matriz atroz.
há um óbelo em forma de vespa assinalando as falhas;
uma teia de intempéries a aprisionar-me a boca.
um fluxo sinistro de membranas em elipse;
a estrangular o ventre desta lua de silêncios.
nas casas sonhos arcaicos transcritos prescritos;
silêncios engomados naftalina e bolor salivado.
asfalto sede ruptura caverna muro;
veios traços arestas bocejos e bocas sem beijos.
sexo agudo que sobra da amargura;
há uma luz cega nesta imensa bruma de apneias
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segunda-feira, junho 14, 2010
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04 junho, 2010
coisas dos pés na minha cabeça
os meus pés continuam a andar um atrás do outro; às vezes juntam-se, outras vezes também se separam.
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sexta-feira, junho 04, 2010
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25 maio, 2010
era segredo e agora já não
foi escrito respeitando a beleza formal da língua, mesmo no mais descarado linguado. por respeito à freirinha dos papos de anjo, não se faz uso do palavrão, nem de gestos obscenos.
[anda por aí tanto sacana e só me restam dois pares de estalos]
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terça-feira, maio 25, 2010
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18 maio, 2010
Apresentação do Livro Imperfeito na Fnac Leiria
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terça-feira, maio 18, 2010
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30 abril, 2010
mais leve e mais nua
entre as linhas do corpo há a baía dos seios, o abrigo das coxas a implorar tremores, a vertigem dos declives, a exaltação.
reparte-se divide-se cada vez mais inteira, entre os gemidos e o fulgor dos silêncios, no prodígio da nudez completa, vibra todo o universo.
[agora dorme serena mais leve e mais nua até à primeira claridade]
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sexta-feira, abril 30, 2010
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05 abril, 2010
Agenda do "Livro Imperfeito"
Pré-lançamento em Anadia, na Biblioteca Municipal, inserida nas cerimónias de abertura da Feira do Livro.
Apresentação do livro por alunos e professores da Escola Secundária de Anadia e do Colégio Nossa Senhora da Assunção.
11 de Abril às 21:30
Lançamento na Fnac Coimbra, inserido no programa da
Festa do Livro da Fnac
Apresentação do livro por José António e Rafaela Carvalho
14 de Abril, às 16:30
Apresentação em Guimarães, na Fnac Guimarães
Apresentação do livro por Alexandra Cruz Mendes
15 de Abril, às 21:30
Apresentação no Porto, na Fnac Norte Shopping
Apresentação do livro por Sónia Macedo
17 de Abril, às 16:30
Apresentação em Lisboa, na livraria Bulhosa Entrecampos
Apresentação do livro por Ana Correia
24 de Abril, às 17:30
Apresentação no Funchal, na Fnac Madeira
Apresentação do livro por Édison de Almeida
1 de Maio às 21:30
Apresentação em Braga, na Fnac Braga
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segunda-feira, abril 05, 2010
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21 março, 2010
falta-me a outra margem
[por acaso nasci hoje; mas já foi há muito tempo]
[d c; são duas letras e uma alma]
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domingo, março 21, 2010
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06 março, 2010
magnitude e simplicidade
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25 fevereiro, 2010
excerto
ardem-me os olhos, arde-me o corpo desde onde começa até onde termina, nas extremidades o ardor é mais agudo. e quanto mais a minha vida se dilata, mais avultam os defeitos. coisas da fraqueza e desatenção, a tragédia singular da banalidade de uma vida comum. os sonhos intrometem-se na vida e a vida priva-nos deles. só os que têm a coragem de enfrentar o julgamento e cumprir a pena, são capazes de sonhar verdadeiramente, porque acreditam no que sonham, e acreditar no que se sonha, é acreditar que se pode ser feliz.
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quinta-feira, fevereiro 25, 2010
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24 fevereiro, 2010
Tragédia na Madeira
DONATIVOS
- Conta nº 1626371377, NIB nº 003800011626371377113 do Banif
- Conta Banif Solidariedade Com as Vítimas da Madeira, NIB: 0038 0040 50070070771 11
- Conta "BES Madeira Solidário", com o NIB: 000700000083428293623
- Conta Santander Totta "Solidariedade com a Madeira": NIB 001800032271378802021
- Solidariedade BBVA "Colabore com a Madeira": NIB 001900010020018168915
- Millennium BCP "Vítimas do Temporal da Madeira": NIB 003300000025125124405
- Barclays "Conta Madeira", 003204700020325226041
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quarta-feira, fevereiro 24, 2010
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18 fevereiro, 2010
no avesso de mim
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quinta-feira, fevereiro 18, 2010
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19 janeiro, 2010
11 janeiro, 2010
Curso Escrita Criativa
(clique nas imagens para ampliar)Horário de funcionamento de segunda-feira a sexta-feira, das 18:30 às 22:30.
As inscrições estão limitadas a um máximo de 12 participantes.
Para mais informações e inscrição:
Escola Profissional Cristóvão Colombo - Avenida do Infante, 6 - Funchal.
Telefone 291201770
info@epcc.pt
marleneandrade@epcc.pt
Marlene Andrade
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01 janeiro, 2010
Bem-vindos a 2010
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sexta-feira, janeiro 01, 2010
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Etiquetas: 2009, antónio paiva, Fim de Ano, Funchal, Ilha da Madeira, Portugal
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sexta-feira, janeiro 01, 2010
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22 dezembro, 2009
4º aniversário da pastagem
quatro anos por aqui a semear o pasto, uns com mais sementeira do que outros, ainda assim semeando.
durante este tempo nasceram 5 livros individuais e a participação num colectivo, visitei dezenas de escolas um pouco por todo o país e na ilha onde vivo.
o ano que se aproxima terá um início repleto de novos projectos; um curso de escrita criativa da minha autoria, um projecto de escrita numa instituição que orienta jovens carenciados e um novo livro em prosa, isto para além de diversas actividades que pretendo levar a cabo durante o ano; tenha eu arte engenho e perseverança para tal.
a todos quantos me têm apoiado e incentivado quero manifestar-lhes a minha profunda gratidão e carinho.
um abraço e Boas Festas.
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terça-feira, dezembro 22, 2009
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28 novembro, 2009
usufruto
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23 novembro, 2009
destinos nossos
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segunda-feira, novembro 23, 2009
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15 novembro, 2009
Sugestão para Oferta de Natal
(clicar nas imagens para ampliar)Para efectuar encomendas visite o site www.vinicolacastelar.com/, onde estão disponíveis os diversos contactos e, aproveite a oportunidade para conhecer os produtos de excelente qualidade, das Caves Castelar.
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domingo, novembro 15, 2009
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22 outubro, 2009
um lábio de utopia

o lábio adormecendo o silêncio
sem ardor nem onda nem espuma
dilata-se o sossego e tudo é oceano
dormiu de janelas abertas à palavra
um sono de transparência breve
ao acordar disseram-lhe;
que o deserto se vestira de verde e azul
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quinta-feira, outubro 22, 2009
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10 outubro, 2009
Como adquirir o livro 70 poemas por um sorriso
O preço do livro são 5€ mais despesas de envio.
A totalidade da receita reverte a favor da APPACDM de Setúbal
Uma excelente sugestão para oferta de Natal.
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sábado, outubro 10, 2009
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14 setembro, 2009
Lançamento do Livro 70 poemas por um sorriso
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10 setembro, 2009
70 poemas por um sorriso - O rosto do livro
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quinta-feira, setembro 10, 2009
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07 setembro, 2009
70 poemas por um sorriso
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26 agosto, 2009
anseio
anseio todas as palavras simples,
com a mesma ânsia que encaro o meu rosto.
anseio na escrita de todos os dias,
a memória da memória permeável às diferenças.
todos têm as suas próprias leis,
pedem-me que as entenda,
continuando indiferentes à minha ânsia.
habito sob esta pele,
matéria bárbara e adversa,
na ânsia de não favorecer a desistência.
depois acusam-me da ausência,
como se tudo fosse apenas e só um poema ambíguo.
anseio sobreviver,
a esta fadiga que me impõem, torrente de egoísmo.
a todos devo, mesmo aos desconhecidos,
anseio tanto pagar-lhes para que me deixem em paz.
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quarta-feira, agosto 26, 2009
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18 agosto, 2009
pensamento pró fundo
o cão que morde o cão como se fosse o dono.
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17 agosto, 2009
por nojo
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15 agosto, 2009
!
antes dar pérolas a porcos, que palavras à iliteracia congénita
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13 agosto, 2009
avó Maria
preciso de voltar a essas casas
pedras e telhados das minhas origens.
avó Maria,
quero de novo os vinte escudos
embrulhados num sorriso na palma da tua mão
no alpendre da tua casa aos domingos à tarde.
que saudade da lisura da tua bondade
poema vivo da minha juventude
o pão fumegante saído do forno
recheado de petingas temperadas de azeite
que as tuas mãos calejadas me ofereciam.
outrora crescia-me a água na boca feliz
hoje as memórias humedecem-me o olhar.
aqueles degraus rasos de pedra
onde saboreava o delicioso manjar
são agora o tempo a latir o silêncio
as intempéries levaram o teu rosto
a nitidez da perda é a matriz do meu longe.
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quinta-feira, agosto 13, 2009
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06 agosto, 2009
dedico-te estas palavras

dedico-te estas palavras
com mãos quentes calejadas
dedico-tas por não m’as teres pedido
germinaram dos meus olhos sem teias
são sinceras, rainhas e plebeias
são a travessia branca da minha alma
a metamorfose de mim na palavra toda
um voo oblíquo de matéria ardente
um silêncio habitável por toda a gente
respira este lugar calmo transparente
na invulnerável superfície da página
vive medita e lê como quem sente
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antónio paiva
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quinta-feira, agosto 06, 2009
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30 julho, 2009
Ode ao Arquipélago da Madeira e Porto Santo [abraçando as Desertas] (cont.)
II
gosto de me pôr à janela desta ilha que habito
a olhar o grande oceano em azul majestoso
a minha dimensão é do tamanho do que sinto
sou tantas vezes livre quantas vezes me liberto
só eu sei o que o meu pobre corpo vibra
quando a alma dele se evade e poisa nos canteiros
há flores de todas as cores perfumes sem dores
uma ilha nunca será pequena como a dizem
pois a partir dela se pode ver a dimensão do mundo
combater o tédio compreender sem destruir
sinto que destruir é esquecer de amar
esta ilha ensinou-me a amar desde que me acolheu
alimentou-me dos seus seios esplendorosos
resgatou-me ao cansaço ofereceu-me o seu generoso regaço
toda esta ilha é um majestoso corpo de mulher
onde se adivinha o amor estendido nos braços dos homens
abençoado pela mão despida do oceano
imagino Gonçalves Zarco a desembarcar
para além das naus traria certamente o sol nos lábios
nos olhos o êxtase que o belo ao homem sugere
no rosto o espanto pela sensualidade do verde e azul
estremecendo de prazer no rasgar do véu feito de bruma
entre mar e céu festejos de pupilas dilatadas no calor da terra
visão inesquecível e comovente para pintores e poetas
tocantes sinfonias de vida e alegria nascem nesta pauta feita ilha
a mão do homem que tudo muda mas a essência e o amor permanecem
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antónio paiva
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quinta-feira, julho 30, 2009
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28 julho, 2009
Ode ao Arquipélago da Madeira e Porto Santo [abraçando as Desertas]
I
perdoem-me o atrevimento de querer contar
cantar e encantar uma ilha um arquipélago
perdoem-me porque por amor se cometem loucuras
é indelével esta minha paixão pelos recantos e encantos
e tento por palavras esculpir o que sinto
às vezes deliciado outras incrédulo num sonho de escrever
tudo o que eu possa escrever não passará de um rascunho
ainda que sentido e fiel ao amor por tanta e indizível beleza
tanta História e labor trespassa a minha pobre mente
um efeito prolongado e decisivo sobre tudo o que há para fazer
viver sentir e preservar a dar forma ao que somos e às nossas vidas
só os mais distraídos não darão conta
do sangue dos nossos antepassados a correr dentro de nós
misturado com o nosso a irrigar cada ser único e irrepetível
a tudo isto se junta o que é grande e magnífico como o oceano
um véu azul e transparente onde se vê a alegria
até à raiz mais nobre e profunda dos rochedos vigilantes
erguem-se imponentes e majestosos os picos
beijando intencionalmente as nuvens fermentando as brumas
bem-aventurado arquipélago bafejado pela harmoniosa anarquia
de paisagens tão diversas e antagónicas na profusão de cores
rochedos cascatas ribeiros levadas abruptos desfiladeiros
manta de cores nas copas dos arvoredos terra húmida e fértil
flores de cores intensas e aromas densos a despertar tórridas paixões
tão tórridas quanto a aridez selvagem das Desertas
por toda a parte sons misteriosos da azáfama da Natureza
o canto das aves a graciosidade escultural do lobo-marinho
perante tão intensas sensações a mente rejubila de contentamento
e o corpo pede repouso no dourado e quente areal de Vila Baleira
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terça-feira, julho 28, 2009
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08 julho, 2009
breve ensaio à inércia

um e outro a ilusão de cada um de nós,
na bruma perturbada pelos gnomos do silêncio.
indescritível dor de gozar a calma do exílio,
na tela húmida de um tédio irreal e vago.
respiramos o ar intensamente neutro e mole,
como o cerimonial da cauda de um gato dormindo ao sol.
assim nos imaginamos felizes rindo,
num tocar de pés nus a plausível necessidade dos vivos.
um lábio toca outro lábio habitando juntos,
a mesma boca o mesmo rosto a mesma inércia alada.
um cansaço é a sombra de outro cansaço,
uma súplica uma exigência ao direito de não fazer nada.
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quarta-feira, julho 08, 2009
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30 junho, 2009
ouves-me lucy?
que silêncio tão grave, a ferir-me os tímpanos só o eco dos teus pensamentos; na próxima semana tens de ir ao salão da bety e talvez faças umas nuances. serão ténues e discretas como um remédio inútil. – notas alguma diferença em mim? – o que foi que te aconteceu lucy? o teu olhar ficou sombrio e contraíste as maçãs do rosto, notei algum esgar de ódio nos teus olhos; repetiste – notas alguma diferença em mim? – lucy passa-se alguma coisa de grave contigo? – começo a ficar preocupado; – diz-me lucy? – és mesmo estúpido, não vês que fui à bety? ia responder-te mas só encontrei a porta a bater-me no nariz.
eu nem sequer conheço a bety. disse a mim mesmo. conheço é o cajó, o tipo que me apara o cabelo e me põe a par das merdas que se passam no futebol, e nos intervalos me fala das gajas boas que estão nas capas das revistas, que me dá a ler enquanto espero pela minha vez, depois pago a conta e saio, só volto daí a dois meses. sem nuances. já me basta a falta de cabelo que se agrava a cada dia. – lucy, diz-me; – alguma vez te perguntei se notavas alguma diferença em mim? não, porque sei que odeias o meu pentear, tanto quanto odeias as cores que escolho nas cuecas que uso. nunca me perdoaste o não te deixar escolher-me as cuecas.
ao longo destes anos todos sempre que te contrario em alguma coisa, há mais uma coisa que passas a odiar em mim. não suportas quando leio e ouço música clássica. sou um parvo com mania de erudito, assim me baptizas enquanto me vomitas mentalmente, sentada no sofá a folhear a elle, com o canal fashion ligado. é neste sono de dizer que anulamos a febre de ser, mastigando azedas que colhemos no vaso onde deitamos sementes e germina a tolerância anémica. é lucy, assim nos vamos suicidando aos bocadinhos; porque, supostamente para nós, nós são os outros, se não são, deviam pensar e sentir como nós, sendo nós.
ouvi-te pensar que este fim-de-semana levamos os meninos a casa dos teus pais. sim lucy eu ouço-te pensar. e levamos porque a semana passada levámos os meninos a casa dos meus. é nesta democracia paliativa que suportamos as nossas vidas e nos suportarmos. é a realidade de cada um de nós que nos impede de existir. tu não suportas os meus pais e eu não suporto os teus. os teus não me suportam e os meus não te suportam. espera lucy, estou a ser impreciso; o meu pai gosta muito da mãe dos seus netos, e acho que tu também gostas dele. agora sim, agora é que está bem, foi reposta a verdade inócua.
lucy agora experimenta ver se consegues ouvir o meu pensamento; é a ironia que nos impõe tarefas, e, no privilégio que nos é concedido por uma horrorosa reciprocidade. – sim lucy!, este fim-de-semana levaremos os meninos a casa dos teus pais. de outro modo colocaríamos em causa a monotonia das nossas vidas inconsistentes. e o tédio é o nosso sentimento mais bem definido. porque nos faz sentir culpados e a culpa nos faz sentir pena de nós. habitamos uma espécie de depressão, cujos ganhos secundários nos são preciosos. uma atmosfera de gozo trágico na excitação que o sofrimento nos proporciona.
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terça-feira, junho 30, 2009
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26 junho, 2009
22 junho, 2009
Índole
Nesta vida povoada de escolhos, a sorte, é na maior parte do tempo, uma criada aleijadinha que nos serve o chá, saltitando ao jeito do infortúnio. O carácter um criado maltratado e ignorado, a que não se dá o devido valor. A honestidade um empecilho à vaidade. Caminha-se na rua rodeado de tudo sem nada ver, tal é a cegueira da fama e ambição. A verdade é um incómodo.
Há algo que não me canso de repetir até para mim mesmo; os sonhos são de construir, os sonhos são de construir. Ser crente em algo, é expor a dúvida, assumir a imperfeição, a necessidade de valorar a existência. Nenhuma fé vale mais do que outra, nenhum tipo de fé deve ser imposto a outrem, se isso acontecer deixa de ser fé, assumindo o rosto de fanatismo. Não acreditar em nada é habitar o vazio.
A liberdade não é um direito, é um dever. Sábio é aquele que conhece e estima o valor dos valores. São raros os que conseguem viver a plenitude da vida, os que o conseguem entregam-se-lhe de corpo e alma, por lhe terem um amor inteiro. Mais vale uma pausa serena do que agir inutilmente. Por muito que se porfie, o acaso não vende a sorte. Nem a verdade é um lago onde se banhem os ignóbeis a seu bel-prazer.
Uma virtude não é, nem pode ser, um lapso, um eco vago, tão-pouco uma subjectividade. E, se alma de um ser humano se pudesse libertar dele, revelaria por certo toda a verdade, que a mentira do corpo aprisiona. Quem dera que num qualquer Abril ou até Dezembro, numa revolta despida de intolerância, as almas se libertassem dos homens. Expondo as vergonhas, para que os homens sintam nas dentaduras, todas as dores que lhes causam.
E quanto mais medito em tudo isto, maior é o desconsolo que me invade. O cansaço das caras do costume. A pobre substância dos factos, o bolor dos actos vestidos de hábitos antigos, repetidamente repetidos. E quanto mais abro os olhos, o que mais me é dado a ver são antolhos. Um enredo orgânico de fingimento agoniante. Há no entanto, ar, terra e mar, há o amor, onde a minha consciência me dita o dever de repousar.
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segunda-feira, junho 22, 2009
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11 junho, 2009
ipsis verbis
sou por natureza um tipo meio distraído e, quando vou a dar conta, tenho cá em casa; o sócrates, a ferreira leite, o vital, o rangel, o louçã, o portas um e o portas dois, o melo, o jerónimo e a ilda e mais uns quantos grãos de poeira, que na grande maioria não sei identificar, é cá uma poeirada, um autêntico buraco negro, que me torna os dias absolutamente irrespiráveis.
vejam lá bem, que até o aníbal, no passado dia 10 de Junho, me entrou sorrateiramente pela janela logo de manhã, e só saiu quando eu me fui deitar, já era madrugada do dia 11.
como era dia da pátria a selecção nacional ofereceu-me um empate, cedido por especial favor, por uma humilde congénere tão a leste, como o empenho dos bravinhos lusos. ai que saudade do mata mata. o tipo não era luso, mas falava a língua de camões e, ganhava jogos. isto para além de dar uns tapa em quem se atrevesse a tocar nos minino.
ai que saudade do mata mata, a malta bem que o podia contratar para dar uns tapa, na poeira política, que me entra, que nos entra, casa adentro, e nos toca sobretudo onde nos dói mais.
o caló, que é taxista, e percebe muito de futebol e de política, é que diz ter um bom remédio para tratar desses gajos todos, só que, eu como sou um moço bem educado, não me atrevo a reproduzir aqui a receita.
não tarda sai-me a primavera pela janela e entra-me o verão pela porta. as vizinhas já andam a pendurar biquínis e tanguinhas no estendal; a coisa promete.
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quinta-feira, junho 11, 2009
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01 junho, 2009
tu criança

tu criança
que do amor
és o fruto perfeito
sim tu criança
porque hão-de
almas satãs
roubar-te o que é teu por direito
sim tu criança
porque hão-de
infernos humanos
destroçar o teu arco-íris
sim tu criança
porque hão-de
canalhas malfeitores
apoderar-se do teu sonho inocente
in “Janela do Pensamento”
antónio paiva
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segunda-feira, junho 01, 2009
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