21 novembro, 2012

Dá Alpina ao menino, Abílio!


Dá Alpina ao menino, Abílio! Dá Alpina ao menino, Abílio! Gritava a mãe debaixo do telheiro no pátio a fazer palitos de flor.

Não dou! Não dou! Esta comprei eu no Toino da Venda com o meu dinheiro! Respondia o Abílio aos berros na cozinha de paredes encardidas pelo fumo, na trempe a panela negra como a fome cozia couves quase todos os dias.

O menino chorava alto até se esquecer.

Era um desassossego diário à dejua e à merenda, sempre que o Abílio conseguia desencantar uns tostões por via de qualquer ajuda que prestava a um ou outro vizinho, e lá ia ele ao Toino da Venda. Sim, era à dejua e à merenda, que pequeno-almoço e lanche só se usavam na vila.

Lambuzava-se o Abílio com Alpina espalhada na broa de côdea queimada a propósito na cozedura para amargar e travar a gula.

Os gritos da mãe, os berros do Abílio e o choro alto do menino, ecoavam aflitos pelos quelhos e telhados do casario da aldeia, quintais e poios até se perderem em eco pelos pinhais.

Um retrato de há décadas, que está a renascer, como se fosse o destino de toda a gente – ou quase toda – para melhor dizer.

20 novembro, 2012

ou a vida

porcos sem asas cuja ambição é sujar o mundo. mas atenção; boas intenções não bastam para erguer uma obra de arte, ou a arte em livro. ou a vida meus senhores, ou a vida minhas senhoras. esta noite ouvi o pio da coruja, tinha uma alma dentro. depois ouvi o cão do vizinho a ladrar, tinha pelo menos duas almas dentro. depois chegou o Luis Pacheco e a seguir o Alexandre O'Neill, a partir daí não houve mais sossego. voámos por cima dos telhados, eram três da manhã, enquanto os outros aproveitavam o sono, uma mulher atirou-se do último andar com a vida suspensa pelos cabelos, e nós transpirámos nas nuvens a tocar flauta até o vento ficar dorido.

01 novembro, 2012

um país finado(s)


Um (des)orçamento aprovado na generalidade na véspera do dia de finados - um feriado finado – pela maioria finada de que tem ao colo um (des)governo finado. Com sua santidade D. Aníbal – calado – obviamente também (con)finado à sua religião adorada – o silêncio tabu – ou a cobardia mal-educada de mastigar bolo-rei.

O cê e o guê, apostados em castigar este povo piegas e mandrião, que só pensa em educação e saúde de graça, que tem a ousadia de exigir as reformas para que descontou a vida inteira. É notório e visível a olho despido, quer no cê quer no guê, aquele semblante carregado de asco ira desprezo e ódio – ah povo malandro avezado a costumes crenças direitos e feriados! - está lá tudo, naquela cólera de lixo.

Somos (des)governados por um bando de púrrias. Que se riem despudoradamente tal e qual coveiros estúpidos enquanto nos enterram vivos no parlamento, nos gabinetes e nos banquetes.

E tu povo? Estás encostado à parede que nem musgo. Vais acabar por esquecer o caminho para a escola. Vais adoecer e morrer a caldos de galinha. Vais resignar-te a ser pobre e humilde como a terra que trabalhas, fazendo renascer a profecia do botas? Estás à espera que a Bandeira ganhe unhas para não lascares as tuas? Uma espécie de troncos com olhos mas sem cabeça. Floresta a definhar, homens-árvores de onde só cai noite. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. A dormir. A dormir. A dormir em enxergas de névoa.

31 outubro, 2012

coisas de pasmar

hoje à tarde, com o país e as pessoas numa lástima, com tanta coisa a acontecer que nos afecta a vida irremediavelmente; o canal da RTP Informação a vender frigideiras a 39,99€. serviço público, não haja a menor dúvida.

27 outubro, 2012

respirando

como é bom vegetar numa imensa paisagem de palavras, alisar o mundo e aquecer as mãos. - silêncio de ler - agora despeço-me sem pena de mostrar alguma alegria.

14 outubro, 2012

apenas por necessidade de respirar

os conhecidos que não me conhecem:
não sabia que você era escritor.

eu que mal-me-conheço:
sim, às vezes sou escritor; outras acho que sou; outras vezes apenas pareço que sou, outras nem isso.

23 setembro, 2012

de outro romance em construção


      Querem-nos como caracóis, invertebrados rentes ao chão dos muros sem largar baba nem ranho a definhar numa caminhada lenta e agonizante sem nenhum destino. Faz muito tempo adormecemos colectivamente em certo reinado e filiparam-nos durante seis décadas, passado esse tempo, segundo reza a História, foi durante uma soneca dos malfeitores que levantámos cabeça e recuperámos o território e o orgulho. Agora adormecemos de novo e vieram os trividentes, sentaram os seus ilustres traseiros em cima de nós e cá estamos uma vez mais sem honra nem glória, numa espécie de sossego dos iludidos. Era nisto que pensava o Seixas, sentado numa pedra como se velasse um pássaro morto, na Ponta dos Corvos.

03 agosto, 2012

poema quase bucólico

nestes rochedos pejados de séculos,

os tabaibos debruçados nos silêncios das escarpas.

há esta frescura marinha,

sopros de fadas das brisas, instantes de sonhar neles.



gnomologia  que me retém,

numa acalmia quase alheia desenhada pelos elfos.

neste mar raso de ondas,

isento de tédio humano há um barco feliz a soluçar.



não há rugas na minha alma,

embevecida pela ternura dos murmúrios das aves.

fico por aqui esquecido do tempo,

alimentando o sonho para do sonho poder viver.

05 julho, 2012

Livraria Parlamentar - Assembleia da República



Dia 3 de Julho, na apresentação dos livros Memória das Cidades e Máscara da Luz, de Vítor Cintra e António MR Martins.

28 junho, 2012

Apresentação do livro "Memória das Cidades"



Na próxima terça-feira, dia 3 de Julho, a partir das 18:30, estarei no local indicado no convite a apresentar o livro de poesia "Memória das Cidades" do poeta Vítor Cintra, trata-se de uma extraordinária lição de História, compilada em verso.
Cliquem na imagem para uma informação mais completa e, compareçam.

17 maio, 2012

Apresentação da Revista ALEF em Ponte de Lima



No próximo dia 1 de Junho, estarei presente em Ponte de Lima, na Apresentação da Revista de Literatura Ibero-Americana, ALEF.

A ter lugar no Arte e Baco às 21:30

A revista terá nesta edição a plublicação de poemas meus e de mais três autores portugueses, bem como as repectivas fotos, notas biográficas e bibliográficas.

Para que isto fosse possível, foi fundamental o empenho e a dedicação do meu amigo escritor e poeta, José Ilídio Torres.

Aos amigos e leitores que estiverem por perto, deixo aqui o convite em jeito de desafio para que compareçam.

25 abril, 2012

Para mim Abril também tem este significado!

Enormes são aqueles que se entregam a construir o impossível.

Assim foi Miguel Portas e continuará a ser porque o seu exemplo vai perdurar para além da sua existência terrena. E, a grandeza de um ser humano, não tem cor partidária - é, isso sim; património de um povo, de um país, que é o nosso - Portugal.

Abril Sempre! Mas Também!

A propósito de liberdade:

A liberdade não é um direito, é um dever!

No meu curto entendimento, acho que se ela fosse assim encarada, a situação seria muito melhor, quer no nosso país quer no resto do mundo.

Mas isto é o que eu acho, sei lá; sei lá quanto vale o que eu acho – sei lá.

07 abril, 2012

excerto de romance em construção


… – Não sabemos de uma palavra, não sabemos de uma ideia, que nos recomponha e nos recomponha a vida – não temos e não sabemos. Mas o que é uma palavra?, mas o que é uma ideia? mas o que é recompor a vida? – mas o que é a vida? Silêncio. E eu desligado e dissimulado nas sombras do escritório. A casa deserta. Eu abismado perante a ausência que nos ocupa a casa toda; e nós somos como a nossa casa – apenas e só habitados pela ausência – ou a casa não fosse a nossa.

[Breve virá a noite]

     Aqui estou enrodilhado no que me atormenta – e eu que em tempos sabia o que era audácia – e agora este inverno de futuro; e agora?

19 fevereiro, 2012

Lançamento da Antologia de Poesia Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho" Volume III



No próximo dia 25 de Fevereiro às 15:30h, será efectuado o Lançamento da Antologia de Poesia Contemporânea “Entre o Sono e o Sonho” Volume III. A ter lugar no Zeno Longue – Casino Estoril.

Da qual tenho o privilégio de fazer parte.

Edição da Chiado Editora
Selecção e organização de Gonçalo Nuno Martins

31 janeiro, 2012

ainda a dizer-me, sei lá...


em pousio - acometido de um surto de pardo sossego; já que escrever não é tarefa, ler não é ocupação, inteligência é coisa que a ignorância não suporta. quero lá saber; até porque cultura não é ministério é secretaria. antes de sair vou ousar - coloco um broche alaranjado na lapela - rosa já não é moda.

30 dezembro, 2011

Mensagem

DESEJO A TODAS AS MINHAS LEITORAS E LEITORES, AMIGAS E AMIGOS UM GENEROSO ANO DE 2012!

Bem sei que as coisas não serão fáceis, mas acredito que é possível.

Um abraço.

22 dezembro, 2011

6º aniversário desta pastagem

E, de facto assim é; seis anos passaram desde a primeira semente. E, de facto assim é; poucos, muito poucos, gostam de nós e são nossos amigos, sem mais. Muitos, quase todos, gostam de nós apenas por interesse, seja ele de que espécie for. Eram tantos(as) os/as amigos(as) desinteressados(as) que eu cheguei a estar convecido que tinha, mas afinal nunca tive.


Um abraço e passem bem, que por aqui também se procura passar o melhor possível.

21 novembro, 2011

já era para ter dito, mas digo agora

hoje nem as palavras conseguem sossegar-me; a tempestade da alma não se apaga. há um grito que me queima a língua. estou à minha espera para fugir. se conseguir adormecer vou pensar em mim. prometo.

19 novembro, 2011

de novo a dizer-me


poucos foram os dias em que não te amei verdadeiramente – vida. é por isso que quero morrer sem presas – vida. estou a construir uma quilha de barco no meu peito; para contigo navegar eternamente no mar-alto – vida.

15 novembro, 2011

continuo com esta necessidade de dizer


se pinassem menos podíamos comer melhor; assim pensava o filho mais velho de uma família numerosa – todos sentados à mesa entretidos no jogo de pescar pequenos farrapos de couve que nadavam no prato de caldo aguado – a irmã do meio celebra contratos de dez minutos, um quarto de hora ou meia hora para poder ir à pastelaria adocicar a existência. e chove; chove copiosamente, não há lugar onde mais chova que na pobreza. e chove; chove copiosamente, perdoem-me o que por vergonha omito, quer na dureza, quer na linguagem, porque na verdade, entre outras coisas, o que eu queria mesmo escrever, era: se fodessem menos…, era; era tanta coisa, lá isso era…

12 novembro, 2011

era-me necessário dizer

sou uma criança que envelheceu, apesar disso; continuo a ser uma criança, continuo a gostar de amoras, digo-o tantas vezes, que é com alguma mágoa que vos dou conta da tristeza sentida, por nunca terdes dado conta que vos disse o que disse tantas vezes. as pessoas são como os telhados: quando falamos estão sempre lá em cima e sonâmbulas. o que me vale são as outras crianças que me dizem: és um violino sonhando constantemente com um mundo diferente.

16 outubro, 2011

a depressão de todas as depressões

sob o inexplicável estio há uma chuva estranha e ácida que cai sobre a gente humilhada; as cidades oferecem o poder ao primeiro que as fizer cantar. a esperança já não é suficiente; aproxima-se o momento em que tudo vai implodir sob a ameaça de decisões impossíveis de resultar.

29 julho, 2011

excerto - 2

às vezes as grandes cidades são dolorosas e íngremes; sendo obscenamente sufocantes, o ar é tão escasso que os que nelas vivem fenecem sob o desígnio de um sorriso nebuloso. as pétalas não são pétalas; são páginas e páginas de necrologia ao fim-de-semana, sem glória, ao fim-de-tudo, e os automóveis decepam as lágrimas.

26 julho, 2011

excerto - 1

ando a riscar ideias mentalmente, e por acaso a semana passada comi amoras silvestres, eram bem boas. por aqui o sino da torre continua a levar pancadinhas do badalo de quinze em quinze minutos. o ponteiro gordo do relógio muda de hora em hora, e o palerma do ponteiro comprido salta de minuto em minuto. às meias horas o badalar aumenta, à hora certa é um desassossego.

08 julho, 2011

O meu novo blogue

Siga o link Oficinas de Escrita Criativa, leia e diga o que lhe aprouver dizer, se lhe aprouver dizer alguma coisa, claro está, e, já agora, se não for pedir demasiado, por favor divulgue.

Grato.

07 julho, 2011

Oficinas de Escrita Criativa - Lisboa

Oficinas de Escrita Criativa, nos dias 16 e 23 de Julho, no Campo Grande, nº 56, Sala Dublim, em Lisboa.

Público alvo: jovens e adultos a partir dos 14 anos de idade.

Para mais informações e inscrições contacte-me através do email: antoniopaiva21@sapo.pt

agiotagem é crime!!!

há coisas tais, que me impedem de passar ao lado; de ficar à margem e, não é necessário ser especialista na matéria, para saber avaliar que aquilo que os tipos da moody´s estão a fazer a Portugal, é agiotagem pura e dura! ora, que eu saiba, e julgo saber bem, agiotagem é crime!!! por isso: punição urgente e exemplar aos AGIOTAS!!!
lembro-me bem, de ainda há bem pouco tempo o nosso PR, dizer com elevada parcimónia e "elevado sentido de estado(?)": que não podíamos maltratar os mercados e que os devíamos respeitar; pelo vistos agora já não pensa da mesma maneira, é caso para dizer: TARDE PIASTE!!!

02 julho, 2011

Oficinas de Escrita Criativa - Seixal

Inscrições abertas para Oficinas de Escrita Criativa, no Seixal, destinadas a crianças e jovens a partir dos 9 anos de idade, a terem lugar na Activ@Mente, Espaço de Educação e Cultura.

Para mais informações e inscrições visite o site http://www.activamente.pt/ ou entre em contacto através do seguinte endereço de correio electrónico: activamente.educa@gmail.com

Este Verão proporcione aos seus filhos a possibilidade de descobrirem e desenvolverem as suas capacidades criativas permitindo-lhes que naveguem no maravilhoso mundo das palavras e da escrita.

30 junho, 2011

Oficinas de Escrita Criativa - Lisboa

Oficinas de Escrita Criativa, nos dias 9, 16 e 23 de Julho, no Campo Grande, nº 56, Sala Dublim, em Lisboa.

Público alvo: jovens e adultos a partir dos 14 anos de idade.

Contacto para mais informações e inscrições: antoniopaiva21@sapo.pt

02 junho, 2011

01 junho, 2011

é pacote!!!, não é, pack!!!

ainda hoje, muitas pessoas e empresas, nos aliciam com o pacote, um pacote disto, um pacote daquilo, um pacote assim, um pacote assado, um pacote mais bem composto, ou um pacote mais escanzelado, enfim; uns e outros oferecem o pacote que têm, para oferecer. no tempo da minha avó Maria e da minha mãezinha Lurdes, na mercearia também era tudo aviado no pacote, um pacote de 100 gramas de colorau, um pacote de 250 gramas de café, um pacote de 500 gramas de açúcar amarelo (o mais barato à época). e, o pacote era feito ali na nossa frente, em papel pardo, ou mais fino quando a mercadoria o justificava, mas a verdade é que o pacote era feito destreza e mestria à frente do cliente e aviado de imediato.

no entanto, hoje por cá, com a tendência desmedida, dos tão sábios, para abastardar a língua portuguesa, há até quem afirme que a "lululizaram", vendendo a pátria e a honra ao desbarato; querem e exigem que compremos ao pack, ele é o pack de iogurtes, o pack de meias, o pack de cuecas, ora aprovam pack, ora chumbam pack, etc...etc... e, o pior de tudo, é que o pack disto ou daquilo, não é feito à nossa frente, é tudo feitinho com muita arte e engenho, nas nossas costas.

por isso; aos de pacote, recomendo que cada um vigie e guarde o seu, o melhor que souber e puder, e que o continuem a usar e a fazer com a classe e a dignidade que o pacote merece. aos de pack, quero lá saber como são aviados e servidos; aguentem-se!

31 maio, 2011

Lançamento do livro "À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas" na Livraria Leya na Barata - Lisboa

Da esquerda para a direita; o jornalista José Eduardo Meira da Cunha, a escritora Cristina Carvalho, eu, e o editor Pedro Baptista.
Dia 28 de Maio, uma tarde memorável!
Obrigado.

24 maio, 2011

Apresentação do Livro "À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas" - Coimbra


(clicar na imagem para ampliar)

...

o teu corpo é um lago


onde mergulho até perder os sentidos


despindo a água por inteiro, morro na tua sede.

05 maio, 2011

Lançamento do livro "À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas"


(clicar na imagem para ampliar)

Saiba mais sobre o autor e os seus livros em www.antoniopaiva.net


28 abril, 2011

À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas


(clicar na imagem para ampliar)

Amigas e amigos, leitoras e leitores, o meu novo livro vem a caminho, e já tem data e local de lançamento:
Sábado dia 28 de Maio, às 16:30, na Livraria Leya Barata, Avenida de Roma, em Lisboa.

Mais adiante darei mais pormenores.
Um abraço e até já!


25 abril, 2011

a propósito de liberdade

a liberdade não é um direito, é um dever!

02 abril, 2011

Escrita Criativa, com António Paiva


Clicar na imagem para ampliar.

21 março, 2011

Primavera

também eu nasci com ela e acabo por renascer em todas elas.

11 março, 2011

mensagem

a percorrer os caminhos-de-dentro...

fiquem bem e até um dia destes!

11 fevereiro, 2011

o pardal é um poema

o pardal é um poema;

tanta pena, tanta pena;

tantos ais, tantos ais;

escorrem lancinantes dos beirais;

temos pena, tanta pena, tanta pena;

a idosa estava morta atrás da porta;

não se abriu a porta por não cheirar mal.


o pardal é um poema;

nunca o seria não fosse tanta pena;

mas de facto o pardal é no seu todo um poema;

porque a idosa devia ter perecido de porta aberta;

e mais!, a idosa depois de morta foi perniciosa;

não pagou à “sociedade” o devido tributo.


vai daí o “estado” impoluto;

processou-a generosamente sem abrir a porta;

vendeu por tuta-e-meia o seu “jazigo”;

porque mesmo morta, devia ter pago e;

antes de morrer o seu dever era abrir a porta;


o pardal é um poema;

temos tanta pena; tanta pena, tanta pena;

tantos ais, tantos ais, escorrem lancinantes dos beirais;

temos tanta pena, tanta pena, e o pardal é um poema!

31 janeiro, 2011

um olá e um breve excerto de algo a editar talvez em breve

Escorrem harmoniosos os sons da melodia, “O Quel Beau Bouquet de Fleurs” de Gheorghe Zamfir, numa tentativa de derrubar os muros da desarmonia que lhe vai na alma. Lenta e dorida surge a escrita, no ardor dos braços cansados, de tanto remar contra marés. Anda por aí um exacerbado exército a semear antolhos. A cercear horizontes. A anestesiar incautos. Há um sono colectivo a fazer jus à lei-do-menor-esforço. O mais certo é um destes dias haver um mendigar colectivo por uma côdea de respeito. De momento há o recurso ao bordão da resignação e da incúria, já que a sacola está rota. O ser humano, tem uma tendência desmedida, para circundar a orla do abismo, Salvador sabe-o bem, observador atento do exercício de todas as tramas.

22 dezembro, 2010

5º aniversário desta pastagem

são muitas as vezes em que faço chorar as palavras, são muitas mais as vezes que por elas choro. por elas tenho passado tanto tempo a despir a noite.

por mim, pelos amigos e leitores;

as palavras serão o meu alimento e a minha bandeira!

Boas Festas e, se puderem sejam Felizes em 2011.

22 novembro, 2010

António Paiva na Escola Secundária de Barcelos

No âmbito da Feira do Livro promovida pela Secção de Português e pela Equipa da Biblioteca Escolar, o escritor natural de Vila Nova de Poiares, António Paiva, estará presente para um encontro com alunos de ensino secundário. Este decorrerá no dia 06 de Dezembro pelas 10:30 e inaugurará a Feira que estará aberta até ao dia 10 de Dezembro.

17 outubro, 2010

outrora; o mar cheirava a maresia

outrora; Vasco da Gama e seus pares fizeram uso de caravelas para irem em busca de ouro e especiarias. hoje; estes sacanas afundam-nos com submarinos, levam-nos os aneis e os dedos, porque o ouro já há muito que sumiu. outrora; o mar cheirava a maresia, hoje cheira a gatunagem.

13 outubro, 2010

seriamente e a sério

há ladrões que o são seriamente e a sério, tão seriamente e a sério, que nem – a justiça? – ousa colocar em causa a sua honestidade. é neste terno e doce humanismo; que os que são honestos seriamente e a sério, empobrecem seriamente todos os dias e a sério.

27 setembro, 2010

quem lhe desse uma pancadinha carinhosa no toutiço

dói-me o meu próprio embaraço, sempre que apalpo o meu desconforto intuitivo. a maior parte do tempo apetece-me encerrar; antes que esvazie a destempo as minhas prateleiras da lucidez. embora não duvide que ainda estou lúcido e capaz de enfrentar toda e qualquer coisa em forma de gente e, apesar de em tempos um ignóbil habitante de Jericó, se ter deslocado à beira do rio com o firme propósito de me surrar até à medula dos ossos, a verdade é que todo ele se me parece doente de morte. tomba e rola, tomba e rola; desmorona!, apresenta sinais de musgo, fungos e, onde outrora já exibiu penachos, surgem um pouco por todo ele crostas de pura demência. quem lhe desse uma pancadinha carinhosa no toutiço, repito; carinhosa, que não sou fã de violência, nem quero que a vã criatura afanique aparatosamente. desejo-lhe acima de tudo uma comoção com estilo e a gosto. e, que; quando chegar a sua hora, venha o anjinho da carroça nocturna e o leve em bem…

11 setembro, 2010

retalhos

...
a vida mente-me, as pessoas mentem-me. eu recolho as redes tranquilamente e depois minto-lhes também. mimetismo derramado em gestos; riso, choro, recusa, anuência, desejo, negação, ausência, presença, partilha, egoísmo, inveja, reconhecimento, amor, desamor, renúncia e recomeço.
umas vezes sou mais, outras sou muito menos, outras ainda volto-me as costas, outras tantas vejo-me na íntegra. espectro de querência durante a manhã, lugar de esopo ao entardecer, porque os espelhos mentem todas as noites. há em mim uma longanimidade intermitente, por vezes bálsamo, por vezes autoflagelação.
sou capaz de amar entre as fases da lua e nos plenilúnios, não sou capaz de viver sem um amor que acasale com o meu, ainda que eu seja a maior parte do tempo um rio de ausência. nem sempre é fácil transpor o pórtico ogivado e chegar até mim, no entanto rendo-me facilmente à surpresa do gesto, à delícia de me deixar escorrer pelo mel dos lábios, com os olhos marejados de sal.
...

04 setembro, 2010

Recensão Crítica a Livro Imperfeito de António Paiva

Recensão crítica a Livro Imperfeito de António Paiva, publicada na Revista brasileira online TODAS AS MUSAS, Revista de Literatura e das Múltiplas Linguagens da Arte.
www.todasasmusas.org

A imperfeição ganha corpo (de letra) – Tiago Aires

Professor de Língua Portuguesa e Português do 3.º ciclo e Ensino Secundário no Colégio D. Diogo de Sousa – Braga, Mestre em Literatura Românica, Estudos Brasileiros e Africanos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A quem leu e a quem não leu o livro, sugiro que sigam o link
http://www.todasasmusas.org/03Tiago_Aires.pdf acho que vale a pena despender algum tempo na leitura do artigo.

16 agosto, 2010

falta-me o sorriso de gioconda

por não ser dotado do sorriso de gioconda, sento-me na cadeira dos alívios, de olhos atentos no nada, evacuo de modo lento cansado e triste. distraio-me com a nudez mortal dos azulejos esverdeados que revestem as paredes. estou deprimido; remeto-me a estes monólogos escanzelados, pequenas manchas de textos marginais. grassa por aí uma pobreza que não é assumida, e não o é; por ser de matriz cultural. o “botas” bem que nos tramou; quando vociferou que: “o povo português devia ser pobre e humilde como a terra que trabalhava”. a verdade é que o povo português o levou a sério, tão a sério que a profecia do “botas” vigora como lei. maldito sejas ó “botas”!, devias ter caído da cadeira muito antes de nos teres amaldiçoado irremediavelmente!!!
nota:
este texto foi criado antes daquele que o precede

15 agosto, 2010

o disparate estala como ouriço de castanha

cá estou eu de novo na cadeira dos alívios; sofrendo de intoxicação de arrotos provincianos. e, como a paciência não põe ovos, não tenho omeletas de condescendência. [se não me entendem comprem um burro]. e não me estendam olhares lassos, que me pegam essa conjuntivite de idiotice. vá lá; ofereçam-me um sorrisinho subentendido, nos intervalos das bofetadas. raios partam o enguiço testicular de um povo que impede o gozo colossal; é quebranto!; é quebranto!; gritam as mulas e as suas crias. o disparate estala como ouriço de castanha; tornando impossível o contacto com o útero da nação.

10 agosto, 2010

substantivo-te

um gesto de ternura servido numa chávena de chá, um silêncio de açúcar, uma mão dócil compõe melodias manuseando as folhas.

03 agosto, 2010

Sessão de Autógrafos na Feira do Livro da Póvoa de Varzim



No próximo dia 06 de Agosto, pelas 22 horas, estarei presente na Feira do Livro da Póvoa de Varzim, no stand da Papelaria Locus, para uma sessão de autógrafos e contacto com o público, amigos e leitores.

Conto a vossa presença.

Até já!

23 julho, 2010

às vezes escrevo tão perto do que sinto

inclinam-se as palavras na transparência tranquila. o silêncio é um canto branco a repousar sobre o nada. os lábios reúnem-se numa fluidez viva sem intervalos. os corpos são nomes escritos nas linhas do vento. há uma matéria viva e incandescente que ascende em nós e nos torna inseparáveis. suor e luar tudo se confunde quando chove nos poros e na brancura da areia.

14 junho, 2010

apneia humana

esta apneia humana que faz de mim pedra submersa,
às vezes fóssil; crosta calcinada, matriz atroz.
há um óbelo em forma de vespa assinalando as falhas;
uma teia de intempéries a aprisionar-me a boca.
um fluxo sinistro de membranas em elipse;
a estrangular o ventre desta lua de silêncios.


nas casas sonhos arcaicos transcritos prescritos;
silêncios engomados naftalina e bolor salivado.
asfalto sede ruptura caverna muro;
veios traços arestas bocejos e bocas sem beijos.
sexo agudo que sobra da amargura;
há uma luz cega nesta imensa bruma de apneias

04 junho, 2010

coisas dos pés na minha cabeça

os meus pés continuam a andar um atrás do outro; às vezes juntam-se, outras vezes também se separam.

25 maio, 2010

era segredo e agora já não

em breve vou herdar um romance por óbito de um escritor; é uma espécie de infusão de amor e sexo. a musa era uma santa, até que o anjo que lhe habitava os ombros; abriu os olhos, abriu as asas e voou.
foi escrito respeitando a beleza formal da língua, mesmo no mais descarado linguado. por respeito à freirinha dos papos de anjo, não se faz uso do palavrão, nem de gestos obscenos.

[anda por aí tanto sacana e só me restam dois pares de estalos]

18 maio, 2010

Apresentação do Livro Imperfeito na Fnac Leiria


(clique na imagem para ampliar)

30 abril, 2010

mais leve e mais nua

ora flui, ora desliza, ora se eleva, véu feliz sussurrando na transparência da alma, sem temor nos olhos.
entre as linhas do corpo há a baía dos seios, o abrigo das coxas a implorar tremores, a vertigem dos declives, a exaltação.
reparte-se divide-se cada vez mais inteira, entre os gemidos e o fulgor dos silêncios, no prodígio da nudez completa, vibra todo o universo.

[agora dorme serena mais leve e mais nua até à primeira claridade]

05 abril, 2010

Agenda do "Livro Imperfeito"


11 de Abril, às 16:00

Pré-lançamento em Anadia, na Biblioteca Municipal, inserida nas cerimónias de abertura da Feira do Livro.
Apresentação do livro por alunos e professores da Escola Secundária de Anadia e do Colégio Nossa Senhora da Assunção.

11 de Abril às 21:30

Lançamento na Fnac Coimbra, inserido no programa da
Festa do Livro da Fnac
Apresentação do livro por José António e Rafaela Carvalho

14 de Abril, às 16:30

Apresentação em Guimarães, na Fnac Guimarães
Apresentação do livro por Alexandra Cruz Mendes

15 de Abril, às 21:30

Apresentação no Porto, na Fnac Norte Shopping
Apresentação do livro por Sónia Macedo

17 de Abril, às 16:30

Apresentação em Lisboa, na livraria Bulhosa Entrecampos
Apresentação do livro por Ana Correia

24 de Abril, às 17:30

Apresentação no Funchal, na Fnac Madeira
Apresentação do livro por Édison de Almeida


1 de Maio às 21:30

Apresentação em Braga, na Fnac Braga
Apresentação do livro por Tiago Aires
Até já!

21 março, 2010

falta-me a outra margem

falta-me a outra margem; textura de carne rubra. uma febre que me ausculta as têmporas. coxas coroadas pelo baixo ventre em chamas. o sabor. o néctar. os sons que brotam dos seios nas mãos estendidas. as pausas como se fossem gritos mudos. a vertigem dos gemidos penetrantes; como se de uma lua quebrada se tratasse. tenho a memória – falta-me a outra margem.


[por acaso nasci hoje; mas já foi há muito tempo]

[d c; são duas letras e uma alma]

06 março, 2010

magnitude e simplicidade

início do texto o princípio da manhã. na face da folha habita a página, o seio da escrita; vegetação e água viva. entre uma e outra margem; o silêncio é adiado. um barco; uma varanda sobre as águas. os olhos a presença da água; ondulação completa. quilha de gaivota; a rasgar a infinita plenitude. nomes simples; rostos nus. não esperes – habita uma planície.

25 fevereiro, 2010

excerto

o vento uiva lá fora incessantemente dando voz aos sonhos em ruína por todo o universo. qual síntese da minha vida às avessas, nirvana da minha alma. a minha angústia clandestina que não me é permitido confessar publicamente – coisa de frouxos – segundo a lei social vigente. só eles; os frouxos, é que podem ter o descaramento e a fraqueza, de coexistir com a sensibilidade. e podem, por já estarem condenados a pena perpétua. o ceptro da aparência é soberano e impiedoso, brutal e indiferente. não podemos ser em público o que somos no refúgio da alma, porque a ambição odeia contacto da alma com a vida.
ardem-me os olhos, arde-me o corpo desde onde começa até onde termina, nas extremidades o ardor é mais agudo. e quanto mais a minha vida se dilata, mais avultam os defeitos. coisas da fraqueza e desatenção, a tragédia singular da banalidade de uma vida comum. os sonhos intrometem-se na vida e a vida priva-nos deles. só os que têm a coragem de enfrentar o julgamento e cumprir a pena, são capazes de sonhar verdadeiramente, porque acreditam no que sonham, e acreditar no que se sonha, é acreditar que se pode ser feliz.

24 fevereiro, 2010

Tragédia na Madeira

As palavras contam, mas não são suficientes!


DONATIVOS

- Conta nº 1626371377, NIB nº 003800011626371377113 do Banif

- Conta Banif Solidariedade Com as Vítimas da Madeira, NIB: 0038 0040 50070070771 11

- Conta “Solidariedade BBVA – Colabore com a Madeira” NIB: 0019.0001.00200181689.15

- Conta "BES Madeira Solidário", com o NIB: 000700000083428293623

- Conta Santander Totta "Solidariedade com a Madeira": NIB 001800032271378802021

- Solidariedade BBVA "Colabore com a Madeira": NIB 001900010020018168915

- Millennium BCP "Vítimas do Temporal da Madeira": NIB 003300000025125124405

- Barclays "Conta Madeira", 003204700020325226041

18 fevereiro, 2010

no avesso de mim





no avesso de mim narro a angústia, desmonto a insónia. há uma distância surda entre os lábios, uma muralha feita de espera, um silêncio imponderável e agudo que me perfura os tímpanos. olhos marejados de sal sob o véu da ausência. uma fome insuportável de escorrer pelos teus contornos e gritar até ficar rouco. há uma ferida aberta que me consome, dorme, dorme, dorme. já fui abelha em cópula colhendo mel do teu estame. e tu auréola resplandecente em chamas.

19 janeiro, 2010

tão breve quanto breve


a água cai de degrau em degrau como onda que nasce da onda.

11 janeiro, 2010

Curso Escrita Criativa


(clique nas imagens para ampliar)

Darei início ao Curso de Escrita Criativa, no próximo dia 25 de Janeiro, às 18:30, no IFACC – Escola Profissional Cristóvão Colombo, Funchal. O curso de terá a duração de 20 horas, e termina a 29 de Janeiro às 22:30.

Horário de funcionamento de segunda-feira a sexta-feira, das 18:30 às 22:30.

As inscrições estão limitadas a um máximo de 12 participantes.

Para mais informações e inscrição:
Escola Profissional Cristóvão Colombo - Avenida do Infante, 6 - Funchal.
Telefone 291201770
info@epcc.pt
marleneandrade@epcc.pt
Marlene Andrade




01 janeiro, 2010

Bem-vindos a 2010






"Habitar a terra é ser o olhar e a luz/Um mais aéreo e íntimo movimento/Amplitude calma e liberdade"
Façam-me o favor de serem felizes e de fazerem alguém feliz!
E, prá frente que atrás vem gente!
Um abraço enorme para todos vós, deste ser que é o exemplo perfeito da imperfeição.






As fotografias são todas do gajo do costume

22 dezembro, 2009

4º aniversário da pastagem





quatro anos por aqui a semear o pasto, uns com mais sementeira do que outros, ainda assim semeando.
durante este tempo nasceram 5 livros individuais e a participação num colectivo, visitei dezenas de escolas um pouco por todo o país e na ilha onde vivo.
o ano que se aproxima terá um início repleto de novos projectos; um curso de escrita criativa da minha autoria, um projecto de escrita numa instituição que orienta jovens carenciados e um novo livro em prosa, isto para além de diversas actividades que pretendo levar a cabo durante o ano; tenha eu arte engenho e perseverança para tal.
a todos quantos me têm apoiado e incentivado quero manifestar-lhes a minha profunda gratidão e carinho.

um abraço e Boas Festas.

28 novembro, 2009

usufruto

(fotografia antónio paiva)

usufruto dos meus olhos. porosidade da minha mente. ritual das circunstâncias. és tu sol alaranjado quando te deitas e beijas as sombras nas arcadas dos meus lábios.

23 novembro, 2009

destinos nossos

(fotografia antónio paiva)

nem todos os destinos são humanos, e muitos estão para além das ameias do que pressentimos. nem sempre os mastros se vestem de lonas. nem todas as amarras são uma prisão, a maior parte do tempo são elas que nos suportam rumo às conquistas. e sim, todos os destinos são possíveis, como se; se tratasse de algo que sempre nos pertenceu. que se levantem pois as âncoras - que o destino está-nos no sangue.

15 novembro, 2009

Sugestão para Oferta de Natal

(clicar nas imagens para ampliar)

Tendo em conta a época Natalícia que se avizinha, as Caves Castelar com sede em Anadia, decidiram colocar no mercado, um Pack constituído por duas garrafas de vinho tinto Pedaços de Vida e Fantasia, colheita do ano 2000, e um exemplar do livro cujo título deu origem à marca do vinho, e cuja imagem de capa foi adoptada para o rótulo da garrafa. O referido Pack está limitado a 200 exemplares.

Para efectuar encomendas visite o site www.vinicolacastelar.com/, onde estão disponíveis os diversos contactos e, aproveite a oportunidade para conhecer os produtos de excelente qualidade, das Caves Castelar.

22 outubro, 2009

um lábio de utopia






o lábio adormecendo o silêncio
sem ardor nem onda nem espuma
dilata-se o sossego e tudo é oceano

dormiu de janelas abertas à palavra
um sono de transparência breve
ao acordar disseram-lhe;
que o deserto se vestira de verde e azul



10 outubro, 2009

Como adquirir o livro 70 poemas por um sorriso

Para adquirir o livro 70 poemas por um sorriso, deve contactar a APPACDM de Setúbal, através do e-mail appacdmset@sapo.pt

O preço do livro são 5€ mais despesas de envio.

A totalidade da receita reverte a favor da APPACDM de Setúbal

Uma excelente sugestão para oferta de Natal.

14 setembro, 2009

10 setembro, 2009

70 poemas por um sorriso - O rosto do livro


De acordo com o prometido, dou a conhecer o rosto do livro "70 poemas por um sorriso. A capa tem por base uma pintura a óleo sobre tela, da minha estimada amiga Helena Paz. De salientar que a pintura foi criada pela artista propositadamente para a capa deste livro.

07 setembro, 2009

70 poemas por um sorriso

Fixem este título. São setenta poemas, com a firme vontade de proporcionar um sorriso, a todos quantos uma causa nobre abriga e acarinha, neste caso a APPACDM de Setúbal. Lá mais para diante darei a conhecer o rosto deste trabalho.

26 agosto, 2009

anseio

anseio todas as palavras simples,
com a mesma ânsia que encaro o meu rosto.

anseio na escrita de todos os dias,
a memória da memória permeável às diferenças.

todos têm as suas próprias leis,
pedem-me que as entenda,
continuando indiferentes à minha ânsia.

habito sob esta pele,
matéria bárbara e adversa,
na ânsia de não favorecer a desistência.

depois acusam-me da ausência,
como se tudo fosse apenas e só um poema ambíguo.

anseio sobreviver,
a esta fadiga que me impõem, torrente de egoísmo.

a todos devo, mesmo aos desconhecidos,
anseio tanto pagar-lhes para que me deixem em paz.

18 agosto, 2009

pensamento pró fundo

o cão que morde o cão como se fosse o dono.

17 agosto, 2009

por nojo

anti-isto, anti-aquilo, anti-tudo e anti-nada. o rosário escabroso das classes socioprofissionais-político-sociais de banda-larga. alternativa mesmo alternativa nunca houve, o que há é a alternância do costume. e como de alternância se alimenta a clientela. já estão agendadas as paralisações. o que me irrita é que a factura depois é a dividir por todos. e com a franqueza que devo a mim próprio - já me mete nojo!

15 agosto, 2009

!

antes dar pérolas a porcos, que palavras à iliteracia congénita

13 agosto, 2009

avó Maria


´

preciso de voltar a essas casas
pedras e telhados das minhas origens.

avó Maria,
quero de novo os vinte escudos
embrulhados num sorriso na palma da tua mão
no alpendre da tua casa aos domingos à tarde.

que saudade da lisura da tua bondade
poema vivo da minha juventude
o pão fumegante saído do forno
recheado de petingas temperadas de azeite
que as tuas mãos calejadas me ofereciam.

outrora crescia-me a água na boca feliz
hoje as memórias humedecem-me o olhar.

aqueles degraus rasos de pedra
onde saboreava o delicioso manjar
são agora o tempo a latir o silêncio
as intempéries levaram o teu rosto
a nitidez da perda é a matriz do meu longe.

06 agosto, 2009

dedico-te estas palavras





dedico-te estas palavras
com mãos quentes calejadas
dedico-tas por não m’as teres pedido
germinaram dos meus olhos sem teias
são sinceras, rainhas e plebeias

são a travessia branca da minha alma
a metamorfose de mim na palavra toda
um voo oblíquo de matéria ardente
um silêncio habitável por toda a gente
respira este lugar calmo transparente
na invulnerável superfície da página
vive medita e lê como quem sente