29 outubro, 2007

Regionalismo Madeirense

Recebi por e-mail, desconheço o autor do texto, mas achei-o delicioso e decidi partilhar convosco. É regionalismo Madeirense, lido com sotaque, então é mesmo de partir a rir.


Ah Estapoilha!!!
Era uma vez…

Tava o vendeiro ao paleio com o vadio do vilão quando ouviu uma zoada.

Era a água de giro.

O buzico do levadeiro que vinha mercar palhetes à venda, vinha às carreiras e às parafitas com o bizalho.

Dá-lhe uma cangueira, trompicou no matulhão do vilhão.

Bate cas ventas no lanço e esmegalha a pucra.

O vilão dá-lhe uma reina vai a cima dele para lhe dar uma relampada, patinha uma poia.

Ficou todo sovento.

O vendeiro dá-lhe uma ressonda por ele querer malhar num bizalho dum pequeno. Vem o levadeiro, e, ao ver o vassola, que anda à gosma e a encher o pampulho à custa dos outros, a ferrar com o filho, fica variado do miolo e diz-lhe umas.

O vilão atazanado, atremou mal e pensou que ele lhe tinha chamado de chibarro, ficou alcançado, deu-lhe uma rabanada e foi embora todo esfrancelhado.
O levadeiro ficou mais que azoigado mas lá foi desatupir a levada.

O piquene chegou a casa todo sentido, com um mamulhão.

A mãe que é uma rabugenta mas abica-se por ele, ao vê-lo todo ementado, deu-lhe um chá que era uma água mijoca, pensando que canalha é mesmo assim, mas, como ele não arribava, antes continuava olheirento, entujado e da chorrica foi curar do bicho virado e do olhado.

O busico arribou e até já anda a saltar poios de bananeiras na Fajã.


Boa semana a todos/as.

26 outubro, 2007

a fome é tanta





a fome é tanta,
que os olhos lhe caiem na sopa
o frio é tanto,
que a manta rota lhe parece um embuste
a dor é tanta,
que o sangue lhe verte das órbitas vazias
o abandono é tanto,
que se resigna à monotonia das insónias,
ouvindo noites a fio o barulho do relógio da torre,
marcando implacavelmente,
os segundos de uma morte em vida
a raiva é tanta que grita:
que sabeis vós poetas de circunstância?
que tanto cantais a vossa dor,
uma dor tantas vezes mentirosa


antónio paiva

22 outubro, 2007

Lançamento e Agenda do Livro Navegando nas Palavras

Caros amigas e amigos, é com enorme satisfação que vos anuncio o lançamento do meu novo livro. Com ele pretendo apoiar mais uma instituição, a Ajuda de Berço. Que acolhe crianças em risco dos 0 aos 3 anos de idade.

A vossa presença e apoio são indispensáveis.
Ficam desde já todos convidados!

Deixo aqui a agenda de eventos do livro:

AGENDA DO LIVRO NAVEGANDO NAS PALAVRAS

LANÇAMENTO LISBOA

DIA 03 DE NOVEMBRO ÀS 17 HORAS

LIVRARIA BULHOSA

CAMPO GRANDE 10-B

LANÇAMENTO POR UM CONJUNTO DE POETAS

HELENA PAIVA, MANUEL CARDOSO, MARIA JOÃO PAIVA, VANDA PAZ, VERA SILVA

APRESENTAÇÃO PORTO

DIA 08 DE NOVEMBRO ÀS 21:30 HORAS

FNAC NORTESHOPPING

NORTESHOPPING

APRESENTAÇÃO POR MARIA JOSÉ PINTO

APRESENTAÇÃO ANADIA

DIA 10 DE NOVEMBRO ÀS 17 HORAS

MUSEU DO VINHO

ANADIA

APRESENTAÇÃO POR VANDA PÓVOA e ROSA ANSELMO

COM A COLABORAÇÃO DO ACORDEONISTA JOAQUIM PEIXINHO
APRESENTAÇÃO COIMBRA

DIA 11 DE NOVEMBRO ÀS 17:30 HORAS

FNAC COIMBRA

COIMBRA


APRESENTAÇÃO POR CONCEIÇÃO CAMPOS
APRESENTAÇÃO VILA NOVA DE POIARES

DIA 12 DE NOVEMBRO ÀS 12 HORAS

ESCOLA Dr. DANIEL DE MATOS

VILA NOVA DE POIARES


APRESENTAÇÃO POR PAULA CAÇÃO
APRESENTAÇÃO MADEIRA

DIA 17 DE NOVEMBRO ÀS 17 HORAS

FNAC MADEIRA

FUNCHAL

APRESENTAÇÃO POR POLICARPO NÓBREGA

19 outubro, 2007

O sabor das marés

Não sei onde guardar os silêncios do rosto. Não sei como desenhar-te os corpos crescendo num manto de ondas. São tantas as vezes em que a minha boca se funde no fogo dos teus lábios. Que adianta dizer-te que a madrugada é pôr-do-sol da lua cheia. Se a essa hora já não escutas apenas me sentes.

Soubesse eu incendiar marés e chorar lava sem secar o tempo. Ficaria aceso na tua noite o tempo todo. Nos teus olhos nasceriam campos de trigo. Onde tu me colherias grão a grão. Matando a tua fome de mim. Aconchegando o celeiro do teu corpo.

O canto dos silêncios ao sabor do serpentear do vento. Melodias da sede dos teus lábios. Amanhecer colhendo as maçãs do teu rosto. Adivinhar-te no canto do pássaro. Contemplar a gestação dos sonhos. A vertigem lúcida do oceano. O vai e vem dos nossos corpos feitos de ondas. Saboreando a tua espuma. Poisando o meu rosto no teu ventre.

No teu corpo a minha língua desenha as marés. Os meus dedos percorrem a pauta do teu corpo. Em busca da melodia perfeita. Vibrante é todo o teu ser. Perfeito. Agora somos espuma do mesmo oceano. Dois corpos um só barco. Sem amarras. Premiando a loucura do amor. Na baía do teu corpo apanho as conchas. Com que farei o leito onde te deito a repousar. O sabor das marés também pode ser doce. O sabor das marés é doce.

Fico por aqui na beirinha do teu sono. Enquanto as algas soluçam nas ondas. Os búzios tocam alvoradas. As gaivotas adivinham o sol. Ao longe na muralha o pescador lança o anzol. Nasce o dia. Aqui nasceu uma promessa. Uma promessa de vida.

16 outubro, 2007

Memórias vivas

Mesmo que não haja Verão, haverá sempre a nostalgia, os meandros indizíveis de outros corações.

As dunas onde te deitas e me ofereces o teu corpo. Os espaços marinhos. A ternura em espasmos. Nada mudou desde o primeiro dia. Assim continuamente.

Aposto nestes momentos, todo o fulgor do tempo. O desejo cavalgando mar adentro. Sem limites. E já perto, muito perto, o clímax o êxtase. Vislumbro ainda horizontes maiores.

Amanheço, percorrendo os lugares do sonho. Espraio-me por inteiro nas confidências dos teus sussurros. Há o mistério que te suporta. O sorriso que te beija o olhar a toda a hora. Peito aberto, aceitas-me, tal como o parágrafo aceita a palavra certa.

Na melhor taça me serves o delicioso néctar que o teu corpo encerra. É tão mais fácil sentir, do que dizer ou descrever. Na pausa, passeio-me contigo, parece nada ter acontecido. As vagas vão e voltam. Entardece como de costume à mesma hora. O repouso. O cais. O pequeno barco preso pelas amarras. O vento do desejo faz inchar de novo as velas feitas dos nossos corpos.

Entre uma e outra vaga, fazemos amor de novo. Sacudimos os corpos, como se nos fossem estranhos. É a essência que procuramos. A mistura harmoniosa. Paira o silêncio. O bater dos corações dissolvido pela brisa. A subtil diferença de usar os corpos. Onde até o sofrimento parece sensual.

Memórias tão vivas como as marés. Olhos de água, a ternura sublime. Ondas de amor. Soluços de peitos magoados, sufocando o respirar. Teu corpo de mulher espreguiça ao vento.

A minha teimosia de encher as gavetas de nuvens. O conflito entre o meu corpo e a minha mente, leva-me a não acreditar em nenhum deles. Um escriba medíocre e péssimo amante. É o meu espólio. O meu cartão de visita.

Memórias tão vivas como as marés. A ilha pode ser o quarto. O desenhar o vértice da noite onde nos consumimos sós. Luar aquecido pelo choro. O calar-te pela emoção. Venerando a manhã criada no teu ventre. Dentro de ti é agora a minha morada.

Se já cometi o desaforo de afirmar que escrever poesia é fazer amor com as palavras. Devia ter a coragem para afirmar: Que fazer amor contigo é poesia.

antónio paiva

14 outubro, 2007

Crónica de todos os dias

Há momentos que não vão para além do pisar da garganta.

O meu corpo mede o nível das águas.

Matéria saturada, impedindo a drenagem da agonia. A submersão irreversível é cada vez mais evidente.

Eu e sempre eu, com esta tendência obstinada de falar dos outros, como se de mim se tratasse. Esta vontade compulsiva de plagiar vidas alheias. Ou ainda o enlace sempre falhado entre os desesperos de outros e os meus desencantos.

Sou uma sentinela que falta demasiadas vezes ao render da guarda. Falta-me a persistência do sol, que se levanta todos os dias.

- Sabeis.

Toda a minha originalidade (ilusão minha), já consta de todos os livros. Nenhum deles foi escrito por mim. Obviamente que me apetece acusar de plágio todos eles. Porque de forma inequívoca me adivinharam antes de eu nascer. É frustrante.

- É nesta angústia que emprego todo o meu tempo.

Na verdade sou apenas mais um que à noite amaldiçoa o dia. Redutor, dolorosamente redutor. A dor é ainda mais aguda quando tenho de incentivar outros. De lhes dizer que não desistam. Tenho a felicidade de amar as palavras. Reconheço o quanto elas são generosas comigo. Conheço portanto muitas delas, faz sentido que delas faça uso, antes que empregá-las deixe de ter cabimento.

- Consigo divertir-me, com os olhares e sorrisos irónicos, que me são lançados sempre que digo: Publiquei um livro. (Implícito está o pensamento: Olha mais um inútil que gostava de viver sem trabalhar).

A vida está muito para além das regras de sintaxe, a pontuação irrepreensível é dispensável, a colocação meticulosa dos acentos não mata a fome nem o desespero. A vida é incontornavelmente uma prova de fundo repleta de obstáculos.

- Há uma corja que vive e bem, parasitando esventrando a escrita de poetas e escritores mortos. Invariavelmente todos morreram de fome e de frio. Fome de reconhecimento e frio de afectos. Da pobreza material nem vale a pena falar.

Não peço que me entendam, nem eu próprio consigo.

antónio paiva

Boa semana a todos/as.


11 outubro, 2007

Conferência

A sala está vazia. As paredes pintadas de sombras. O ideal era que as memórias galgassem as falésias e se apoderassem do interior. O conferencista afirma: Convenhamos que a morte é o que há de mais repetitivo. A tal ponto que se torna insignificante. Nem sempre é fácil discernir a mentira da verdade. O medo é que a coloca em evidência.

- Não se ouviram aplausos, alguém tossiu.

Quando acenderam as luzes, era visível o desespero de todos em busca da sobrevivência.

- Dizem os especialistas que as palavras continuam a nascer nos campos, sendo essa a razão de eles serem verdes.

- Eu ainda estou por cá. Não, não é uma questão de tempo. É uma questão de circunstância. À beira das palavras, cada vez mais escassas. Percorro a serra, apanhando os troncos secos das giestas para acender o lume.
Vejam lá bem, que até já houve quem se atrevesse a escrever, que junto das falésias se pode encontrar o mar inteiro, pendurado nas palavras.

O moderador afirmou que não havia ligação entre uma coisa e outra.

- Nem sempre há. O que há, é uma voraz apetência para a lógica das coisas. Dessa forma tudo se torna mais fácil. Dizem.
antónio paiva

09 outubro, 2007

Dentro de mim às vezes também se está bem

Dentro de mim às vezes também se está bem, é por isso que muitas vezes saio e volto a entrar. Poiso o rosto no lugar do costume, penduro o corpo para o não amarrotar. Os olhos. Os olhos, esses adormecem. Lá fora o sol apagou-se, mas não sinto frio. É dentro de mim que me aqueço, desde quando o teu calor partiu. Aquela casa que construímos na encosta soalheira, de alicerces feitos de ti e de mim. Com beirais rendilhados de palavras sentidas, onde as andorinhas desenhavam a Primavera. A trepadeira viçosa e de braços esperançados de verde, com que o teu corpo enleava o meu. Amareleceu. Ensombrando a parede pintada de branco. Que ambos prometemos manter alva. Mas não. Isso já foi há tanto tempo, não foi? A maior parte dos dias parece-me que foi ontem. Mas isso sou eu, que fiquei aqui a esgravatar no tempo, à procura de respostas. Tu, mais sensata, já encontraste as respostas há muito, por isso dobraste e arrumaste cuidadosamente as nossas vidas e partiste. Afinal de contas o oceano é imenso. Porque haverias tu de ficar aqui, a chapinhar nesta poça de água parada? Está gravada na minha memória, a imagem do teu salto gracioso para a água, mergulhaste, e emergiste, mergulhaste e imergiste, mergulhaste e imergiste. Sim. Foram três vezes, na última acenaste-me em sinal de adeus, não te voltei a ver. Dentro de mim às vezes também se está bem. Poiso o rosto no lugar do costume, penduro o corpo para o não amarrotar.
antónio paiva

07 outubro, 2007

podias estar aqui






podias estar aqui,
onde os meus lábios terminam
e começa o mar dos meus pedaços

podias estar aqui,
na janela onde debruço a alma,
em gestos do meu rosto, a recordar-te

podias estar aqui,
só no teu rosto vi a aurora,
como nunca vi em mais algum

antónio paiva
E porque há momentos, em que se sublima a vida e os momentos com palavras, tão só nossas, sem preocupação que nos e, as entendam. O meu egoísmo, assim ditou, que ficaria aqui, sem comentários.
Boa semana a todas/os.


06 outubro, 2007

até os Burros vacilam


Hum, apesar de sermos o que somos, ostentando orgulhosamente a bandeira da Burrice, também vacilamos. Ah pois, vacilamos sim, ou pensam o quê?

Devem pensar que isto de ser Burro é tarefa fácil.

É muito mais difícil ser Burro, que gerir o negócio dos McCann.


T-shirts, pulseiras etc. etc. com top de vendas e tudo.

Presumivelmente inocentes, até no negócio sujo, porco, nojento, é de vomitar!!!!


Lá matar, matam, matam inocentes, até querem matar a realidade. No entanto essa é tão dura que permanece viva.

03 outubro, 2007

tens-me sido fiel

(fotografia antónio paiva, hoje 07:00 da manhã) (fotografia antónio paiva hoje 08:00 da manhã)
(fotografia antónio paiva hoje 08:00 da manhã)
(fotografia antónio paiva hoje 08:00 da manhã)
(fotografia antónio paiva hoje 08:00 da manhã)

Madrugada, tal como sempre, hoje prometeste-me apenas, que a seguir seria manhã

25 setembro, 2007

insane




lavei a boca e abri a porta
estou doente e só
porque não dizes nada?
perguntou-me o meu corpo
eu ligava-te
mas não sei o teu número
o meu corpo diz-me:
a vida é uma meretriz
merda de vida
sei o que é uma trombeta
não sei o que é uma meretriz
o meu corpo responde-me:
meretriz é uma puta
puta de vida a minha
penso eu, ou nem penso
se ao menos a minha vida
fosse uma puta bonita
de belas pernas e seios proeminentes
onde eu pudesse sorver poesia o tempo todo
mas não, para além de puta
é seca e estéril
agora dirijo-me à porta
meto a chave na fechadura
abro a porta e vou-me embora
antes que me chamem filho da puta

antónio paiva

23 setembro, 2007

Jantar ao Som das Palavras



Sábado, 22 de Setembro, aconteceu na Madeira, no Restaurante Borda d’Água, vila da Ribeira Brava, um encontro organizado por escritores Madeirenses, denominado: Jantar ao Som das Palavras.

O nome não podia ser melhor escolhido, para o que de facto ali aconteceu.

Estiveram presentes pessoas das diversas áreas, da poesia, prosa, música, da canção, das artes plásticas, professores. Mais de meia centena de pessoas. Gente bem disposta e talentosa.

A música, a poesia, a prosa, as canções, misturam-se na perfeição, criando um ambiente mágico e alegre.

Eu tive a honra de ser convidado, pude desfrutar de tudo isso. Para além de ler de forma um pouco trapalhona alguns dos meu poemas. Para de alguma forma agradecer, tirei estas fotografias que aqui deixo testemunhando o acontecimento. A qualidade não é muito boa, mas como se costuma dizer: conta a intenção. Claro está que eu estava atrás da objectiva e ainda bem. A figurinha só ia destoar.

Ambiente excelente, comida muito boa, quanto a bebida não falo, porque toda a gente foi muito moderada (sei que acreditam em mim). Mas na verdade foi fantástico. Grato a todos, até uma próxima.

Um grande abraço!

Aos meus amigos e amigas que por aqui me acompanham quase diariamente. Desejo-lhes:

Uma óptima semana, com tudo do melhor, que bem merecem!

16 setembro, 2007

obviamente...

Não temos qualquer dúvida em afirmar, que obviamente por aqui queremos continuar a ser Burros até ao último dos nossos dias.

Os motivos são mais que muitos, aqui ficam alguns:

Quando um distinto?!? jurista afirma publicamente, que está mais preocupado com a presunção de inocência dos arguidos, do que com o que aconteceu à vítima.

Obviamente queremos ser Burros.

Naturalmente que a presunção de inocência, é um direito de qualquer arguido, até ao final do julgamento (bem como até ao final dos intermináveis e hábeis recursos).

As vítimas, essas como já são vítimas à partida, podem muito bem ser cada vez mais vítimas. Parece-nos até, que uns nasceram para serem presumíveis inocentes e outros para serem efectivamente vítimas. Afinal de contas que mal tem, os presumíveis inocentes roubarem a vida e a inocência a muitas das vítimas?

Na verdade, os interesses de comuns mortais, são bem diferentes dos interesses que movem o Sr. Júdice e outros distintos?!? juristas.

Há também presumíveis inocentes e presumíveis inocentes, quantos são os que podem contratar distintos?!? juristas e poderosas máquinas de imagem e comunicação? Para além de inúmeras mordomias.

Obviamente queremos ser burros.

Para ajudar à festa, o novo código penal, entrou em vigor ao fim-de-semana. Parece até piada de gato fedorento. A justiça vai continuar a feder (apetecia-nos utilizar outro termo), como sempre tem fedido (obviamente que aqui também nos apetecia).

Como já é público, parece que alguns criminosos já puderam ir à discoteca no este fim-de-semana, uma vez que já foram soltos. Como a justiça é célere em algumas situações.

Como os presumíveis inocentes e a presumível justiça nos comove. Tanto.

Obviamente, por aqui continuaremos a ser Burros!


Boa semana a todos/as.

24 agosto, 2007

tribos

Todas as sociedades estão pejadas de tribos. As sociedades intelectuais, ou com pretensões a, não fogem a essa praga. Nas com pretensões a, o flagelo é ainda maior. Por qualquer coisa que dê jeito, vai-se formando a matilha. É vê-los felizes e contentes nas suas ridículas farpelas, da pseudo convicção, do saber inquestionável e do “babanso” pegajoso tão só deles. Amassam as costelas uns aos outros com palmadinhas de mão mole e peganhenta, sorrisos ignóbeis amarelados. A distância maior que alcançam, é entre um e o outro e assim sucessivamente. Por ali gravitam. A jóia a pagar para quem queira aderir a qualquer uma delas, é anular-se enquanto ser pensante, despir-se de convicções, sobretudo das suas. Vestir-se de hipocrisia. Muita. Há também os grupinhos, que nunca chegam a tribo. Mas que são igualmente deliciosos. Enfim. É a vida. Deixá-los viver para que sintam (como alguém já aqui disse).
Pela primeira vez deixo aqui um pedido. A quem quiser e estiver em condições de o satisfazer e, assim o entender. Que vá até aqui.
Grato!
Bom fim-de-semana a todas/os.

17 agosto, 2007

uma existência com muitos buracos

Pode até parecer que por aqui não damos importância às coisas mais comezinhas do dia a dia. Puro engano. Toda e qualquer dúvida ou percalço existencial, por muito aligeirada que pareça, nos merece atenção e tratamento cuidadoso, não vá um pequeno pormenor, por desleixo, tornar-se num caso bicudo (ou rombo).

Hoje debruçamo-nos, quer dizer, debruçar, não nos parece o melhor termo, o debruçar, pode dar origem, a casos mesmo bicudos. Pensámos no termo abordar, também não nos parece o melhor, isto de abordar, pode dar azo, a ser interpretado como uma tentativa de assédio. Decidimos então utilizar o termo escrever, porque falar, num local destinado a escrever, também não se ajusta.

Vamos então escrever, sobre o buraco no peúgame e no cuecame. A esta altura, já alguns mortais que estão a ler isto, já começam a pensar, mas que raio de coisa tão sem importância, estão no seu direito. Mas já agora, tenham lá paciência e deixem-nos, dissecar, dissertar e outras coisas terminadas em ar, sobre o assunto (não significa em cima do assunto), mentes tranquilizadas, vamos em frente (na escrita, obviamente).

Verdade verdadinha, é que vamos no dia a dia retirando da gaveta, as cuecas e meias, que estão em melhor estado, até que chegamos ao dia em que só restam aquelas dotadas dos famosos orifícios, que o uso e a velhice lhes infligem, aí não há volta a dar, tem mesmo de ser. Ou porque não houve tempo ou vontade de lavar as melhorezinhas, ou porque estão ainda a secar. Por alguma razão, vamos religiosamente guardando, aqueles exemplares já cansados do uso.

Noutros tempos, era utilizado um ovo ou uma lâmpada eléctrica, para pontear e tapar o infortúnio de cuecas e meias. Dai a origem da expressão de macho, que arrotava a todo o momento: mete-te em casa, vai coser meias. Mas isso foi chão que já deu uvas (ou melhor meias e cuecas com costuras, mas sem buracos). Na época até se cerzia, como era bom cerzir, com seu ar namoradeiro, a Rosinha cerzideira.

Mas não adianta chorar sobre meias e cuecas furadas, agora os tempos são outros e cada um com os seus buracos (estamo-nos a referir aos das meias e cuecas). A questão só se torna problemática, quando por algum motivo imprevisto, temos de arrear a calça ou descalçar o sapatito. Uma ida ao médico inesperada, um encontro casual onde o devaneio, se liberta da roupa. Uma entrada na sapataria para experimentar uns sapatos, ao tirar o sapatinho, é que o dedâme espreitando inusitadamente, como a achincalhar-nos, nos expõe à vergonha. É aí que a menina da loja, se ri toda por dentro, e pensa: olha este, quer comprar um sapatito novo, mas não tem posses para comprar umas meias novas, (esquecendo-se também ela por momentos, das suas coisas rotas).

Nesses momentos, culpa-se sempre a mulher-a-dias que normalmente não temos. Lá sai a expressão: estou farto de dizer àquela senhora, para ter mais cuidado quando me arruma a roupa. Se a miúda da loja ou o pedaço do fortuito são boazonas, pode-se sempre culpar a esposa ou namorada, para lhes fazer sentir, que motivos não nos faltam para lhes enfeitar a testa. Somos mesmo infelizes, muito infelizes. Tão infelizes quanto o são as meias e as cuecas rotas.

Ouvimos dizer, porque ver ainda não vimos, nada como dizer a verdade nestas coisas. Não queremos que nos façam perguntas de pormenor e depois não temos respostas. Mas ouvimos dizer, que fizeram para elas, umas cuequinhas que já são dotadas de buraco estrategicamente colocado, aquilo deve ser para arejar, não estamos a ver outra razão. Mas higiénico é que não nos parece, usadas com saias deixa aquilo muito exposto a poeiras e outras agressões de meio ambiente, (ora, vocês sabem muito bem o que queremos dizer com: aquilo). Muito havia para escrever, sobre aquilo e isto. Mas parece-nos cer hora de zir, (gostaram do trocadilho? cerzir). Talvez numa outra ocasião voltemos ao assunto, para aprofundar os buracos.

Fiquem bem, cuidem dos vossos buracos ou não, isso fica ao critério de cada um/a.


Bom fim-de-semana a todas/os.

10 agosto, 2007

em jeito de resposta

Alguém disse, escreveu e cantou: “Não me obriguem a vir para a rua gritar”.

Não está aqui em causa a ideologia política, mas sim o significado da frase ou verso.

Ontem, hoje e, lamentavelmente no futuro, uma razão sempre actual.

Por aqui, gritaremos sempre, que o julgarmos necessário. Bem sabemos que são gritos incómodos, que ferem os tímpanos existenciais até dos mais pacatos e, sobretudo dos que são ou se julgam indiferentes.

Na verdade, pode até parecer que quando grito, a mágoa é minha ou melhor dizendo, pessoal. De facto, assim não o é. Se assim fosse, estaria eu, a colocar-me acima daquilo que realmente importa. Destaque que de todo eu não mereço.

Vejamos, se de facto os gritos aqui lançados, incomodam, ferem e, incomodam o bem-estar amorfo, a que deitamos a nossa existência. Se de facto fazem nem que seja um só ser pensante reflectir. Então já valeu a pena. O grito.

Uma coisa é o mundo em que vivemos. Outra coisa é o mundo em que queremos viver. Ou melhor. O mundo em que desejamos viver.

Sim porque, querer, é imensamente diferente, de desejar. Quando queremos temos vontade efectiva de promover a mudança. Quando desejamos, olhamos apenas com deslumbramento, o objecto do desejo. Permanecendo atolados nesse marasmo de deslumbramento e inépcia.

Comecemos então, por tentar querer, passemos depois ao querer tentar, façamos assim o caminho do, querer. Obreiros de firmes convicções. Até porque o tempo é curto, apesar de em alguns momentos, de forma enganosa, parecer uma eternidade.

Bom fim-de-semana a todas/os.

07 agosto, 2007

em jeito de amargo de boca

Numa caixa de um hiper-mercado, um macho, pai de crianças, ciente das suas obrigações e deveres, enquanto pai e ser humano, poisou as compras, tudo coisas essenciais, nada de extravagâncias. Nada de coisas supérfluas, bens alimentares de primeira necessidade e fraldas, ah esquecia-me, tinha também alguns iogurtes, para as crianças, a menina da caixa foi passando os produtos no leitor de códigos de barras, no final a os mostrador da caixa, ditava impiedosamente, valor a pagar X. O homem, suspirou, entristeceu e, disse: não vou poder levar os iogurtes para as crianças, porque só tenho Y. A menina da caixa expedita diz-lhe: vá ao Multibanco e levante dinheiro. Pois eu bem que ia, mas todo o dinheiro que tenho é Y, os meus filhos vão mesmo ter de passar sem os iogurtes, com muita pena minha………

Poderemos sempre dizer, se não pode ter filhos que não os tenha. Naturalmente nós juízes natos, temos sempre as melhores sentenças, para os “crimes” dos outros.

Esquecemo-nos porém, que para além da irresponsabilidade que graça por aí, lamentavelmente. Há também circunstâncias muitas vezes imprevisíveis, que alteram por completo, a vida normal de uma família, arrastando todos quantos delas fazem parte, incluindo as crianças, naturalmente.

Mas nós, os sabedores de tudo, os infalíveis, não achamos assim. Por isso viramos a cara para o lado e seguimos adiante.

Uns são contra a interrupção voluntária da gravidez, defendem a vida, pois fazem muito bem. É sempre de respeitar a convicção de cada um. Dizem também que há que ajudar essas mães e famílias, pois muito bem. Mas onde andam eles/as agora e nestes momentos. Salvo, honrosas excepções, ninguém sabe delas nem deles. Passou o momento do tempo de antena e da visibilidade, debandaram para outras paragens, onde sejam objectos das luzes da ribalta.

Outros são a favor da dita interrupção, também defendem a vida, dizem igualmente que há que ajudar essas mães e famílias, de facto assim deveria ser: Mas onde andam igualmente elas e eles. Novamente, salvo honrosas excepções, ninguém sabe. Debandaram sabe-se lá para onde. Normalmente aparecem sempre que há uma objectiva por perto.

Por aqui na “bolgosfera”, também se deita muita “faladura” a esse respeito, na maior parte dos casos, é pura hipocrisia. Bem sabemos que parecer solidário, fica bem. Infelizmente, também esta gente posa para a imagem, ainda que escrita. Vergonhosa farsa. Há também neste capítulo honrosas excepções.

Eu tenho andado por aí a divulgar uma “merda” de uns livritos que escrevi, 90% dos direitos de autor vão para instituições, de solidariedade social, que apoiam crianças e famílias. Pois não queiram saber, aparecem por aí hipócritas de ambos os sexos, a dizer que sim e mais que também, que vão comprar os livritos, porque também gostam de ajudar causas, e tal e tal…. (dão-se ao desplante de me escrever isto na caixa dos comentários). Claro que não compram nada, é só para se armarem numa coisas que eu estou agora a pensar, mas não escrevo. Mas porque raio afirmam por escrito tal coisa, se não o tencionam fazer? Já agora título informativo: Aquela “merda” daqueles livros, mesmo que não tenham qualquer qualidade literária, sempre servem como pisa-papéis, para equilibrar uma mesa num soalho desnivelado, ou outra porcaria qualquer.

Na verdade, a esse tipo de gente desejo-lhes que vivam, muitos e bons anos, mas por favor, façam-no longe daqui. Nesta pastagem não suportamos o cheiro a pedantes e hipócritas.

Mais informo, que com a venda dos tais livros, já amealhei um significativo pé-de-meia. Assim sendo já nem precisam de se preocupar em os comprar. Ide andando, que nós por cá vamos ficando.

Orgulho-me e muito. Acreditem que orgulho mesmo. Das honrosas excepções que a vida me tem permitido conhecer.

Continuação de óptima semana, para as honrosas excepções.

01 agosto, 2007

em jeito de mau cheiro

Assim, como quem não quer a coisa, mas danados para ferrar, assim vamos nós por aqui. É isso mesmo, mau feitio puro e duro.

Provoca-nos uma tremenda “neura” visceral, coisas como: através da escrita tentar criar uma imagem em absoluto diferente daquilo que se é. Utilizar os espaços públicos para enfim, se dizer que já se foi rico, mas que o infortúnio e a inveja os/as tornaram pobres. Ouvir teses sobre como se pode ser pelintra, miserável e sei lá mais o quê, mas utilizando uma maquilhagem, que de forma alguma o deixe transparecer. Quero lá saber se ficaram sem o BMW, que compraram com o cartão de crédito. Vão morrer longe que é para não cheirarem mal.

Já não bastava estes dejectos sociais, ainda aparecem juízes, a alegar que um determinado monte de dejectos, violador/pedófilo. Merece uma redução de pena por ter violado, um menor ou adolescente, uma vez que a vítima também teve prazer no acto. Naturalmente que se sua Exa. o magistrado proferiu tais afirmações, é porque presenciou o acto, e verificou com os seus próprios olhos, que a vítima teve no mínimo uma erecção, ou ejaculou durante a violação. Isto sim, isto é que é serviço, o meritíssimo, recolhe provas durante o crime, podendo assim julgar e aplicar a pena, com toda a segurança.

Claro que ainda é pouco, veio agora um outro meritíssimo, aquando da leitura da sentença de um tipo que foi em tempos agente de autoridade, que matou três jovens, exactamente, três jovens e depois de mortas ainda lhes fez mais umas patifarias. Mas dizíamos nós, veio o tal meritíssimo dizer, qualquer coisa como isto: que aplicavam a justiça em nome do povo, mas que o povo não tinha como os influenciar. Mas perguntamos nós, Burros à força toda. Mas afinal, numa democracia, tanto quanto julgamos saber, só age em novo do povo, quem o povo elege. Lamentamos, mas desconhecemos eleições para juízes.

Uma coisa o povo sabe! Que os alimenta e bem! Outra coisa o povo também sabe! Que os meritíssimos o lixam e bem!

Bem sabemos que isto não agrada a quem está de férias, mas o mundo não pára. As sacanices também não.