21 março, 2011

Primavera

também eu nasci com ela e acabo por renascer em todas elas.

11 março, 2011

mensagem

a percorrer os caminhos-de-dentro...

fiquem bem e até um dia destes!

11 fevereiro, 2011

o pardal é um poema

o pardal é um poema;

tanta pena, tanta pena;

tantos ais, tantos ais;

escorrem lancinantes dos beirais;

temos pena, tanta pena, tanta pena;

a idosa estava morta atrás da porta;

não se abriu a porta por não cheirar mal.


o pardal é um poema;

nunca o seria não fosse tanta pena;

mas de facto o pardal é no seu todo um poema;

porque a idosa devia ter perecido de porta aberta;

e mais!, a idosa depois de morta foi perniciosa;

não pagou à “sociedade” o devido tributo.


vai daí o “estado” impoluto;

processou-a generosamente sem abrir a porta;

vendeu por tuta-e-meia o seu “jazigo”;

porque mesmo morta, devia ter pago e;

antes de morrer o seu dever era abrir a porta;


o pardal é um poema;

temos tanta pena; tanta pena, tanta pena;

tantos ais, tantos ais, escorrem lancinantes dos beirais;

temos tanta pena, tanta pena, e o pardal é um poema!

31 janeiro, 2011

um olá e um breve excerto de algo a editar talvez em breve

Escorrem harmoniosos os sons da melodia, “O Quel Beau Bouquet de Fleurs” de Gheorghe Zamfir, numa tentativa de derrubar os muros da desarmonia que lhe vai na alma. Lenta e dorida surge a escrita, no ardor dos braços cansados, de tanto remar contra marés. Anda por aí um exacerbado exército a semear antolhos. A cercear horizontes. A anestesiar incautos. Há um sono colectivo a fazer jus à lei-do-menor-esforço. O mais certo é um destes dias haver um mendigar colectivo por uma côdea de respeito. De momento há o recurso ao bordão da resignação e da incúria, já que a sacola está rota. O ser humano, tem uma tendência desmedida, para circundar a orla do abismo, Salvador sabe-o bem, observador atento do exercício de todas as tramas.

22 dezembro, 2010

5º aniversário desta pastagem

são muitas as vezes em que faço chorar as palavras, são muitas mais as vezes que por elas choro. por elas tenho passado tanto tempo a despir a noite.

por mim, pelos amigos e leitores;

as palavras serão o meu alimento e a minha bandeira!

Boas Festas e, se puderem sejam Felizes em 2011.

22 novembro, 2010

António Paiva na Escola Secundária de Barcelos

No âmbito da Feira do Livro promovida pela Secção de Português e pela Equipa da Biblioteca Escolar, o escritor natural de Vila Nova de Poiares, António Paiva, estará presente para um encontro com alunos de ensino secundário. Este decorrerá no dia 06 de Dezembro pelas 10:30 e inaugurará a Feira que estará aberta até ao dia 10 de Dezembro.

17 outubro, 2010

outrora; o mar cheirava a maresia

outrora; Vasco da Gama e seus pares fizeram uso de caravelas para irem em busca de ouro e especiarias. hoje; estes sacanas afundam-nos com submarinos, levam-nos os aneis e os dedos, porque o ouro já há muito que sumiu. outrora; o mar cheirava a maresia, hoje cheira a gatunagem.

13 outubro, 2010

seriamente e a sério

há ladrões que o são seriamente e a sério, tão seriamente e a sério, que nem – a justiça? – ousa colocar em causa a sua honestidade. é neste terno e doce humanismo; que os que são honestos seriamente e a sério, empobrecem seriamente todos os dias e a sério.

27 setembro, 2010

quem lhe desse uma pancadinha carinhosa no toutiço

dói-me o meu próprio embaraço, sempre que apalpo o meu desconforto intuitivo. a maior parte do tempo apetece-me encerrar; antes que esvazie a destempo as minhas prateleiras da lucidez. embora não duvide que ainda estou lúcido e capaz de enfrentar toda e qualquer coisa em forma de gente e, apesar de em tempos um ignóbil habitante de Jericó, se ter deslocado à beira do rio com o firme propósito de me surrar até à medula dos ossos, a verdade é que todo ele se me parece doente de morte. tomba e rola, tomba e rola; desmorona!, apresenta sinais de musgo, fungos e, onde outrora já exibiu penachos, surgem um pouco por todo ele crostas de pura demência. quem lhe desse uma pancadinha carinhosa no toutiço, repito; carinhosa, que não sou fã de violência, nem quero que a vã criatura afanique aparatosamente. desejo-lhe acima de tudo uma comoção com estilo e a gosto. e, que; quando chegar a sua hora, venha o anjinho da carroça nocturna e o leve em bem…

11 setembro, 2010

retalhos

...
a vida mente-me, as pessoas mentem-me. eu recolho as redes tranquilamente e depois minto-lhes também. mimetismo derramado em gestos; riso, choro, recusa, anuência, desejo, negação, ausência, presença, partilha, egoísmo, inveja, reconhecimento, amor, desamor, renúncia e recomeço.
umas vezes sou mais, outras sou muito menos, outras ainda volto-me as costas, outras tantas vejo-me na íntegra. espectro de querência durante a manhã, lugar de esopo ao entardecer, porque os espelhos mentem todas as noites. há em mim uma longanimidade intermitente, por vezes bálsamo, por vezes autoflagelação.
sou capaz de amar entre as fases da lua e nos plenilúnios, não sou capaz de viver sem um amor que acasale com o meu, ainda que eu seja a maior parte do tempo um rio de ausência. nem sempre é fácil transpor o pórtico ogivado e chegar até mim, no entanto rendo-me facilmente à surpresa do gesto, à delícia de me deixar escorrer pelo mel dos lábios, com os olhos marejados de sal.
...

04 setembro, 2010

Recensão Crítica a Livro Imperfeito de António Paiva

Recensão crítica a Livro Imperfeito de António Paiva, publicada na Revista brasileira online TODAS AS MUSAS, Revista de Literatura e das Múltiplas Linguagens da Arte.
www.todasasmusas.org

A imperfeição ganha corpo (de letra) – Tiago Aires

Professor de Língua Portuguesa e Português do 3.º ciclo e Ensino Secundário no Colégio D. Diogo de Sousa – Braga, Mestre em Literatura Românica, Estudos Brasileiros e Africanos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A quem leu e a quem não leu o livro, sugiro que sigam o link
http://www.todasasmusas.org/03Tiago_Aires.pdf acho que vale a pena despender algum tempo na leitura do artigo.

16 agosto, 2010

falta-me o sorriso de gioconda

por não ser dotado do sorriso de gioconda, sento-me na cadeira dos alívios, de olhos atentos no nada, evacuo de modo lento cansado e triste. distraio-me com a nudez mortal dos azulejos esverdeados que revestem as paredes. estou deprimido; remeto-me a estes monólogos escanzelados, pequenas manchas de textos marginais. grassa por aí uma pobreza que não é assumida, e não o é; por ser de matriz cultural. o “botas” bem que nos tramou; quando vociferou que: “o povo português devia ser pobre e humilde como a terra que trabalhava”. a verdade é que o povo português o levou a sério, tão a sério que a profecia do “botas” vigora como lei. maldito sejas ó “botas”!, devias ter caído da cadeira muito antes de nos teres amaldiçoado irremediavelmente!!!
nota:
este texto foi criado antes daquele que o precede

15 agosto, 2010

o disparate estala como ouriço de castanha

cá estou eu de novo na cadeira dos alívios; sofrendo de intoxicação de arrotos provincianos. e, como a paciência não põe ovos, não tenho omeletas de condescendência. [se não me entendem comprem um burro]. e não me estendam olhares lassos, que me pegam essa conjuntivite de idiotice. vá lá; ofereçam-me um sorrisinho subentendido, nos intervalos das bofetadas. raios partam o enguiço testicular de um povo que impede o gozo colossal; é quebranto!; é quebranto!; gritam as mulas e as suas crias. o disparate estala como ouriço de castanha; tornando impossível o contacto com o útero da nação.

10 agosto, 2010

substantivo-te

um gesto de ternura servido numa chávena de chá, um silêncio de açúcar, uma mão dócil compõe melodias manuseando as folhas.

03 agosto, 2010

Sessão de Autógrafos na Feira do Livro da Póvoa de Varzim



No próximo dia 06 de Agosto, pelas 22 horas, estarei presente na Feira do Livro da Póvoa de Varzim, no stand da Papelaria Locus, para uma sessão de autógrafos e contacto com o público, amigos e leitores.

Conto a vossa presença.

Até já!

23 julho, 2010

às vezes escrevo tão perto do que sinto

inclinam-se as palavras na transparência tranquila. o silêncio é um canto branco a repousar sobre o nada. os lábios reúnem-se numa fluidez viva sem intervalos. os corpos são nomes escritos nas linhas do vento. há uma matéria viva e incandescente que ascende em nós e nos torna inseparáveis. suor e luar tudo se confunde quando chove nos poros e na brancura da areia.

14 junho, 2010

apneia humana

esta apneia humana que faz de mim pedra submersa,
às vezes fóssil; crosta calcinada, matriz atroz.
há um óbelo em forma de vespa assinalando as falhas;
uma teia de intempéries a aprisionar-me a boca.
um fluxo sinistro de membranas em elipse;
a estrangular o ventre desta lua de silêncios.


nas casas sonhos arcaicos transcritos prescritos;
silêncios engomados naftalina e bolor salivado.
asfalto sede ruptura caverna muro;
veios traços arestas bocejos e bocas sem beijos.
sexo agudo que sobra da amargura;
há uma luz cega nesta imensa bruma de apneias

04 junho, 2010

coisas dos pés na minha cabeça

os meus pés continuam a andar um atrás do outro; às vezes juntam-se, outras vezes também se separam.

25 maio, 2010

era segredo e agora já não

em breve vou herdar um romance por óbito de um escritor; é uma espécie de infusão de amor e sexo. a musa era uma santa, até que o anjo que lhe habitava os ombros; abriu os olhos, abriu as asas e voou.
foi escrito respeitando a beleza formal da língua, mesmo no mais descarado linguado. por respeito à freirinha dos papos de anjo, não se faz uso do palavrão, nem de gestos obscenos.

[anda por aí tanto sacana e só me restam dois pares de estalos]

18 maio, 2010

Apresentação do Livro Imperfeito na Fnac Leiria


(clique na imagem para ampliar)