14 junho, 2010

apneia humana

esta apneia humana que faz de mim pedra submersa,
às vezes fóssil; crosta calcinada, matriz atroz.
há um óbelo em forma de vespa assinalando as falhas;
uma teia de intempéries a aprisionar-me a boca.
um fluxo sinistro de membranas em elipse;
a estrangular o ventre desta lua de silêncios.


nas casas sonhos arcaicos transcritos prescritos;
silêncios engomados naftalina e bolor salivado.
asfalto sede ruptura caverna muro;
veios traços arestas bocejos e bocas sem beijos.
sexo agudo que sobra da amargura;
há uma luz cega nesta imensa bruma de apneias

7 comentários:

Maria disse...

.....

Deixo-te um beijo.

Maria disse...

Não tenho o teu livro imperfeito. Só tenho os perfeitos. Mandas-mo? Ou dizes onde posso comprar?

Beijo.......

escarlate.due disse...

alto lá! há aqui qualquer coisa errada!! a Maria diz que só tem os livros perfeitos... ora eu tenho todos os teus livros e nenhum deles é qualquer coisa de jeito, será que ela se enganou no autor???
:P
manda lá o livro à mocinha, és sempre a mesma coisa
:)

Ana disse...

"nas casas sonhos arcaicos transcritos prescritos"
....................

porque os sonhos grandes repetem-se de geração em geração, ficam transcritos nos lugares e prescritos no tempo.

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Sonhos prescritos também eu tenho. Alguns realizados. Já não vou ter tempo e forças para tantos outros - os prescritos.

Zé Miguel Gomes disse...

cegos nós, que a luz se escurece porque não a sabemos acender...

© Piedade Araújo Sol disse...

há sonhos e sonhos!

uma certa "raiva" neste texto, mas pode ser a maneira como o li.

bom fim de semana!

beij

Vanda Paz disse...

Gosto deste teu texto

Beijo