27 janeiro, 2008

sei lá quantos sou



um teclado
zero pensamentos
repito-me tantas vezes
sei lá quantos sou
uma pilha de livros
insónias, insónias, insónias
a minha vontade é uma meretriz
que me troca por qualquer cama
sei lá quantos sou
atrás de mim vem outro
e outro ainda e mais outro
repito-me tantas vezes
um teclado
zero pensamentos
sei lá quantos sou
um monte de papéis
instinto, instinto, instinto
a minha ansiedade é uma borboleta louca
esvoaçando aprisionada nas grades do martírio
atrás de mim vem outro
e outro ainda e mais outro
repito-me tantas vezes

se o vento me levar eu vou repetidamente vou
sei lá quantos sou, sei lá quantos sou…

13 comentários:

Maria disse...

Excelente poema/desabafo...
Há dias assim. Tira uns dias de férias, António...
Um abraço daqui, também hoje de cabeça vazia....

kurika disse...

Há dias assim...!!!

Não sabemos nada de nada.

Bjinho

...e nada que uma "loirinha" não acalme...ops...cometi uma inconfidência!!!

Fica bem.

ana disse...

Um Homem é uma imensidade: de sonhos, desejos, pensamentos, aflições, encantamentos e desencantos. A cada dia se renasce para tudo isto, a cada dia se alarga a busca de realização. E sempre mais vasta será a multiplicidade de sentimentos quanto maior fôr a capacidade de se interrogar e de sentir - dinâmicas do cérebro e do coração.
Abraço.

Joana disse...

Olá Amigo,

é bom sentir que as tuas palavras continuam a ser o meu aconchego.

É bom saber que és muitos e que todos aqueles que cabem dentro de ti se eternizam em forma de palavras.

Pelo menos assim é, para mim!

Beijinho grande e boa semana.

a_cabra disse...

Um dia aprendes a contar, e depois já sabes quantos és... :-)
beijocas

Vanda Paz disse...

Está

lindo, lindo, lindo

beijo, beijo, beijo

(isto para o caso de seres 3)

rascunhos disse...

às vezes andamos todos nós por aí...um pouco!

desejo que te encontres rápido

com muita serenidade.

beijinho

José Miguel Gomes disse...

E saberemos algum dia? (Parabéns!)

Fica bem,
Miguel

claudia disse...

São tantos os dias em que parecemos umas borboletas assutadas!

Mas também as borboletas têm uma beleza e pureza enormes...

;)

Vera disse...

Quem escreve dá vida a tantos personagens que acaba por acontecer por vezes não sabermos quem somos...
Gosto deste poema :)

Beijo

Papoila disse...

Tenho andado ausente ... até de mim.

Hoje passei para te ler e deixar um beijo

BF

un dress disse...

és todos esses: que és!! :)






.beijO

Outonodesconhecido disse...

"a minha ansiedade é uma borboleta louca
esvoaçando aprisionada nas grades do martírio"
esta frase encerra grande sofrimento, borboleta é sinal de liberdade e grades... bem acima de tudo a privação d aliberdade nalguns casos a morte da borboleta, ou da alma de cada um.
bom fim de semana