22 junho, 2009

Índole





Ou em jeito de prefácio


Nesta vida povoada de escolhos, a sorte, é na maior parte do tempo, uma criada aleijadinha que nos serve o chá, saltitando ao jeito do infortúnio. O carácter um criado maltratado e ignorado, a que não se dá o devido valor. A honestidade um empecilho à vaidade. Caminha-se na rua rodeado de tudo sem nada ver, tal é a cegueira da fama e ambição. A verdade é um incómodo.
Há algo que não me canso de repetir até para mim mesmo; os sonhos são de construir, os sonhos são de construir. Ser crente em algo, é expor a dúvida, assumir a imperfeição, a necessidade de valorar a existência. Nenhuma fé vale mais do que outra, nenhum tipo de fé deve ser imposto a outrem, se isso acontecer deixa de ser fé, assumindo o rosto de fanatismo. Não acreditar em nada é habitar o vazio.
A liberdade não é um direito, é um dever. Sábio é aquele que conhece e estima o valor dos valores. São raros os que conseguem viver a plenitude da vida, os que o conseguem entregam-se-lhe de corpo e alma, por lhe terem um amor inteiro. Mais vale uma pausa serena do que agir inutilmente. Por muito que se porfie, o acaso não vende a sorte. Nem a verdade é um lago onde se banhem os ignóbeis a seu bel-prazer.
Uma virtude não é, nem pode ser, um lapso, um eco vago, tão-pouco uma subjectividade. E, se alma de um ser humano se pudesse libertar dele, revelaria por certo toda a verdade, que a mentira do corpo aprisiona. Quem dera que num qualquer Abril ou até Dezembro, numa revolta despida de intolerância, as almas se libertassem dos homens. Expondo as vergonhas, para que os homens sintam nas dentaduras, todas as dores que lhes causam.
E quanto mais medito em tudo isto, maior é o desconsolo que me invade. O cansaço das caras do costume. A pobre substância dos factos, o bolor dos actos vestidos de hábitos antigos, repetidamente repetidos. E quanto mais abro os olhos, o que mais me é dado a ver são antolhos. Um enredo orgânico de fingimento agoniante. Há no entanto, ar, terra e mar, há o amor, onde a minha consciência me dita o dever de repousar.

5 comentários:

escarlate.due disse...

um dia havemos de aprender



ahhh e eu tb gosto muito de ti :)

Maria disse...

Li-te um pouco angustiada. Não perguntes porquê.
Numa coisa estamos de acordo: os sonhos são de construir, os sonhos são de construir...

Beijos, com saudades

Papoila disse...

Por certo ficaríamos horrorizados se as almas se revelassem. Esta assertiva nos motivos que movem a maioria dos mortais... mas como diz a Maria senti aí muita angústia. Mas este tipo de escrita agrada-me.

Um Beijo
BF

A Flor do Nilo disse...

"(...)E, se alma de um ser humano se pudesse libertar dele, revelaria por certo toda a verdade, que a mentira do corpo aprisiona. (...)" Com sinceridade, estou aqui emocionada de ler vc. Cada um sabe e conhece sua índole, a intenção de cada gesto, de cada palavra. Tenho sofrido muito por minha aparência física, pois muitas pessoas só dão importância para o externo. Infelizmente, não sabem ou não querem ver, que o mais importante está no meu interior e no interior de cada um. Desejo que um dia tudo isto passe, e que minha alma se liberte dos grilhões do corpo físico.
António, que mensagem maravilhosa saiu de ti! Obrigada. Helen.

Miss jane disse...

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