13 agosto, 2009

avó Maria


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preciso de voltar a essas casas
pedras e telhados das minhas origens.

avó Maria,
quero de novo os vinte escudos
embrulhados num sorriso na palma da tua mão
no alpendre da tua casa aos domingos à tarde.

que saudade da lisura da tua bondade
poema vivo da minha juventude
o pão fumegante saído do forno
recheado de petingas temperadas de azeite
que as tuas mãos calejadas me ofereciam.

outrora crescia-me a água na boca feliz
hoje as memórias humedecem-me o olhar.

aqueles degraus rasos de pedra
onde saboreava o delicioso manjar
são agora o tempo a latir o silêncio
as intempéries levaram o teu rosto
a nitidez da perda é a matriz do meu longe.

5 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

por vezes todos nós gostariamos de voltar às origens, nem sempre é fácil.

o teu poema está transbordante de memórias vivas.

deixo um beij

Anónimo disse...

Um dia após a publicação deste liiiiiindo e comovente poema, perdi definitivamente a minha avó, que até então fora por longos meses um cadáver insepunto. Não tenho memórias tão doces, ou melhor, tenho-as, mas estão soterradas pelas mordeduras da morte que lhe abriam o corpo em chagas ...
Obrigada! Fiquei deveras comovida!
Deixo-lhe um abraço. Inteiro!

Papoila disse...

LIndo
Saudade

Lindo ...lindo
Beijo
BF

Vanda Paz disse...

é bom voltar ao passado, olha-lo e senti-lo

muito bonito este poema

beijo

Vieira Calado disse...

Muito bom!

Acontece que ontem comecei qualquer coisa desse género:

no tempo em que as crianças aprendiam
a desenhar um jarro de água...

(...)

fabricavam carrinhos de madeira... etc

Um forte abraço