11 fevereiro, 2011

o pardal é um poema

o pardal é um poema;

tanta pena, tanta pena;

tantos ais, tantos ais;

escorrem lancinantes dos beirais;

temos pena, tanta pena, tanta pena;

a idosa estava morta atrás da porta;

não se abriu a porta por não cheirar mal.


o pardal é um poema;

nunca o seria não fosse tanta pena;

mas de facto o pardal é no seu todo um poema;

porque a idosa devia ter perecido de porta aberta;

e mais!, a idosa depois de morta foi perniciosa;

não pagou à “sociedade” o devido tributo.


vai daí o “estado” impoluto;

processou-a generosamente sem abrir a porta;

vendeu por tuta-e-meia o seu “jazigo”;

porque mesmo morta, devia ter pago e;

antes de morrer o seu dever era abrir a porta;


o pardal é um poema;

temos tanta pena; tanta pena, tanta pena;

tantos ais, tantos ais, escorrem lancinantes dos beirais;

temos tanta pena, tanta pena, e o pardal é um poema!

7 comentários:

Maria disse...

Retrato cru e realista. Infeliz.mente.

Beijos.

Ana disse...

Há poemas que são facadas.

Vanda Paz disse...

é o mundo em que vivemos


beijos

cassiano cunha disse...

dura crua mas real

Tânia Mara Camargo disse...

passando para ler-te caro
amigo, nunca esquecerei
do teu apoio.
Um poema nu e cru, real,
bjs

bbrian disse...

Espiritualidade pura, beijos no coração!

bbrian disse...

Um pardal é um poema, um ponto é um poema, depende do olhar!