07 novembro, 2008

quase falando de mim

sinto esta emoção inebriante
de um tempo quase imóvel
recortado na silhueta das fragas
o céu opressivo e circunvagante
a olhar o mar no fundo das ravinas

por aqui vagueio secreto e tangível
ao sabor desta brisa pacificadora
no derredor desta íntima paz verde
ínfimo silêncio uterino em pequenos pedaços

neste tempo mil vezes resolvido
fico-me à conversa com o descanso
de permeio com a verdade irrecusável do que sinto
cúmplice a acácia centenária
neste meu ir e voltar a sublimar as distâncias
aguardo um regresso em que possa falar de mim


antónio paiva

7 comentários:

Maria disse...

E nesse teu ir e voltar haverá um regresso, com certeza...

Beijo

Ana disse...

com a verdade irrecusável do que sinto


Sempre achamos o caminho de regresso ao que somos e então, algumas vezes, podemos falar de nós.

Um beijo.

Jofre de Lima Monteiro Alves disse...

É com grande prazer que passo por aqui, depois duma pausa de algum tempo por motivo de doença dum ente querido. Venho ver e apreciar este excelente blogue, uma página de grande qualidade, que visito com grande prazer. Desejo o maior sucesso para o seu novo livro, uma prova de grande vitalidade poética e intelectual. Boa semana com tudo de bom.

Vanda Paz disse...

Lindo!

Bom fim de semana

Beijo

Claudinha disse...

Como uma onda do mar... Que lindo!
Beijo!

kurika disse...

...deixo-me transportar até ti e sinto o cheiro doce e suave das acácias...

Bjinho

Bom fim de semana

Papoila disse...

e estása falar de ti .. e da acácia que eu gosto tanto de ver florida :)

beijos
BF