07 agosto, 2007

em jeito de amargo de boca

Numa caixa de um hiper-mercado, um macho, pai de crianças, ciente das suas obrigações e deveres, enquanto pai e ser humano, poisou as compras, tudo coisas essenciais, nada de extravagâncias. Nada de coisas supérfluas, bens alimentares de primeira necessidade e fraldas, ah esquecia-me, tinha também alguns iogurtes, para as crianças, a menina da caixa foi passando os produtos no leitor de códigos de barras, no final a os mostrador da caixa, ditava impiedosamente, valor a pagar X. O homem, suspirou, entristeceu e, disse: não vou poder levar os iogurtes para as crianças, porque só tenho Y. A menina da caixa expedita diz-lhe: vá ao Multibanco e levante dinheiro. Pois eu bem que ia, mas todo o dinheiro que tenho é Y, os meus filhos vão mesmo ter de passar sem os iogurtes, com muita pena minha………

Poderemos sempre dizer, se não pode ter filhos que não os tenha. Naturalmente nós juízes natos, temos sempre as melhores sentenças, para os “crimes” dos outros.

Esquecemo-nos porém, que para além da irresponsabilidade que graça por aí, lamentavelmente. Há também circunstâncias muitas vezes imprevisíveis, que alteram por completo, a vida normal de uma família, arrastando todos quantos delas fazem parte, incluindo as crianças, naturalmente.

Mas nós, os sabedores de tudo, os infalíveis, não achamos assim. Por isso viramos a cara para o lado e seguimos adiante.

Uns são contra a interrupção voluntária da gravidez, defendem a vida, pois fazem muito bem. É sempre de respeitar a convicção de cada um. Dizem também que há que ajudar essas mães e famílias, pois muito bem. Mas onde andam eles/as agora e nestes momentos. Salvo, honrosas excepções, ninguém sabe delas nem deles. Passou o momento do tempo de antena e da visibilidade, debandaram para outras paragens, onde sejam objectos das luzes da ribalta.

Outros são a favor da dita interrupção, também defendem a vida, dizem igualmente que há que ajudar essas mães e famílias, de facto assim deveria ser: Mas onde andam igualmente elas e eles. Novamente, salvo honrosas excepções, ninguém sabe. Debandaram sabe-se lá para onde. Normalmente aparecem sempre que há uma objectiva por perto.

Por aqui na “bolgosfera”, também se deita muita “faladura” a esse respeito, na maior parte dos casos, é pura hipocrisia. Bem sabemos que parecer solidário, fica bem. Infelizmente, também esta gente posa para a imagem, ainda que escrita. Vergonhosa farsa. Há também neste capítulo honrosas excepções.

Eu tenho andado por aí a divulgar uma “merda” de uns livritos que escrevi, 90% dos direitos de autor vão para instituições, de solidariedade social, que apoiam crianças e famílias. Pois não queiram saber, aparecem por aí hipócritas de ambos os sexos, a dizer que sim e mais que também, que vão comprar os livritos, porque também gostam de ajudar causas, e tal e tal…. (dão-se ao desplante de me escrever isto na caixa dos comentários). Claro que não compram nada, é só para se armarem numa coisas que eu estou agora a pensar, mas não escrevo. Mas porque raio afirmam por escrito tal coisa, se não o tencionam fazer? Já agora título informativo: Aquela “merda” daqueles livros, mesmo que não tenham qualquer qualidade literária, sempre servem como pisa-papéis, para equilibrar uma mesa num soalho desnivelado, ou outra porcaria qualquer.

Na verdade, a esse tipo de gente desejo-lhes que vivam, muitos e bons anos, mas por favor, façam-no longe daqui. Nesta pastagem não suportamos o cheiro a pedantes e hipócritas.

Mais informo, que com a venda dos tais livros, já amealhei um significativo pé-de-meia. Assim sendo já nem precisam de se preocupar em os comprar. Ide andando, que nós por cá vamos ficando.

Orgulho-me e muito. Acreditem que orgulho mesmo. Das honrosas excepções que a vida me tem permitido conhecer.

Continuação de óptima semana, para as honrosas excepções.

19 comentários:

Papoila disse...

Vou-me repetir pois já hoje escrevi esta frase num outro post de cariz social...

“Mais vale parecer do que ser..."

Acho que acertaste em cheio.

Esta Blogoesfera não deixa de ser uma parte da nossa vida social. E, como em qualquer campo da vida em sociedade, também aqui as pessoas tentam parecer aquilo que não são...

Acho que faz parte do nosso ego. A auto-valorização. Como aqui não há o olhar nos olhos, a constatação factual, torna a questão mais credível.

Mesmo não concordando consigo desculpar ou quanto muito perceber o porquê.
Mesmo não enfiando a carapaça, se pensar um pouco, também não deixo de ser um engodo. Não assino o meu nome, não posto a minha foto... deixo muita coisa de mim ao critério imaginativo de cada um.

Mesmo não me querendo incluir não deixo de pensar que todos nós enganamos um pouco os outros...

Senti-te muito magoado e não gostei...

Não peças mais desculpas por não apareceres...vai quando assim o sentires...
Eu continuo a gostar de te ler mesmo tendo-te descoberto recentemente.

Beijoquinhas
Bom Dia
BF

claudia disse...

Ai! Saiam de trás, que o burro está a dar coices!! :)

Acho que não se pode pensar naquela alternativa-que-tinhamos-há-anos-atrás-quando-o-nosso-filho-tinha-1-mes-de-desenvolvimento-intrauterino, quando se conclui que não se tem dinheiro para comprar iogurtes!! Pareceu-te arrependido, esse pai? Desolado, talvez. É normal nos dias de hoje termos de fazer escolhas para o dinheiro dar para tudo!! Quanto mais iogurtes que é um verdadeiro luxo nos dias que correm (olha bem o preço deles!!).

A vida é isso mesmo! Fazer escolhas! Os nossos avós faziam-no diariamente!!

Tem calma burrinho. Não sofras tanto!! sh!sh! (isto é a imitar aquele som que se faz para os cavalos -primos próximos- acalmarem)

;)

ana disse...

Como compreendo!

Prometem e esquecem logo.
As palavras, nas suas bocas, são desonra. São vazio. São penacho...
Os teus livros, António, são leitura obrigatória, pelo menos para mim.
O mais recente, foi prenda para amigos, vai ser presente de aniversário para a minha irmã. Jamais serviriam para equilibrar um móvel de perna coxa, janmais!
Escreve como sabes e terás, garanto, alguém que te leia.

Um Momento disse...

Sabes... até chorei agora...
Tão verdade o que dizes...
Muita gente faz por parecer o que não é...só para se armar aos olhos de outros ...
E como é triste ás vezes querer dar a "mão" a alguém ( seja filho ou não ) e o não poder fazer, e qdo se pede... simplesmente...não dão ...
Vivo no meio disso , nunca to disse mas também eu passo algumas horas do meu tempo livre a tentar de alguma forma "acarinhar" pessoas que de algo necessitam...
Não dou tudo o que precisam ,dou o que tenho... mas pelo menos sinto que naquele Momento sorriem :)))
A mim...faz-me feliz.
Deixo-te um grande ABRAÇO!!!
Pois já to disse e volto a repetir
TENS UM CORAÇÂO DE OURO!!!
No mundo fazem falta pessoas como TU!!!!
E o teu livro como pisa papeis??
Onde foste tu buscar essa idéia???
Ai ai ai ai...

BEIJO SENTIDO
(*)

Maria disse...

Ai António, o que para aí vai.....
É certo que dizes muitas verdades, mas sinto uma certa "raiva" que não sei se vale a pena teres. Porque te desgasta, porque a vida me ensinou que os seres humanos, não sendo perfeitos, às vezes têm necessidade de ser / parecer generosos.
Percebo-te, porque sou uma mulher de palavra e o que digo, faço. Talvez os que disseram aqui que iam comprar o teu livro o façam agora. Nunca é tarde, afinal....

Um beijo enorme

Luis Monteiro disse...

Enfim... Deixá-los viver para castigo.
Abraço

Rosmaninho disse...

António

Nunca te "vi" soltar tanta raiva... nunca te "vi" tão desiludido com os outros.
Soltou-se o que vai dentro de ti,se assim te sentes bem nunca deixes de o fazer.

Há quem prefira o silêncio quando sente desilusão...
"As más acções ficam para quem as pratica" e "De promessas está o mundo cheio..."

Gosto de todos os teus poemas, guardo-os em lugar onde poiso os meus olhos diariamente (quando acordo e me deito) e escolho este pensamento para ajudar a "acalmar" os ânimos...

Pensamento

O encanto do deserto
não está nas dunas
não está na imensidão
está na esperança
de que a qualquer momento
pode surgir o oásis

Página 42 do teu livro Janela do Pensamento

Um beijo

Um Poema disse...

... e há tanto para fazer!
... e há tanta forma de fazer!

Mas não basta falar, é necessário fazer ou, pelo menos, dar uma mão a quem tenta fazer.

Estou contigo!

Um abraço

Josse disse...

Nossa, fiquei comovida e emocionada.Mas sabe, pessoas se auto promovem a custa de qualquer coisa. Lógico que não radicalizando, o egoísmo impera. Em alguns mais em outros menos. E assim o costume vai se passando de geração a geração. Também tem tudo a ver com o caráter de cada um e a capacidade de alguns.Mas tu amigo, não perca a esperança. Deus encaminha as coisas de forma a nos surpreender. O mendigo de amanhã bem pode ser eu. E se não fui capaz de ajudar, como poderei pedir ajuda? A vida muda muito e faz com que as pessoas aprendam também. Um beijo e nunca desista. Não conheço seus livros, mas pelo que posta no Blog devem merecer destaque. Fica bem, não se enraiveça. Eles não valem tanto.

Anónimo disse...

Há dias li num jornal diário que as pax praticam a solidariedade quando se sentem observadas. Neste caso a prova provada do bluff.
A história que conta faz-me lembrar um caso que observei em plena manhã do 25 de Abril. O da Revolução. Fui ao talho comprar carne, já lá estava uma mãe toda vestida de preto, eventualmente viúva, com uma filha adolescente. Quando mandou cortar uma isca para a filha, a miúda ficou exultante de alegria. A sra. tinha o ar mais digno do mundo. Nunca mais me esqueci deste exemplo de pobreza, digna e envergonhada. Parece-me que estamos a retroceder a passos largos. Desejo-lhe boas vendas, o caso está sério.

Lia disse...

Exemplos desses há-os em todos os sítios para onde viras a cara.
Aqui ou aí...
A diferença está em querer marcar a diferença, e sem as câmaras por trás, ajudar... seja de que maneira fôr...

Um beijo

foryou disse...

"kredoooooo" que mau humor! Minha nossa que mau feitio o teu! Pois eu cá declaro logo que não compro nem um livrinho teu, era o que faltava gastar o meu dinheirinho com aquela treta que não tem nada de jeito! Fico à espera que me envies no minimo uma dúzia, à borla, claro, que eu sou muito tua amiguinha e admiro-te muito e...

ok ok ok vou pirar-me antes que... fuiiiiiii



lol
beijoooo

João Moutinho disse...

Ainda não comprei nenhum livro mas algum dia fá-lo-ei.
Hoje o poder de compra para o comum dos posrtgueses não tem nada a ver com o que existia Há 30 anos, está muito melhor.
Temos o preço da instabilidade e com isso, tudo o que pretendemos dar aos nossos filhos - incluindo livros escolares e lápis e borrachas, que pos essa Europa fora são dados.

irneh disse...

Não te zangues, porque o mundo continuará torto apesar dos teus esforços. A política assim quer. Nós vamos tentando equilibrar as coisas, mas os remendos nunca foram grande solução para nada.

Beijinhos

Claudinha disse...

Livros com peso de papel? Só para pessoas que não têm olhos de ver. Louvo sua atitude, louvo sua preocupação. Sempre me preocupo com estes problemas de planejamento familiar, mas tenho sido uma gota, outras gotas são necessárias. Aprendi a considerar toda obra literária como sagrada, quem quiser que leia ou compre, mas nunca, jamais despreze. Não fique chateado mais, antes, erga sua face e olhe lá me cima. Vê o céu azul e o sol, os poetas já disseram, um espetáculo e quase ninguém liga.
Você é uma pessoa muito especial e pessoas especiais são raras.
Fique com deus!

Isabel disse...

Pela primeira vez, desde que nos conhecemos, leio azedume nas tuas palavras.
Digamos que, mesmo assim, é um azedume muito ligh para toda a hipocrisia que queres "atingir".
Quanto aos teus livros, realmente, desculpa lá que te diga, hà gentinha que , mesmo para ajudar, vale mais que não os compre; seriam "coisas2 sem alguma utilidade e um dinheiro chorado toda a vida.
Acho que desses não queres nem precisas?!

Bjt

Lego disse...

Estava a saltar de blog em blog, na esperança que a primeira fase de algum me conseguisse prender. Este foi o primeiro a fazê-lo e até que agradeço pois a minha constante instabilidade é perturbante, ao fim de algum tempo.

Confesso que fiquei contagiada por esse sentimento de desânimo, claramente expresso. Na verdade, o mundo apoia-se muito no parecer para que não tenha que trabalhar no ser.
Eu, pessoalmente, encontro-me, muitas vezes, em situações de hipocrisia só para escaços momentos de satisfação pessoal. Acho que estamos todos submetidos a essa dura condição humana, mas não posso negar que é possível evitar tais procedimentos.


Penso que os livros podem estar em qualquer lugar, até a servir de pisa-papéis, desde que o leitor saiba tirar-lhe o verdadeiro significado e proveito através da leitura e do cuidado.

marta disse...

Como eu entendo este burrinho. Se num dia algures num passado não tão remoto, alguém (provavelmente primo do chico esperto)virou-se para mim e disse:
- Olhe senhora, acha que alguém dá-me alguma coisa? ....Não tenho nada pra comprar. :(

Depois queixam-se que está tudo podre e mal cheiroso.

Louvo mas é as atitudes do burrinho: "Faz o bem, não olhes a quem" já dizia a minha avózinha, no alto da sua sabedoria.

:)

rascunhos disse...

Amigo só hj li este teu post. estavas danado nesse dia
LOL

Mas realmente eu entendo-te.Se há coisa para a qual não há pachorra é para hipocrisias.

Vou de féria mas sp q puder virei visitar-te como á hábito.

Um beijinho e um abraço