16 março, 2009

in Genéricos 18





De tanto me doer o pensamento acordei com o estrondo dos olhos a caírem dentro de mim. Foi quando o par de óculos se sentaram no nariz situado logo acima do bigode e começaram a ler. Na mesa do lado ela deixou cair o sorriso na chávena de chá que fumegou de desejo. O desejo a fumegar na chávena de chá. Na chávena de chá o desejo. A fumegar. A fumegar. O desejo. O desejo. Fumega em chá dele. A chávena quente.
uma espécie de escritos avulso
para ler sem receituário

3 comentários:

Vanda Paz disse...

Já me caíram os olhos umas poucas de vezes neste texto, deixando o sorriso sempre pregado à face.

Muito boa esta prosa poética, um místico de sensualidade agridoce.

Beijo

© Piedade Araújo Sol disse...

sensualidade em nuances diferentes.

está uma bela prosa poetica, como sempre...

beij

Zé Miguel Gomes disse...

Bastava-me a chávena quente... Mas o texto fumegou-me neste dia... Como eu precisava do que bebi...

Fica bem,
Miguel