11 março, 2009

presunção e água benta



presunção e água benta
da primeira me penitencio amiúde
da segunda tomei por imposição,
de quem achou por bem culpar-me,
do “pecado” da carne que até então,
não cometera quer por indigência,
ou sequer por consciência.

quiçá por culpa do atrevimento
de ousar ter nascido, invadindo
a pureza imaculada das batinas,
conspurcando o branco sagrado,
de saiotes e evangélicos colarinhos.

cresci na dureza que até hoje mordo,
o pagamento por pérfido, da bula carnal,
mastigando a casca de aleivoso e ímpio,
chicoteai-me sacripantas chicoteai-me,
por ousar monstruosas afrontas,
adormecei serenos e castos,
na alva brancura do vosso leito sevandija.

benzo-me, três vezes me benzo antes de ir.

4 comentários:

Maria disse...

António!!!
Já me livrei (conscientemente) dessa carga que nos impuseram à nascença!
Mergulhar no mar faz bem. E hoje está dia para isso mesmo.

Um beijo

© Piedade Araújo Sol disse...

um dia alguem me ensinou mais ou menos assim:

presunçao e água benta, cada um toma o que quer.

achei o teu texto/poema bem alinhavado.

beij

Vanda Paz disse...

Como já disse em outro local, gosto muito deste texto, muito mesmo.

Deixo-te um beijo

Vieira Calado disse...

"presunção e água benta, cada um toma o que quer".

Também me ensinaram.

Da 1ª - às vezes.

Da 2ª - nunca.

Mas o poema é interessante.

Um abraço