12 abril, 2009

breve ensaio à palavra






na espessura do tronco da árvore,
há pelo menos uma palavra viva em crescendo.
no canto melodioso da ave,
há pelo menos uma palavra em voo sonoro.

também o teu corpo é palavra,
às vezes indizível por habitar a vertigem.
na oblíqua exactidão do fogo que lavra,
no ardor da ferida exangue em floresta virgem.

germina a palavra diante dos meus olhos,
tingindo a negro o canteiro de papel branco.
arma diáfana e precisa a combater antolhos,
num labor de silêncios e sons a atenuar o pranto.

dedico-te o meu amor na claridade do meu desejo,
fundindo o teu e o meu corpo em matéria ardente.
em voos do imaginário planando no puro ensejo,
na tua cúpula em cópula até ao verso incandescente.


(à palavra todo o respeito é devido, na escrita o seu uso quer-se parcimonioso e sério. mas; também um “produtor” vinhos ousou dizer: que sabia ser possível fazer vinho de uvas, mas desse ele nunca tinha feito)

2 comentários:

Isabel disse...

António

Ainda estou sem palavras por me ter dado conta do tempo que passou sem que tivéssemos qualquer contacto. Fiquei agora a saber que está aí um novo livro.
Desejo-te a maior sorte do mundo; pois, tu mereces por aquilo que tão bem sabes fazer, dar vida às palavras.
Já sabes, só lá não estarei se de todo me for impossível (até porque nesse dia faço 22 anos de casada.

Beijinho

© Piedade Araújo Sol disse...

muito bem apanhado, com frases lindas e melodiosas.

um beij