28 fevereiro, 2008

Lançamento do Livro Palavras (O)usadas

Palavras (O)usadas, o mais recente livro de poemas de António Barroso Cruz será apresentado públicamente no Funchal amanhã, 29 de Fevereiro às 18h00 no "foyer" do Teatro Municipal Baltazar Dias. Esta é a segunda incursão do autor, em termos de publicação a solo, na área da poesia, depois do sucesso de vendas que tem sido o livro Intimidades. Palavras (O)usadas é superiormente ilustrado pelo arrojo criativo do artista plástico Marco Fagundes.
António Cruz, é um excelente escritor e poeta, de quem tenho o privilégio de ser amigo.
Deixo aqui um perfume da sua poesia:
HOJE SOMENTE

Hoje,
somente hoje,
quero inscrever
nos papiros
as nódoas
deste meu prazer doentio
que ficará para
sempre marcado
nos lençóis do tempo.
Promulgações
reais desse
Hórus que trago em mim,
celebrando
a vida com o vinho
envelhecido
nas ânforas sagradas
onde mergulho
os meus sentidos.
Entre a dor
do crepúsculo
e as lágrimas
da alvorada.
  • Compareçam.

13 fevereiro, 2008

Momentos de felicidade





A vida com a Primavera nos olhos.

antónio paiva

03 fevereiro, 2008

Inquietude

Nesta inquietude que me assola, o desejo de partir numa viagem longa, é cada vez mais marcante. Todo aquele mar diante dos meus olhos atrai-me compulsivamente. Todo aquele poder azul fascinante, a minha fixação de que em cada fim há sempre um princípio. A leitura de lugares longínquos, seria uma boa ajuda para o conhecimento do meu espírito e dos recantos mais recônditos da minha pobre alma. A profundeza do mar é algo que comparo ao mais profundo de mim, por desconhecer uma coisa e outra. O mar espelho do céu, companheiros passo a passo, fervilham nuvens e ondas. Tal como em mim, nuvens de dúvidas, ondas de querer. As grutas de que sou feito são iguais a tantas outras no fundo do mar, penso. Mistérios, coisas belas e menos belas, lugares sombrios ou pejados de peixes coloridos, algas e corais. Tantas coisas que eu desconheço. Uma ignorância que me deixa inquieto. Deito-me tantas vezes de corpo e alma em azul, cabeça ao abandono e membros estendidos. Olhar a pique no universo.

São tantas as vezes que o que sinto foge das regras básicas impostas. São tantas as vezes que quero partir já amanhã. Não se trata de uma vontade contra o que me rodeia, contra quem me ama e acarinha. Sou eternamente grato a tudo isso. Amo tudo e todos, embora a maior parte do tempo não seja capaz de o fazer sentir. Dentro de mim de algum modo também me amo, umas vezes amo-me até me castigar, outras castigo-me até me amar.

Nas janelas, varandas, terraços e miradouros de onde observo o mundo, o meu olhar fixa-se sobretudo na luz, uma luz que me invade e me toma conta, que me diz o tempo todo que posso ser melhor, bem melhor. Ah! Inquietude minha, que me agitas e me fazes renovar, renovar o pensamento e os desejos. A verdade é que se quero partir, é apenas porque anseio o regresso a mim. Partida e regresso fazem parte de uma viagem em busca de respostas. Sobre mim, sobre ti, sobre eles, sobre nós, sobre todas as coisas que me fascinam, repito: sobre tantas coisas que desconheço.
Ah! Inquietude minha, que fazes chover tantas vezes dentro de mim, tanto que às vezes me transborda pelos olhos alagando o rosto. A verdade é que depois de chover, o meu rosto vira sol e os meus olhos astros brilhantes, os meus lábios formam um vale sorridente a transbordar de alegria. Volto a olhar o mar, é fim de tarde, quase noite, o poente fica do meu lado direito, o sol vai despejando enormes quantidades de tons alaranjados sobre o mar. À minha frente as Desertas sorriem, o Lobo Marinho regressa de Porto Santo, sulcando o mar laboriosamente, ansioso por atingir o merecido repouso de mais uma noite ancorado na baía do Funchal. Eu sorrio também, recolho-me consciente de que se não parti para uma longa viagem, tive uma longa conversa comigo próprio. Mesmo sabendo que há tanta coisa que eu desconheço e ambiciono conhecer, estou certo de que aprendi mais alguma coisa. Aprendi sobretudo, que muitas vezes até vale a pena eu falar comigo.

27 janeiro, 2008

sei lá quantos sou



um teclado
zero pensamentos
repito-me tantas vezes
sei lá quantos sou
uma pilha de livros
insónias, insónias, insónias
a minha vontade é uma meretriz
que me troca por qualquer cama
sei lá quantos sou
atrás de mim vem outro
e outro ainda e mais outro
repito-me tantas vezes
um teclado
zero pensamentos
sei lá quantos sou
um monte de papéis
instinto, instinto, instinto
a minha ansiedade é uma borboleta louca
esvoaçando aprisionada nas grades do martírio
atrás de mim vem outro
e outro ainda e mais outro
repito-me tantas vezes

se o vento me levar eu vou repetidamente vou
sei lá quantos sou, sei lá quantos sou…

14 janeiro, 2008

Revisitando-me

Fui gerado, nascido e cresci no campo, calcorreei atalhos sinuosos, por entre pinheiros e matagais. Perfumei-me nas pastagens floridas, escondi-me nos milheirais. Pastoreei ovelhas e cabras, espantei pardais. Escutei encantado o canto das rolas. Conheço o cheiro do estrume e da hortelã, o odor da terra arada. Chapinhei em riachos e ribeiras, mergulhei no rio, sei de cor o coaxar das rãs nos charcos. Ouvi melros, cotovias e rouxinóis. Procurei ninhos, apanhei pássaros e atirei pedras ao vento. Viajo no andar compassado e firme das juntas de bois lavrando a terra. Semeei, plantei e colhi. Sinto ainda a dor do frio nos dedos das mãos em Dezembro, quando apanhava azeitona por entre as ervas cobertas de geada, doíam tanto até deixar de os sentir. Mas o cheiro do azeite nos lagares compensava todas as dores, o sabor no prato era a melhor recompensa. Adormeci vezes sem fim ao calor do lume, cabeça apoiada nos joelhos e pensamento deitado nos sonhos.
Desfolhei massarocas ao luar, beijei moças afogueadas ao encontrar o milho rei. Colhi maçãs e roubei figos de mel a pingar. Das uvas sei todos os sabores, vindimei e pisei uvas, corei ao cheiro do mosto, provei o vinho. Retenho o perfume das acácias, do rosmaninho na Páscoa e do alecrim nas colheitas do mel. Laranjas e tangerinas perfumavam-me as mãos. Noites a fio acotovelado a sonhar e a contar as estrelas, escutando o cantar dos grilos. Na memória o chiar do balde na picota, onde a força dos braços retirava água dos poços para regar as hortas.
O cantar das moças no lavadouro enquanto estendiam a roupa a corar no relvado e nos silvados. O barulho ronceiro dos carros de bois carregados de mato para os currais do gado. A caminho de montes e vales borboletas estonteadas exibiam-me os seus bailados. No meu álbum de memórias, guardo a fotografia do rosto pintado de preto em lagares de amoras silvestres. Nos bailaricos, nos arraiais das festas populares colei o meu rosto noutros rostos e me descobri homem, o estremecer do corpo, o estalar do coração, no primeiro beijo às escondidas, o toque de jovens lábios carnudos, perfumados de inocência, mas ardentes na descoberta do desejo. Saltei fogueiras no São João, acendi o madeiro no Natal.
Nas quentes madrugadas de Agosto o regressava a casa voando de pés no chão e cabeça no ar, sorriso nos lábios. Inquieto, irrequieto, criativo, brinquei, corri, joguei à bola, ao pião, ao berlinde, à malha. Conquistei troféus nas barracas de tiro, bebi pirolitos e namorisquei. Sou um eterno peregrino da liberdade, das sensações e das coisas belas, mesmo que as sombras teimem em me visitar. Por isso, sento-me, oiço música, leio, pego nas memórias e nas palavras e revisito-me. Aquieto-me e descanso.

01 janeiro, 2008

Bem-vindos a 2008

(fotografias antónio paiva)
É com estas imagens da baía do Funchal que vos dou as boas-vindas a 2008.
Com votos de muita saúde, paz, felicidade e espírito de entreajuda.
Um grande abraço a todos.

31 dezembro, 2007

Até 2008


(fotografias antónio paiva)
Estimadas amigas e estimados amigos, é com estas imagens recolhidas por mim, hoje entre as 07:30 da manhã e as 07:45, aqui de casa. Que me despeço de todos vós até 2008. Se tiverem paciência vale a pena clicar nas imagens.
Desejo a todos:
  • UM FANTÁSTICO ANO DE 2008!!!

22 dezembro, 2007

Mais um ano de existência desta pastagem

Lugar comum mas verdadeiro, o tempo voa. Mas é de algum modo compensador, que as memórias e os factos possam ficar gravados. Tanto melhor quando há partilha e convivência.

Faz hoje precisamente dois anos que esta pastagem começou a ser semeada. O tempo foi passando, foi sendo regada e cuidada conforme as minhas capacidades, a minha disponibilidade e vontade. Pouco mais quero dizer sobre isso. Espero continuar a sentir vontade de o fazer. Enquanto sentir que o consigo fazer com alguma qualidade e oportunidade. Assim farei.

Resta-me agradecer a todos quantos aqui passam de forma anónima ou não.

Uma vez que é Natal, não me vou prender com pormenores sobre a forma como eu o encaro, nem como cada um o encara.

Desejo a todos um Bom Natal e já agora se puderem contribuam para um bom Natal de todos.

Um forte abraço a todos!

20 dezembro, 2007

Em jeito de oração

Uns pés descalços e gretados doem muito. Uma boca descalça a sofrer em silêncio dói muito mais. Um corpo que definha até virar cinza. A dor desaparece, a morte corta como uma lâmina sem provocar dor. O que sangra dos teus olhos? A dor? Ou a evidência crua da traição? O teu quarto é o Inverno mesmo quando agonizas ao calor tórrido de África.

És recém-nascido, és uma criança de meses, és um jovem, um adolescente, um adulto, um idoso, não importa a tua idade. Empurram-te para os campos minados, para as areias do deserto. Atraiçoam-te, ferem-te até à profundidade onde nada se esclarece. O caminho da água é o desespero, envenenam as nascentes.
O coração do diabo comparado com o desses biltres é quase terno.

É insensato dormir escapando moralmente a estes crimes. Há os criminosos activos que executam a sentença de morte, mas não menos responsáveis os coniventes e passivos. Para estes últimos, a pena mínima, era a amargura instalada na própria carne, no próprio sangue. Um formigueiro de vergonha devia-lhes percorrer a pele, poro a poro, provocando-lhes uma sensação miserável. Tão miserável que lhes condenasse o pensamento a trabalhos forçados. Mais pesados que a insónia e a fome.

E o Vaticano Senhor?

Não acredito que concordes com toda aquela opulência e riqueza. Não acredito que concordes que a fé dos homens bons, a dor, a miséria, a doença, a fome e a vida de seres humanos, seja explorada para alimentar a vida palaciana dos teus representantes. A fausta mesa de pão e vinho que diariamente lhes é servida.
A cada movimento dos seus gulosos maxilares corresponde o choro de uma criança a morrer de fome, o desespero de uma mulher violada, um corpo trespassado por uma bala…

Não, Senhor, de facto não sou um fervoroso e devoto praticante. Mas respeito a fé de cada um, tenho a minha própria fé. Rezo muitas vezes à minha maneira. Na verdade quando escrevo algo como o que agora estou a escrever, considero uma oração, plena de fé, convicção e de razão. O maior templo criado por Ti é o Mundo, por isso em qualquer lugar do mundo, cada um de nós pode dar expressão à sua fé. Estou certo que concordas comigo.
Tenho muitos pecados, sei que tenho. Mas em nenhum deles está escondida a morte de ninguém. Nem tão pouco a indiferença. Sei que és sensato e não me queres perfeito. O que na verdade Tu queres é que eu e os outros não sejamos criminosos, quer por acção, quer por conivência.

Isso, eu tenho a certeza que Tu não queres mesmo!

19 dezembro, 2007

Sessão Conjunta de Autógrafos, Na FNAC Madeira, dia 23 de Dezembro

No próximo domingo dia 23 de Dezembro, a partir das 11 horas da manhã, até cerca das 13 horas, terá lugar na Fnac Madeira, uma sessão conjunta de autógrafos. Na qual participarão os seguintes autores:

Ana Teresa Klut

António Cruz

António Paiva

Compareçam e divulguem!

Para além dos autógrafos, os autores terão o maior gosto em inter-agir com os leitores e amigos.

Até lá!

07 dezembro, 2007

Prémio Nobel

São tantas as vezes que abro um livro e invariavelmente detenho-me nas mesmas páginas. Actos ilúcidos de uma lucidez que se anseia. O saber da existência de escritores que nunca escreveram uma palavra, que nunca publicarão um livro, mas que dia-a-dia registam nas páginas da vida, escritos dignos de um prémio Nobel da Literatura. Neste estruturar da existência, feito de leituras, entre frases e parágrafos inteiros. A memória devolve-me os anseios de tantos que viram os seus sonhos virar pesadelos. Quando os sonhos se desordenam, o espírito fica difícil de soerguer. É nestes momentos que desejo confundir-me com a terra, para que não me perturbem o pensamento. Sempre que me apetece desistir, verifico que somos feitos de incoerências, contradições e outras particularidades singulares. Na eminência de pronunciar o meu nome, multiplica-se o segredo das palavras. A procura de algo mais ajustado à inexistência da perfeição consome-me o sono, complica-me os dias, dificulta-me de algum modo, o comunicar com os da minha espécie.

Permaneço parte dos dias a ler, sempre presente está a consistência de algumas palavras, mesmo quando os gestos as ignoram. Identifico com naturalidade as crianças pelos olhos, reconheço o olhar dos mendigos, habitantes de todas as ruas do abandono nas cidades. O seu pedir de esmola deixa-me assustado, sinto o medo a percorrer-me o cérebro em arrepios. Nenhum medo nos prepara para outro medo. Todos eles são diferentes, isolados, violentos, devastadores. Proferimos tantas palavras desnecessárias à nossa sobrevivência, facilmente nos tornamos eternos amantes da culpa. Sempre que o sol aquece, o brilho das folhas das árvores fica mais intenso. É quando me lembro que só por existirem árvores, devíamos agradecer à vida. Observo-as, sinto haver em mim um universo de palavras adormecidas, que um dia hão-de despertar. O anseio das longas tardes de Verão, serenamente a olhar o mar, o submergir na vida interior de cada um de nós. O murmúrio de uma palavra, por alguém que luta desesperadamente pela vida, impressiona de tal modo, que se torna impossível alguma vez esquecê-la.

Assim se compõem livros sem escrever uma só palavra, ficando dispensada logo à partida toda e qualquer revisão de texto. As análises críticas e literárias, revelam-se inúteis, tal como o são sempre. O ideal era que os livros não precisassem de sair do imaginário. Não haveria registo, dizem-me. Pois que digam. Eu respondo: Aprenderíamos a ler com mais interesse nos olhares que nos são generosamente oferecidos. Escutaríamos com mais atenção aquilo que nos querem dizer, quase nunca escutamos, porque achamos que o que temos para dizer é sempre mais importante. Entre mim e nós, a beleza da palavra partilhada, é um lugar de privilégio. Atarefados e atolados em banalidades estéreis não damos conta disso. Acabamos por sucumbir na abstracção do pensamento. Debato-me na luta obscura entre a palavra e a narrativa. Nesta ânsia obstinada de me tornar perceptível. Cada vez mais me convenço, que nada posso fazer contra a espessura da existência, senão escrever. É redutor eu sei. Mas deste modo vou recolhendo instantes privilegiados do essencial da vida, em cumplicidade permanente, com escritores que nunca escreveram uma só palavra, mas que deixam a brilhante obra da sua existência.

Seremos nós apenas ecos e sombras? Viveremos as dúvidas até um sinal que nos ilumine a razão?

Embora eu não tenha a certeza se a vida é isto ou outra coisa qualquer, vou registando pormenores, as coisas mínimas a que poucos dão atenção. Na verdade as pessoas são por natureza distraídas, de si e dos outros, sobretudo naquilo que as revela.

antónio paiva

Bom fim-de-semana a todos.

02 dezembro, 2007

Amigos















seres estranhos até um dia
em que os passamos a amar
e passamos a ser amados por eles

são tantas as vezes que adormecemos nas suas tristezas
acordamos felizes nas suas alegrias e conquistas

há um olhar nobre entre nós
um sentir intemporalmente puro
um estar eternamente adolescente

na amizade um imenso campo fértil
onde arduamente lançamos todas as sementes que queremos preservar

há nisso o que as palavras não sabem
uma mistura de essências
que o lado esquerdo do peito tão bem nos sabe dizer

tal como em todas as paixões se cometem exageros
na verdade sentimos, acredito que seja isso o amor que tanto se fala




antónio paiva
Boa semana a todos.

30 novembro, 2007

breve















(fotografia antónio paiva)



o rochedo, que canta, e o sol, que abre a coroa
de ouro rubro, espantando a matutina bruma,
a flor, que estremece, e o pássaro, que voa,
a água, cheia de sons e de flocos de espuma



antónio paiva
Óptimo fim-de-semana a todos.


26 novembro, 2007

Ausências e Vivências

Bem sei que tenho estado ausente demasiado tempo, não tenho publicado,não tenho visitado, as amigas e os amigos, que tanto apoio e carinho me têm dado.

Não peço que me compreendam, mas que me desculpem, em primeiro lugar estive fora muito tempo e não acedia à net. Depois cheguei um monte de situações para regularizar esperava-me, coisas que acontecem a quem se ausenta por muito tempo.

Bem sei que sou ingrato, que muito recebo e nada dou em troca, enfim, sou como sou não há nada a fazer

A Prova de que tanto recebo, está bem patente no poema que a menina que estão a ver na foto em cima, escreveu numa folha de papel e me ofereceu, na apresentação do meu livro Navegando nas Palavras, no Museu do Vinho de anadia, no passado dia 10 de Novembro.

A menina tem 10 aninhos de idade, é uma querida e chama-se Alexandra Roseiro.

O poema aqui fica para que o possam ler.

  • Os poetas e o mar

Eu sou como os outros poetas

que deitam as lágrimas no mar.

Os poetas mergulham nas águas a flutuar

Para procurar as letras que faltam para acabar a palavra amar

Os poetas vão para junto do mar

Desabafar nos poemas que fazem chorar

Os poetas deitam as lágrimas no mar

E parece magia no ar

Um beijinho para ti Alexandra, que continues a ser uma menina feliz e com muito amor.

As vós amigas e amigos, um grande abraço e a promessa de vos visitar brevemente, muito brevemente, quase já.

Imagens dos eventos do livro Navegando nas Palavras, clicar neste link.

Semana fantástica a todos!

02 novembro, 2007

Até amanhã na Livraria Bulhosa



Amigas e Amigos, até amanhã às 17:00 na Livraria Bulhosa, Campo Grande 10-B.

Preciso de todos vós!

Peço desculpa pela minha ausência, sei que vos devia visitar, mas, peço que compreendam.

Obrigado

29 outubro, 2007

Regionalismo Madeirense

Recebi por e-mail, desconheço o autor do texto, mas achei-o delicioso e decidi partilhar convosco. É regionalismo Madeirense, lido com sotaque, então é mesmo de partir a rir.


Ah Estapoilha!!!
Era uma vez…

Tava o vendeiro ao paleio com o vadio do vilão quando ouviu uma zoada.

Era a água de giro.

O buzico do levadeiro que vinha mercar palhetes à venda, vinha às carreiras e às parafitas com o bizalho.

Dá-lhe uma cangueira, trompicou no matulhão do vilhão.

Bate cas ventas no lanço e esmegalha a pucra.

O vilão dá-lhe uma reina vai a cima dele para lhe dar uma relampada, patinha uma poia.

Ficou todo sovento.

O vendeiro dá-lhe uma ressonda por ele querer malhar num bizalho dum pequeno. Vem o levadeiro, e, ao ver o vassola, que anda à gosma e a encher o pampulho à custa dos outros, a ferrar com o filho, fica variado do miolo e diz-lhe umas.

O vilão atazanado, atremou mal e pensou que ele lhe tinha chamado de chibarro, ficou alcançado, deu-lhe uma rabanada e foi embora todo esfrancelhado.
O levadeiro ficou mais que azoigado mas lá foi desatupir a levada.

O piquene chegou a casa todo sentido, com um mamulhão.

A mãe que é uma rabugenta mas abica-se por ele, ao vê-lo todo ementado, deu-lhe um chá que era uma água mijoca, pensando que canalha é mesmo assim, mas, como ele não arribava, antes continuava olheirento, entujado e da chorrica foi curar do bicho virado e do olhado.

O busico arribou e até já anda a saltar poios de bananeiras na Fajã.


Boa semana a todos/as.

26 outubro, 2007

a fome é tanta





a fome é tanta,
que os olhos lhe caiem na sopa
o frio é tanto,
que a manta rota lhe parece um embuste
a dor é tanta,
que o sangue lhe verte das órbitas vazias
o abandono é tanto,
que se resigna à monotonia das insónias,
ouvindo noites a fio o barulho do relógio da torre,
marcando implacavelmente,
os segundos de uma morte em vida
a raiva é tanta que grita:
que sabeis vós poetas de circunstância?
que tanto cantais a vossa dor,
uma dor tantas vezes mentirosa


antónio paiva

22 outubro, 2007

Lançamento e Agenda do Livro Navegando nas Palavras

Caros amigas e amigos, é com enorme satisfação que vos anuncio o lançamento do meu novo livro. Com ele pretendo apoiar mais uma instituição, a Ajuda de Berço. Que acolhe crianças em risco dos 0 aos 3 anos de idade.

A vossa presença e apoio são indispensáveis.
Ficam desde já todos convidados!

Deixo aqui a agenda de eventos do livro:

AGENDA DO LIVRO NAVEGANDO NAS PALAVRAS

LANÇAMENTO LISBOA

DIA 03 DE NOVEMBRO ÀS 17 HORAS

LIVRARIA BULHOSA

CAMPO GRANDE 10-B

LANÇAMENTO POR UM CONJUNTO DE POETAS

HELENA PAIVA, MANUEL CARDOSO, MARIA JOÃO PAIVA, VANDA PAZ, VERA SILVA

APRESENTAÇÃO PORTO

DIA 08 DE NOVEMBRO ÀS 21:30 HORAS

FNAC NORTESHOPPING

NORTESHOPPING

APRESENTAÇÃO POR MARIA JOSÉ PINTO

APRESENTAÇÃO ANADIA

DIA 10 DE NOVEMBRO ÀS 17 HORAS

MUSEU DO VINHO

ANADIA

APRESENTAÇÃO POR VANDA PÓVOA e ROSA ANSELMO

COM A COLABORAÇÃO DO ACORDEONISTA JOAQUIM PEIXINHO
APRESENTAÇÃO COIMBRA

DIA 11 DE NOVEMBRO ÀS 17:30 HORAS

FNAC COIMBRA

COIMBRA


APRESENTAÇÃO POR CONCEIÇÃO CAMPOS
APRESENTAÇÃO VILA NOVA DE POIARES

DIA 12 DE NOVEMBRO ÀS 12 HORAS

ESCOLA Dr. DANIEL DE MATOS

VILA NOVA DE POIARES


APRESENTAÇÃO POR PAULA CAÇÃO
APRESENTAÇÃO MADEIRA

DIA 17 DE NOVEMBRO ÀS 17 HORAS

FNAC MADEIRA

FUNCHAL

APRESENTAÇÃO POR POLICARPO NÓBREGA

19 outubro, 2007

O sabor das marés

Não sei onde guardar os silêncios do rosto. Não sei como desenhar-te os corpos crescendo num manto de ondas. São tantas as vezes em que a minha boca se funde no fogo dos teus lábios. Que adianta dizer-te que a madrugada é pôr-do-sol da lua cheia. Se a essa hora já não escutas apenas me sentes.

Soubesse eu incendiar marés e chorar lava sem secar o tempo. Ficaria aceso na tua noite o tempo todo. Nos teus olhos nasceriam campos de trigo. Onde tu me colherias grão a grão. Matando a tua fome de mim. Aconchegando o celeiro do teu corpo.

O canto dos silêncios ao sabor do serpentear do vento. Melodias da sede dos teus lábios. Amanhecer colhendo as maçãs do teu rosto. Adivinhar-te no canto do pássaro. Contemplar a gestação dos sonhos. A vertigem lúcida do oceano. O vai e vem dos nossos corpos feitos de ondas. Saboreando a tua espuma. Poisando o meu rosto no teu ventre.

No teu corpo a minha língua desenha as marés. Os meus dedos percorrem a pauta do teu corpo. Em busca da melodia perfeita. Vibrante é todo o teu ser. Perfeito. Agora somos espuma do mesmo oceano. Dois corpos um só barco. Sem amarras. Premiando a loucura do amor. Na baía do teu corpo apanho as conchas. Com que farei o leito onde te deito a repousar. O sabor das marés também pode ser doce. O sabor das marés é doce.

Fico por aqui na beirinha do teu sono. Enquanto as algas soluçam nas ondas. Os búzios tocam alvoradas. As gaivotas adivinham o sol. Ao longe na muralha o pescador lança o anzol. Nasce o dia. Aqui nasceu uma promessa. Uma promessa de vida.

16 outubro, 2007

Memórias vivas

Mesmo que não haja Verão, haverá sempre a nostalgia, os meandros indizíveis de outros corações.

As dunas onde te deitas e me ofereces o teu corpo. Os espaços marinhos. A ternura em espasmos. Nada mudou desde o primeiro dia. Assim continuamente.

Aposto nestes momentos, todo o fulgor do tempo. O desejo cavalgando mar adentro. Sem limites. E já perto, muito perto, o clímax o êxtase. Vislumbro ainda horizontes maiores.

Amanheço, percorrendo os lugares do sonho. Espraio-me por inteiro nas confidências dos teus sussurros. Há o mistério que te suporta. O sorriso que te beija o olhar a toda a hora. Peito aberto, aceitas-me, tal como o parágrafo aceita a palavra certa.

Na melhor taça me serves o delicioso néctar que o teu corpo encerra. É tão mais fácil sentir, do que dizer ou descrever. Na pausa, passeio-me contigo, parece nada ter acontecido. As vagas vão e voltam. Entardece como de costume à mesma hora. O repouso. O cais. O pequeno barco preso pelas amarras. O vento do desejo faz inchar de novo as velas feitas dos nossos corpos.

Entre uma e outra vaga, fazemos amor de novo. Sacudimos os corpos, como se nos fossem estranhos. É a essência que procuramos. A mistura harmoniosa. Paira o silêncio. O bater dos corações dissolvido pela brisa. A subtil diferença de usar os corpos. Onde até o sofrimento parece sensual.

Memórias tão vivas como as marés. Olhos de água, a ternura sublime. Ondas de amor. Soluços de peitos magoados, sufocando o respirar. Teu corpo de mulher espreguiça ao vento.

A minha teimosia de encher as gavetas de nuvens. O conflito entre o meu corpo e a minha mente, leva-me a não acreditar em nenhum deles. Um escriba medíocre e péssimo amante. É o meu espólio. O meu cartão de visita.

Memórias tão vivas como as marés. A ilha pode ser o quarto. O desenhar o vértice da noite onde nos consumimos sós. Luar aquecido pelo choro. O calar-te pela emoção. Venerando a manhã criada no teu ventre. Dentro de ti é agora a minha morada.

Se já cometi o desaforo de afirmar que escrever poesia é fazer amor com as palavras. Devia ter a coragem para afirmar: Que fazer amor contigo é poesia.

antónio paiva